Vivenciando a intermodalidade — Revista M&T
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M&T nº 278Outubro 2023 Matéria 12 de 12
Sumário
  1. EditorialA transformação digital dos canteiros
  2. EscavadeirasAssistência aprimora o desempenho da máquina
  3. Correias TransportadorasSegurança redobrada na operação
  4. Especial InfraestruturaInvestigações para obras complexas
  5. EmpresaCeleiro de alta tecnologia
  6. Gestão De FrotasA disruptura da conectividade
  7. Gestão De FrotasAvanço em direção às preditivas
  8. FabricanteBrasil se torna fornecedor exclusivo para tratores de esteira da CNHi
  9. A Era Das MáquinasA mecanização da pavimentação
  10. ManutençãoAtendimento na frente de operação
  11. Entrevista • Luis Miguel Torres Silva"A ideia é que o cliente faça o gerenciamento digital dos equipamentos”
  12. Coluna Do YoshioVivenciando a intermodalidade
  13. Painel19 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Vivenciando a intermodalidade

A malha ferroviária nipônica conta com alta capilaridade, podendo-se chegar a qualquer lugar de trem, algumas vezes finalizando o ‘last mile’ com ônibus

Exclusivo M&T 6 de outubro de 2023 · Edição 278

Como seria uma viagem de turismo feita totalmente por trem? No Brasil, essa ainda não é uma experiência tão comum como ocorre em outros países, em que constitui a única maneira acessível.

Refiro-me especificamente ao Japão, onde planejei alugar um carro e aventurar-me pela ilha de Hokkaido, mesmo com a direção sendo no lado direito do veículo.

Mas a surpresa veio logo depois, quando uma agência de viagem me informou que, em décadas de atividades, nunca havia tratado de locação de automóveis naquele país.

Logo descobri que o Brasil não faz parte da Convenção de Genebra para o protocolo de direção, mas sim de Viena. Ou seja, embora o Brasil permita a condução para visitantes com carteira do Japão, a recíproca não é verdadeira, pois não podemos dirigir lá.

Assim, a alternativa para conhecer locais remotos fica por conta dos trens. Felizmente, a malha ferroviária nipônica conta com alta capilaridade, podendo-se chegar a qualquer lugar de trem, algumas vezes finalizando o “last mile” (última milha) com ônibus.

Além disso, um passe de trem (“Rail Pass”) resolve a necessidade das compras frequentes de passagens, facilitando muito a viagem, com total flexibilidade.

Sem desviarmos demasiadamente do tema do nosso espaço, é claro que tudo isso representa uma infraestrutura invejável de transporte coletivo, da qual falamos e ouvimos muito, mas que pouco vivenciamos no Brasil.

Claro que sempre há alguns incômodos com respeito às bagagens, mas daí temos outra infraestrutura surpreendente para transporte de carga pessoal.

É possível despachar a bagagem ao próximo hotel para chegar em 48 h no máximo. Leva-se a bagagem de mão necessária para o período de se enviar as malas ao próximo destino.

Apesar da desconfiança inicial, a confiabilidade é tão elevada que a solução se torna parte da viagem. Creio que a principal empresa seja a Yamato (“Gato Preto”), que cobre o país todo. Em todos os hotéis há o serviço de despacho de bagagens.

Nas cidades, os terminais de ônibus estão posicionados ao lado das estações de trem, que é o meio mais prático de chegar aos aeroportos. Em geral, os hotéis também ficam próximos das estações.

Desse modo, a intermodalidade é praticada amplamente – e não apenas para rotas específicas e áreas de maior movimentação.

Os trens podem ter composições longas ou apenas um único vagão de “rail car”, e caminhões e ônibus podem ser grandes ou pequenos, conforme a necessidade.

Não deixa de ser frustrante não poder dirigir por conta própria, mas vivenciar a integração e a intermodalidade é uma experiência interessante para quem viaja.


*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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