Vocação para o pesado — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 164Dez/Jan 2013 Matéria 9 de 24
Sumário
  1. EditorialBases para o desenvolvimento
  2. Pórticos E Pontes RolantesFabricantes apresentam tecnologias para o setor
  3. Redes SubterrâneasTecnologia torna-se opção para áreas urbanas
  4. Redes SubterrâneasConcessionárias avançam no uso de MND
  5. Proconve 7O peso para as construtoras
  6. TecnologiaCorreção de pressão em tempo real
  7. Obra PortuáriaTerminal Marítimo no RN utiliza método construtivo diferenciado
  8. EmpresaDos portos aos gramados
  9. Fora De EstradaVocação para o pesado
  10. Momento ConstructionSalão temático contemplará pré-moldados de concreto
  11. EmpresaEstreia promissora
  12. FestaAs 7 maravilhas do mundo moderno
  13. ManutençãoPainéis de corrente alternada exigem atenção
  14. Pórticos E Pontes RolantesSoluções para a movimentação de cargas
  15. Espaço AbertoPiso móvel é indicado para materiais a granel
  16. Espaço AbertoNovo sistema de elevação da lança facilita aplicações eólicas
  17. Espaço AbertoBritador de rolos de alta pressão oferece maior eficiência
  18. Espaço AbertoValetadeira atua em espaços confinados
  19. Espaço AbertoRedutores planetários são indicados para produção de cimento
  20. Espaço AbertoGuindaste sobre esteiras possui capacidade de 650 t
  21. Espaço AbertoNovo controlador economiza energia
  22. Espaço AbertoSistema de escoramento reduz tempo de concretagem
  23. Espaço AbertoNovos britadores e peneiras atuam em conjunto em pedreiras
  24. Entrevista"Essa indústria ainda sofrerá muitas mudanças"
  25. Painel12 notas e colunas
Fora De Estrada

Vocação para o pesado

Com uma frota composta totalmente por caminhões off-road da Scania, a transportadora TSL obtém resultados expressivos no transporte de minério bruto

Exclusivo M&T 14 de janeiro de 2013 · Edição 164

Fundada por José Donizete de Sousa Maia, conhecido como Zé Tita, a Transportes Sarzedo (TSL) é um case de sucesso na área de transporte de apoio à mineração. A empresa, que começou sua trajetória em 1997 com um único caminhão, possui atualmente uma frota com 130 pesados off-road da Scania, incluindo os modelos P420 8x4 e 6x4, além de dois G440 CB 6x4 da Nova Linha Off-Road Euro V da montadora.

Só na operação da Mina do Carrapato, controlada pela Itaminas, em Sarzedo (MG), a transportadora trabalha com 45 caminhões, que atuam na coleta e transferência de material bruto por rotas curtas fora de estrada e outras funções de apoio. Os demais pesados da empresa também são utilizados em outras três minas a céu aberto: uma da Vale, em Brumadinho, uma da MMX, em Igarapé, e uma da V&M, em Nova Lima, todas em Minas Gerais.

Além dos caminhões off-road, a TSL possui um braço logístico para transferências rodoviárias, que inclui 37 semipesados P250 (sendo 28 unidades 6x2 e nove unidades 4x2), adquiridos recentemente. Os equipamentos atuam em funções de apoio para transferência de resíduos com poliguindaste (simples e duplo), munck e roll on/off. A frota da transportadora inclui ainda oito pesados rodoviários G420 6x2 em semirreboque basculante, para a transferência de resíduos, e um ônibus K230, para o transporte de funcionários. Hoje, a empresa conta com 476 funcionários.

Parceria

Nada mau para quem começou dirigindo um único caminhão com as próprias mãos. “No começo, a TSL não tinha expressão comercial alguma, era uma coisinha mínima, mesmo assim a Itaipu me deu uma importância muito grande”, recorda Zé Tita. “Nem sei como isso aconteceu, pois já havia muitas transportadoras com frotas grandes e prontas.” Ele se refere à concessionária em Contagem que fornece os pesados para a TSL e pertence ao grupo carioca Lemos de Moraes, presente no mercado de transportes há mais de 38 anos.

Em 1999, a TSL comprou o primeiro caminhão Scania 224 e, a partir de então, iniciou uma intensa relação de apoio mútuo com a montadora. “Quando peguei para trabalhar, vi que era o caminhão da minha vida”, rememora Zé Tita. Com o tempo, o negócio prosperou e, devido ao seu profundo conhecimento prático da atividade, o empresário passou a orientar a fabricante sobre as adequações dos caminhões ao serviço pesado no campo. “Eu testo os caminhões, os conceitos de serviços e as peças”, explica o diretor da TSL. “E a Scania sempre ouve minhas dicas.”

Operação

Na Itaminas, que terceiriza toda a operação de produção para a TSL, os veículos Scania rodam 24 horas por dia, em três turnos. A uma velocidade média definida de 45 km/h, os veículos realizam cerca de 40 viagens por turno, transportando quatro mil toneladas/dia de minério bruto por caminhão. A cada três anos, a frota é renovada.

Com mão inglesa em alguns pontos e placas de instrução afixadas na estrada para orientar sobre qual marcha usar em cada trecho, as angulosas rotas da mina exigem muito dos veículos e dos próprios condutores, por conta do peso dos veículos carregados e da instabilidade do terreno. Nesse ponto, a tecnologia da Scania tem ajudado a aumentar a segurança nas operações. “Na Itaminas, a descida é bem íngreme e os freios podem esquentar”, frisa Zé Tita. “Mas não arrisco a vida dos motoristas.”

Para isso, diz ele, toda a frota é equipada com recursos tecnológicos como o Opticruise, a caixa de câmbio automatizada da montadora sueca. “Com ela, praticamente nem é preciso usar o pedal da embreagem, só para arrancar e parar”, diz à reportagem o motorista Gilson de Oliveira Campos, há três anos na TSL. “Desse modo, é possível obter uma força incrível na tração e, de quebra, economizar lona.”

Manutenção

Em relação à manutenção da frota, a TSL atua com extremo pragmatismo. Na lubrificação, por exemplo, Zé Tita escolheu realizá-la nos 38 pontos dos veículos de uma forma heterodoxa: nem por hora ou quilometragem, como é praxe no mercado, mas por dias. “Costumo fazer a cada 45 dias, podendo ir a 60 dias”, afirma.

Mas não é só com intuição apurada que a TSL trabalha. Também parceira de longa data, a concessionária Itaipu montou uma oficina na própria sede da transportadora para otimizar a assistência remota e a operação dos equipamentos. Isso porque, em relação ao monitoramento de peças, nem sempre é possível levar o caminhão à distribuidora, como explica o diretor da concessionária, Eugênio Costa. “O grande crescimento de vendas de caminhões e ônibus nos últimos anos e a consequente necessidade de manutenções periódicas aumentaram a demanda por serviços”, sublinha.

A sistemática de rotina utilizada na frota inclui itens como abastecimento a cada 24 horas, sendo que os veículos consomem, em média, de 12 a 16 l/h. Já a troca de óleo é feita a cada 45 horas de trabalho, intervalo que, dependendo das condições de uso, pode chegar a 60 horas. Quanto aos caminhões com a nova tecnologia euro V, apesar de ainda representarem uma parcela minoritária nas operações, já permitem conclusões sobre seu desempenho. “A marca obtida até agora é de 10% de economia em combustível”, revela Flávio Coimbra, gerente de vendas de caminhões para aplicações severas da Scania.

Contêiner

Outro recurso recentemente disponibilizado na mina é o Contêiner de Peças Scania, um dos novos serviços que integram as soluções de atendimento remoto da fabricante. A TSL, aliás, é a primeira transportadora brasileira a receber tal recurso genérico de manutenção, que é adaptado à operação e pode atender uma frota de até 40 equipamentos. “Nosso esforço é por fazer o concessionário, que tinha uma visão rodoviária, a ter uma visão mais off-road, atendendo no local de trabalho”, acentua Marcos Cesar Arantes, gerente-executivo de serviços para o segmento off-road da Scania.

Segundo ele, o contêiner pode ser tripulado pela concessionária ou pelo cliente, incluindo kits de reposição de peças (consignadas ou não) que atendem os planos de manutenção, de acordo com a necessidade. Também é equipado com gerador de energia agregado, compressores de ar e outros itens customizáveis. “Trata-se de um segmento muito severo, que depende de treinamento, preparação da pista etc., sendo que um pequeno desvio pode acarretar uma corretiva”, afirma Arantes. “Por isso, só de estarmos próximos já é uma vantagem”, complementa.

Calejado, o diretor Zé Tita concorda totalmente com ele. “Para nós, o que importa muito é a pós-venda, pois, se não for satisfatória, não vai dar certo”, avalia. “Novos, todos os caminhões são bons, mas é o dia a dia que vai falar a verdade.”

Mineração cresce em Sarzedo

Localizada em uma pequena cidade de 26 mil habitantes, a operação da Itaminas possui reservas estimadas em 1,3 bilhão de toneladas de minério de ferro. A mineração é uma das principais atividades da cidade, que na última década viveu um boom econômico por conta da extração mineral. Além de empresas do mercado guzeiro local, a operação da Mina do Carrapato fornece minério de ferro para a Vale, sendo que sua produção chega a 6 milhões de toneladas por ano.

Scania renova linha de off-road

Representando 15% do total de vendas da companhia, em sua nova versão a linha de caminhões fora de estrada da Scania incorporou uma série de aperfeiçoamentos. Para aumentar a adaptação dos veículos à severidade das operações no segmento, o departamento de pesquisa da montadora desenvolveu novas cabines P e G (que ganharam grade frontal em peça única), motores (com torque aprimorado), embreagem (com 3 mm a mais de área de desgaste), suspensão, trem de força, faróis auxiliares e outros itens, além de trazer a terceira geração da caixa automatizada Opticruise e a segunda do sistema hidráulico de freio auxiliar Retarder.

Disponível nas configurações de roda 6x4, 6x6, 8x4 e 10x4, a linha 2012 também chegou ao mercado com novo ângulo de ataque de 25º, resultado da elevação do chassi e do para-choque. Outro reforço é o escudo protetor, localizado logo abaixo do para-choque e construído com chapa reforçada, para proteger o carter e o motor.

A reformulação do portfólio é uma estratégia da Scania para crescer no segmento fora de estrada. “Queremos chegar a 10% de participação na linha de caminhões de apoio em mineração, que até então era praticamente nula”, projeta Victor José Carvalho, gerente executivo de vendas da Scania. “Com essa nova linha, a Scania vai brigar de fato pela liderança deste mercado a partir de 2013”, concorda Silvio Renan de Souza, gerente de vendas de caminhões off-road da montadora no Brasil.

 

 

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