Vertigem da montanha-russa — Revista M&T
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M&T nº 222Abril 2018 Matéria 14 de 14
Sumário
  1. EditorialSetor começa a sair da recessão
  2. PlataformasMudança de perfil
  3. ConcretoA caminho da especialização?
  4. FabricanteOtimismo com cautela
  5. Especial Sobratema 30 AnosUma aliada de peso nos canteiros
  6. ImplementosRecurso multifuncional
  7. Intermodal 2018Logística diversificada
  8. EmpresaEm recuperação acelerada
  9. Momento M&T ExpoM&T Expo 2018, o ponto de encontro do setor
  10. A Era Das MáquinasA transmissão de energia por cabos sem fim
  11. ManutençãoEvitando problemas no jogo planetário
  12. EntrevistaSILVIO FURTADO
  13. Compactos & FerramentasControle de resistência
  14. Coluna Do YoshioVertigem da montanha-russa
  15. Painel16 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Vertigem da montanha-russa

Exclusivo M&T 6 de abril de 2018 · Edição 222

De tempos em tempos, administradores, empresários e gestores são testados com mudanças de humores em seus negócios no Brasil. O fato é que, em nosso país, os vales são muito profundos e os picos, muito elevados. Isso faz com que, além da habilidade de lidar com as variações, também seja necessária muita agilidade.

É claro que os negócios, a vida e o universo são cíclicos, alternando fases favoráveis e outras desfavoráveis. Portanto, não deveríamos estranhar tanto estas mudanças. No entanto, as mudanças no Brasil claramente transcendem as variações compreensíveis pela lógica e pela racionalidade.

O leitor já parou para pensar, por exemplo, como é possível um mercado tão tradicional como o de bens de capital cair 30% ou 40% em um único ano? As demandas do mercado são assim tão “loucamente” voláteis? Como isso pode ocorrer se a população é basicamente a mesma, seus hábitos seguem fundamentalmente os mesmos e as necessidades de moradia e trabalho continuam iguais? As nossas necessidades coletivas de infraestrutura, melhoramentos públicos, educação, saúde e tudo o mais continuam as mesmas, senão maiores. Assim como as atividades das empresas e seus negócios.

A crise é real e ninguém deve duvidar que o sofrimento causado às pessoas também seja real. Mas estes picos e vales são resultados de um mercado influenciado por fatores externos. Quando falamos em demanda – a menos que estejamos falando de produtos e serviços fortemente influenciados pela moda, inovação irruptiva ou catástrofe –, a evolução e o declínio costumam ser mais suaves e previsíveis.

Se refletirmos um pouco mais, perceberemos que o casuísmo dos incentivos econômicos, dos créditos e financiamentos exagerados, das medidas governamentais e de outras manobras são causas de melhoras fortuitas e repentinas. Do mesmo modo, é de se esperar que a retirada desses incentivos deprima rapidamente a demanda, deixando descobertos os investimentos realizados. É claro que, seja como for, a primeira reação é o reestabelecimento das medidas em nome do emprego, da manutenção dos interesses dos investidores etc.

Um bom exemplo são os cursos superiores, que cresceram rapidamente com o Fies (Programa de Financiamento Estudantil) e estimularam investimentos e consolidações. Hoje, este mercado já descobriu que o índice de inadimplência é muito elevado, talvez acima dos 60%. Aliás, tal qual ocorreu com a crise do “subprime” em 2008...

Em geral, demandas de produtos e serviços tradicionais não sofrem picos e vales tão acentuados, a menos que exista interferência no mecanismo de mercado. Isso nos leva a concluir que, em sua essência, alguns picos e vales realmente são “fabricados”.

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