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06 de março de 2020
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Tratores

Mais eficiência no campo

Escassez de mão de obra, o mercado de tratores também cresce para atender às demandas de tratos culturais e plantio
Por Melina Fogaça

Nos últimos anos, tornou-se nítida a percepção de que o uso de equipamentos agrícolas – especialmente apoiado em tecnologias embarcadas – pode fazer a diferença no dia a dia do produtor, ajudando a elevar a produtividade e a rentabilidade da lavoura. Um bom exemplo disso é o visível aumento da utilização de tratores de pneus e de esteiras, considerados peças fundamentais para a atividade no campo.

O crescimento das aquisições de máquinas agrícolas, incluindo tratores, já havia sido detectado pelo IBGE no Censo Agropecuário de 2017, que também mostrou como as mudanças sociais – aumento da renda, políticas de mecanização, renovação programada de frotas e avanços tecnológicos – têm sido responsáveis por tal avanço.

Todavia, segundo o coordenador de marketing de produto para a linha de tratores da AGCO, Eder Pinheiro, o principal indutor vem de uma conjunção de fatores, incluindo facilidades de crédito, demanda por alimentos e escassez de mão de obra no campo. “Tudo isso influencia para que tenhamos cada vez mais máquinas no campo, de modo a aproveitar melhor as janelas de plantio e, assim, aumentar a eficiência”, comenta.

Há ainda de se considerar o valor intrínseco do próprio equipamento, principalmente sua versatilidade. Como destaca o gerente de marketing de produto da Case IH, Lauro Rezende, os tratores são polivalentes, com capacidade de exercer diversas atividades no campo, como arar, preparar o solo, cultivar e plantar. “Essas máquinas também podem trabalhar em outras áreas, como transporte e atividades de suporte à construção”, ele complementa.

Talvez até por isso, entre 2006 e 2017, como delineia o Censo Agropecuário, o número de tratores utilizados nas propriedades rurais aumentou em quase 50%. Em 2006, havia uma frota com


Nos últimos anos, tornou-se nítida a percepção de que o uso de equipamentos agrícolas – especialmente apoiado em tecnologias embarcadas – pode fazer a diferença no dia a dia do produtor, ajudando a elevar a produtividade e a rentabilidade da lavoura. Um bom exemplo disso é o visível aumento da utilização de tratores de pneus e de esteiras, considerados peças fundamentais para a atividade no campo.

O crescimento das aquisições de máquinas agrícolas, incluindo tratores, já havia sido detectado pelo IBGE no Censo Agropecuário de 2017, que também mostrou como as mudanças sociais – aumento da renda, políticas de mecanização, renovação programada de frotas e avanços tecnológicos – têm sido responsáveis por tal avanço.

Todavia, segundo o coordenador de marketing de produto para a linha de tratores da AGCO, Eder Pinheiro, o principal indutor vem de uma conjunção de fatores, incluindo facilidades de crédito, demanda por alimentos e escassez de mão de obra no campo. “Tudo isso influencia para que tenhamos cada vez mais máquinas no campo, de modo a aproveitar melhor as janelas de plantio e, assim, aumentar a eficiência”, comenta.

A Série R de tratores de pneus é uma das apostas da John Deere para o mercado brasileiro

Há ainda de se considerar o valor intrínseco do próprio equipamento, principalmente sua versatilidade. Como destaca o gerente de marketing de produto da Case IH, Lauro Rezende, os tratores são polivalentes, com capacidade de exercer diversas atividades no campo, como arar, preparar o solo, cultivar e plantar. “Essas máquinas também podem trabalhar em outras áreas, como transporte e atividades de suporte à construção”, ele complementa.

Talvez até por isso, entre 2006 e 2017, como delineia o Censo Agropecuário, o número de tratores utilizados nas propriedades rurais aumentou em quase 50%. Em 2006, havia uma frota com cerca de 820 mil unidades nos campos do país, um volume que 11 anos depois saltou para mais de 1,2 milhão de unidades, incluindo apenas as versões de pneus (também chamadas de “tratores agrícolas”). Um desempenho certamente invejável para qualquer família de equipamentos.

VERSÃO DE PNEUS

Para garantir a perenidade desse bom momento, nos últimos anos os tratores – assim como os demais equipamentos agrícolas – vêm passando por uma transformação tecnológica relevante, com a implementação de uma série de itens que facilitam o dia a dia do produtor e, sobretudo, garantem o aumento da produtividade em campo.

Além disso, a variedade de modelos aumentou muito. “Hoje, disponibilizamos um amplo portfólio de tratores, de 60 a 620 cv de potência, com diversas opções de configurações que atendem desde o agricultor familiar até os grandes produtores”, afirma Tiago Henrique Dickel, especialista de produto da John Deere,

Configurações das máquinas mudam de acordo com a cultura

Para o mercado brasileiro, diz ele, a John Deere aposta na linha 9R, voltada para operações em grandes propriedades, sobretudo em culturas de soja e milho. Articulados, os modelos da linha possuem tração 4x4, o que permite que o peso seja mais bem-distribuído, com igual capacidade nos eixos dianteiro e traseiro, aumentando a capacidade total de tração do trator. “São equipamentos de alta tecnologia, focados em alto rendimento para grandes propriedades agrícolas, nas quais as janelas de plantio e preparo de solo são pequenas e, por isso, as tarefas precisam ser feitas rapidamente, com eficiência e qualidade, muitas vezes frente a condições climáticas desfavoráveis”, descreve Dickel.

Em termos tecnológicos, um dos destaques da linha é a inclusão de tecnologia embarcada de alta precisão nos equipamentos, o que propicia um ganho expressivo de produtividade e o uso mais eficiente dos insumos, resultando em maior lucratividade para os clientes. “Há tempos, os tratores já contam com o JDLink, sistema que coleta dados das operações no campo e com isso garante o acompanhamento da performance”, continua o especialista. “Além disso, esse recurso também auxilia na adoção de medidas corretivas e de diagnóstico, tanto de manutenção quanto em relação ao melhor uso das tecnologias embarcadas e do próprio equipamento, evitando o consumo desnecessário de combustível, por exemplo”, ele completa.

Na Case IH, que também disputa esse mercado globalmente, o portfólio de tratores abriga modelos com potências de 78 a 629 cv, atendendo a diversos perfis de produtores, de acordo com a necessidade específica de cada grupo.

A agricultura familiar, por exemplo, tem necessidades operacionais diferentes da agricultura de larga escala. Por isso, esses produtores logicamente tendem a buscar máquinas menores, com potências intermediárias, enquanto o grande produtor trabalha com máquinas com potências superiores. “Mas independentemente de modelo, potência e tamanho, a busca por tecnologia é uma preocupação de todos”, diz Rezende, destacando que tecnologias antes só encontradas em grandes máquinas também já são disponibilizadas para os modelos menores. “Hoje, o pequeno, o médio e o grande produtor invariavelmente procuram máquinas com recursos que aumentem a produtividade e a rentabilidade no campo”, ele constata.

De fato, o porte da propriedade não é o único aspecto a ser considerado. Afinal, como ressalta Pinheiro, da AGCO, as configurações das máquinas também variam de acordo com a cultura. O agricultor de café e de fruticultura, por exemplo, buscam preferencialmente tratores cabinados compactos, em uma faixa de potência de 75 cv a 95 cv. Já os grandes produtores do Centro-Oeste buscam tratores com mais de 300 cv. “Mas uma coisa todos eles têm em comum, que é a busca por mais conforto”, explana.

Tanto que esse quesito ganhou uma importância inédita na indústria e vem sendo devidamente considerado nos projetos de novas máquinas. De acordo com Pinheiro, as máquinas agrícolas realmente vêm evoluindo muito nessa questão. “Itens como cabine com ar-condicionado, bancos com suspensão e comandos em posições ergonômicas já se tornaram prioritários, assim como motores mais eficientes, piloto automático e transferência de dados a distância”, enumera o especialista.

VERSÃO DE ESTEIRAS

Além dos tratores de pneus, os modelos de esteiras também encontram ampla utilização no campo. Segundo Dickel, da John Deere, durante a safra o trator de esteira executa uma atividade bem parecida com a do trator agrícola, ou seja, o preparo do solo, sendo que o equipamento pode, inclusive, trabalhar com a grade acoplada.

Já na entressafra, o equipamento pode ser utilizado para reforma de estradas, construção de açudes e realização de nivelamento de terrenos, dentre outras atividades. “A opção por tratores agrícolas ou de esteiras vai depender de fatores como características do terreno, busca por versatilidade, necessidade de realização de obras civis e custos associados na utilização de cada equipamento”, frisa o especialista. “Dessa forma, para cada propriedade rural pode ser mais interessante utilizar um ou outro equipamento em suas principais aplicações.”

Os tratores de esteiras 700J, D5 e Quadtrac 500: versatilidade extrema nas atividades do campo

De todo modo, o uso de tratores de esteiras ainda é menor no Brasil, principalmente quando comparado aos tratores agrícolas ou até mesmo outros equipamentos de Linha Amarela, como pás carregadeiras, motoniveladoras, escavadeiras e retroescavadeiras. Nos últimos anos, contudo, foi possível perceber um crescimento na demanda também por este tipo de equipamento, e não apenas em aplicações agrícolas, mas também em obras de infraestrutura e mineração. “Especificamente em atividades agrícolas, é comum o agricultor preferir os tratores de pneus por sua versatilidade para realizar as aplicações principais nas fazendas”, avalia Dickel. “Mas os tratores de esteiras certamente podem oferecer uma produtividade muito interessante, que irá ajudar a cobrir diversas outras necessidades.”

Nesse sentido, um dos diferenciais desses equipamentos aplicados na agricultura é a possibilidade de trabalhar em condições de umidade, ou em locais que um equipamento de pneus não conseguiria entrar, proporcionando ao proprietário mais tempo de trabalho em qualquer condição de clima e terreno. “Durante um período de chuva, por exemplo, o trator de pneus não consegue trabalhar porque o solo fica muito úmido”, atesta Leandro Amaral, especialista em aplicação de produtos da Caterpillar. “Já o trator de esteiras pode executar o serviço em solos com lama ou muito acidentados.”

Ou seja, a versatilidade é seu ponto forte. Prova disso é o fato de os tratores de esteiras serem utilizados em uma ampla série de atividades, incluindo construção e manutenção de canais de irrigação e drenagem, açudes, barragens, valas, silos, bebedouros, aviários, viveiros de peixes e estradas, assim como curvas de nível, terraplenagem e obras de passagem, compostagem, limpeza de conchas e currais, destroncamento, remoção de pedras, vegetais e cipós, enleiramento para reflorestamento e preparo de canaviais, além de operações com arados e toras. “Com tudo isso, acredito que o uso menor de tratores de esteira no Brasil seja mais uma questão cultural que funcional”, pondera Amaral.

Até porque opções não faltam ao produtor. A própria Caterpillar, como destaca Amaral, lançou recentemente no país sua nova geração de tratores de esteiras. Segundo ele, a série D5 conta com maior peso operacional, potência de 170 hp, transmissão automática de três velocidades, menor raio de giro e giros mais rápidos no final de cada passada. “A expectativa é que essa máquina obtenha até 16% a menos de consumo de combustível do que o modelo anterior”, diz Amaral.

Outro ponto vital está na força na barra de tração. “Dependendo do tipo de arado e implemento que o cliente quer utilizar e da velocidade que ele precisa, a força na barra de tração é que vai determinar o modelo de máquina a ser escolhida”, completa. “E o novo D5, por ter maior força na barra, entrega até 13% a mais de potência no solo, conseguindo empurrar mais material ou puxar um arado mais pesado.”

No portfólio da Case IH, a linha de tratores de esteiras inclui modelos como o Quadtrac, um equipamento articulado com esteiras de borracha disponível em modelos com potência de 507 a 629 cv, com motorização que atende à resolução MAR-I (Tier 4b). De acordo com Rezende, a menor pressão exercida pela esteira de borracha sobre o solo melhora a qualidade do plantio e, consequentemente, aumenta a produtividade do empresário do agronegócio. “De fato, o Quadtrac oferece maior capacidade de tração com menor compactação de solo”, ele assegura.

Tratores de esteira atuamem topografia com declive

Com esteira de metal, o modelo TK4.100M é um dos destaques da linha abaixo de 100 cv da New Holland Agriculture

A New Holland Agriculture aproveitou a realização do 32º Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), para exibir sua nova linha de tratores de esteira TK4. Produzida na planta de Jesi, na Itália, a família inclui modelos com dimensões reduzidas de largura total mínima, bitola, comprimento e distância entre eixos. O trator plataformado TK4.80N (75 cv) possui versão com esteira de borracha (300 mm de largura) e metal (310 mm de largura), enquanto o TK4.100M (100 cv) tem esteira de metal (450 mm de largura), em versões plataformado ou cabinado. Ambos são equipados com motores 4 cilindros FPT Industrial F5C Common Rail de 3.400 cm³. “As esteiras garantem maior capacidade de tração e menor compactação do solo durante as operações”, explica Juliano Perelli, especialista de marketing da empresa. “Além disso, oferecem maior estabilidade e melhor distribuição de peso, qualidades necessárias para atuar em áreas de elevada declividade.”

Saiba mais:
AGCO: www.agco.com.br
Case IH: www.caseih.com/latam/pt-br
Caterpillar: www.cat.com/pt_BR
John Deere: www.deere.com.br
New Holland: agriculture.newholland.com/lar/pt-br