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Man Latin America inicia nova fase no Brasil no ano em que completa 35 anos de atividades e duas décadas da fábrica em Resende (RJ); Iveco mostra novidades

Controladora das marcas Volkswagen Caminhões e Ônibus e Man, a Man Latin America inicia uma nova fase no Brasil. No momento em que o setor assiste à pior crise das últimas décadas, a marca alemã – que completa 35 anos de existência – promoveu vários ajustes na fábrica de Resende (RJ), que por sua vez completa duas décadas neste ano.
Inspirada na campanha “Vire a Chave”, a montadora aposta em um novo estado de espírito para manter ativo o plano de investimentos de cerca de 400 milhões de reais até 2017. O montante é parte de um projeto maior deflagrado em 2012, que prevê 1 bilhão de reais no lançamento de novos produtos em nichos inexplorados do mercado, além de dinamizar o parque industrial e aprimorar a assistência no pós-venda. “Desde 2013, decidimos readequar internamente nossa operação para acompanhar a demanda mais baixa. Fizemos a lição de casa e agora chega de enxugar. É hora de olhar para frente e voltar a crescer”, diz Roberto Cortes, presidente e CEO da Man Latin America. “Conseguimos enxugar nossas despesas em 30% e, devagar, começamos a ajustar nossos produtos. Queremos virar a chave para retomar o crescimento.”
O plano “Vire a Chave” tem ainda a missão de levar a companhia de volta ao azul. Desde o ano passado, a operação na América Latina não rende lucros, principalmente em razão da difícil situação no Brasil. Segundo o executivo, os volumes de vendas de caminhões e ônibus retrocederam aos níveis do século passado, sendo que o mercado brasileiro encolheu em 70% em comparação a 2011.
A estimativa é de que setor opere atualmente com uma ociosidade de 80%, cálculo realizado com base na capacidade instalada do parque industrial, que é de 440 mil unidades/ano. “Para piorar as coisas, a defasagem entre os aumentos de custos e os preços praticados dos veículos, no período de 2011 a 2015, supera a marca de 20%, o que vem resultando em grandes prejuízos para a maioria dos fabricantes”, ressalta Cortes.
O fato é que a ambiciosa estratégia da marca no país ainda passa pela tentativa de, nos próximos três anos, dobrar as exportações da produção local, que atualmente giram em torno de 15% a 20%. Segundo Cortes, essa conta inclui a exportação de kits CKD e SKD para a montagem em outras estruturas fabris da companhia, em países como Colômbia e África do Sul. O presidente revela ainda que está em construção uma nova planta na Nigéria, que também será abastecida com componentes brasileiros.
AJUSTES
A iniciativa de adotar uma série de medidas corretivas na produção da fábrica de Resende foi necessária para a sobrevivência do negócio. O executivo diz que, em 2011, a produção de 350 veículos/dia era realizada em três turnos, mas agora foi reduzida para 110 unidades/dia, com apenas um turno de trabalho nos cinco dias da semana.
A empresa também deu férias coletivas e ofereceu incentivos para a redução do quadro de colaboradores, aderindo ainda ao FAT e ao PPE, o que permitiu redução de jornada e salários. “Em função dessas medidas, hoje o excedente de pessoal é zero e a produção da fábrica está ajustada para a nova realidade do mercado”, garante o executivo, que conta com um time de 3,5 mil colaboradores, ante 5,5 mil no período anterior.
A ampla campanha para retomada da confiança teve início primeiro entre os colaboradores, rede de concessionários e importadores. Os frutos desta iniciativa, diz Cortes, devem ser colhidos após o reconhecimento dos clientes. “As primeiras ações já devem ter gerado 1,2 mil unidades incrementais apenas neste ano, além de inúmeras oportunidades para explorar negócios na Nigéria, Angola, México e Argentina”, aposta. A nova fase da companhia também implica na atração de jovens talentos e novos processos industriais. Nessa linha, o executivo nomeou um novo time de executivos nas áreas de desenvolvimento de produto, vendas, marketing e pós-venda, nas áreas de caminhões Volkswagen e Man e de chassis de ônibus Volksbus.
Ainda em 2016, está prevista a entrega da primeira pista de testes de rodagem do Grupo Volkswagen na América Latina, além do primeiro dinamômetro para testes de motores em Resende (RJ) e de um novo Centro de Treinamento para qualificação da rede e de clientes, em São Bernardo do Campo (SP). “O objetivo é dar mais agilidade à empresa para fazer frente aos novos tempos, com foco nas áreas comercial e de produto”, pontua o presidente. “O aumento das exportações e a internacionalização da companhia também serão fortemente estimulados, de olho nos mercados latino-americano e africano.”
Iveco mantém investimentos no Brasil
Desde 2014, a Iveco investiu 650 milhões de reais em sua operação no Brasil, onde mantém uma unidade industrial instalada em Sete Lagoas (MG). Até o final deste ano, parte deste montante será investida na localização de componentes, aprimoramento dos processos industriais e P&D, dentre outros setores estratégicos. “As dificuldades do mercado não foram motivos para colocarmos o pé no freio, de modo que todos os processos de melhoria de portfólio, treinamento e pesquisa foram mantidos”, afirma Marcos Borba, vice-presidente comercial e de marketing para a América Latina da montadora. Para comprovar, neste ano a empresa – que recentemente adotou o slogan “marca carregada de potência” – já apresentou novidades como os primeiros caminhões do programa de veículos especiais. Voltados para segmentos específicos do mercado, os veículos dessa série incluem o modelo Tector 2017, que – segundo a Iveco – detém 29% de participação no segmento de semipesados. “Buscamos incrementar a linha de produtos de caminhões para a construção civil e coleta de resíduos”, explica Ricardo Barion, diretor de marketing da Iveco para a América Latina. Outro novo modelo vocacional é o 170E28, voltado para a coleta de resíduos. Segundo o executivo, o semipesado traz diferenciais como tração 6x2 com eixo Pusher, escape vertical, amortecedor recalibrado, chicote elétrico para cargas adicionais e embreagem reforçada.
Para o segmento de concreto, a empresa aposta no Tector Construção, versão 260E30, com potência de 300 cv (a 2500 rpm), torque de 1050 Nm (1250 a 1900 rpm) e PBT técnico de 26.500 kg. Por atuar em condições severas, dentre outros recursos o modelo apresenta tração 8x4, escapamento vertical, pneus de uso misto, proteção do radiador e da suspensão e reservatório de ar adicional, para pressurização da água da betoneira. “Este veículo é voltado para um dos setores com maior potencial de crescimento do Brasil”, comenta Osmar Hirashiki, diretor comercial da Iveco. “O país precisa de infraestrutura em rodovias, ferrovias e obras em geral. Ou seja, uma hora terá essa reviravolta, é o que esperamos.” (MF)



