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30 de abril de 2010
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Saneamento

A população não vê, mas a obra avança no subsolo

Com o uso intensivo de equipamentos de microtúnel, as obras do Projeto Tietê atingem alta produtividade na instalação das redes de esgoto com baixo impacto no trânsito da cidade

Alguém já comentou, em algum debate político, que obras de saneamento não avançam no Brasil pelo simples fato de que não são percebidas pela população e, portanto, não rendem dividendos eleitorais. No que depender da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), entretanto, essa mentalidade ficará cada vez mais sepultada no passado. Dona de um dos maiores projetos de saneamento do País, a despoluição do rio Tietê, a empresa avança na instalação de coletores-tronco, redes coletoras e de ligações domiciliares que vão ampliar a capacidade de captação de esgoto nos municípios da Grande São Paulo.

O detalhe é que, num projeto desse porte, com diversas frentes de obra em execução simultaneamente, a população quase não percebe o que está sendo feito abaixo das calçadas e vias públicas. Com o uso intensivo de equipamentos de perfuração de microtúneis (Microtunneling Boring Machine – MTBM), as obras do Projeto Tietê lançam mão do método não-destrutivo (MND) com o objetivo de provocar o menor impacto possível sobre o caótico trânsito da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

Para aqueles que atribuem o pequeno uso dessa tecnologia no Brasil ao seu provável custo elevado, a Sabesp apresenta números reveladores. “Comparando os custos de implantação de uma rede de 800 mm de diâmetro a uma profundidade média de 5 m, com distâncias de 120 m entre os poços de inspeção, a tecnologia de microtúnel exige um investimento apenas 20% superior em relação ao método de abertura de valas”, afirma Flávio Durazzo, engenheiro da área de gestão de projetos especiais da empresa.

Vantagens do MND

Pelos seus cálculos, os valores ficam equivalentes entre os dois sistemas construtivos quando a profundidade da rede se situa abaixo de 6 m. Sem contar os custos sociais de uma obra por método destrutivo, com todo o impacto que ela causa no cotidiano dos cidadãos e no sistema viário, bem como os danos ao pavimento – que depois deverá ser recuperado – e o maior prazo para a execução desse tipo de obra. “Com esses equipamentos, registramos uma evolução média de cerca de 10 m/dia em cada frente de trabalho, considerando uma distância média de 80 m entre os poços de emboque e desemboque”, ressalta Durazzo.

Ele explica que, além do elevado adensamento urbano, outros fatores contribuem para a competitividade do uso de MTBM na ampliação das redes de esgoto em áreas metropolitanas como a de São Paulo. “Além da imposição do projeto hidráulico, que demanda uma declividade constante dos condutos para viabilizar o transporte do esgoto, eles precisam ser assentados em cotas que permitam a transposição de interferências como rios, córregos, galerias pluviais de grande porte e vias públicas com intenso movimento de tráfego.”