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M&T nº 126Julho 2009 Matéria 6 de 13
Sumário
  1. EditorialPreocupações ambientais avançam no setor
  2. BritagemAutomação reduz custos com revestimento
  3. BritagemTecnologias para uma operação sustentável
  4. Carretas De PerfuraçãoPneumáticas ainda dominam o mercado
  5. MineraçãoO pior já passou
  6. Duplicação Da MarginalUma obra no coração de São Paulo
  7. Motores A DieselO impacto do B4 na frota brasileira
  8. ManutençãoQuando trocar o revestimento do britador
  9. PerfilEugênio Pavicic - O Desafio das operações tapa-buraco
  10. Espaço AbertoPequenos, mas resistentes
  11. Espaço AbertoSimplicidade e robustez na operação
  12. Espaço AbertoAutobomba para alta pressão
  13. ArtigoBritagem móvel flexibiliza obra rodoviária
  14. Painel6 notas e colunas
Duplicação Da Marginal

Uma obra no coração de São Paulo

Em meio ao conturbado trânsito da Marginal do Tietê, equipamentos pesados e caminhões basculantes trabalham na principal obra viária em execução na capital paulista

Exclusivo M&T 29 de abril de 2010 · Edição 126
Uma obra no coração de São Paulo

Projetada para eliminar os congestionamentos no principal corredor viário de São Paulo, a duplicação da
Marginal do Tiete ainda se encontra em fase inicial de execução, mas já enfrenta os desafios típicos de uma obra desse porte. Ao longo do canteiro existente entre as pistas central e lateral da via, onde se estabelecera o leito da nova pista, equipamentos pesados e caminhões operam em ritmo frenético, em meio ao conturbado transito da região. “Estamos trabalhando 24 horas por dia”, diz Paulo Sergio Rodrigues, diretor técnico da Rogui Engenharia, contratada para os serviços de terraplenagem pelo consorcio EIT/Egesa, que responde por um dos lotes da obra.

O projeto consiste na implantação de 23 km de pistas em cada lado da marginal, dotadas de três faixas de rolamento, juntamente com o reforço e retificação das pontes existentes, para a remoção dos pilares que obstruem a passagem por esse eixo. Uma delas, a Ponte das Bandeiras, será reconstruída. Orçada em R$ 1,3 bilhão, a obra e compartilhada entre o governo do estado de São Paulo, por meio da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), e as concessionárias que administram as rodovias Anhanguera/Bandeirantes e Ayrton Senna/Carvalho Pinto.

Frota mobilizada

Para concluir a obra ate o próximo ano, as construtoras contratadas mobilizam os recursos necessários ao cumprimento de um cronograma tão apertado. Ao todo, elas operam com cerca de 30 equipamentos pesados, entre escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, tratores de esteira, pás carregadeiras, retroescavadeiras e rolos compactadores, alem de 150 caminhões com caçamba basculante, para o transporte de materiais. Tais recursos correspondem apenas à frota mobilizada pelos consórcios EIT/Egesa e Delta/Sobrenco, cada um deles responsável pela construção de 18 km de pista em cada lado da marginal. Outra construtora responde pela obra das pontes.

“No pico das obras, o parque de equipamentos devera aumentar muito”, prevê Rodrigues. Como exemplo, ele diz que a frota de escavadeiras mobilizadas para o serviço conta atualmente com 20 unidades, as quais deverão se incorporar mais 14 nos próximos meses. As maquinas usadas pela Rogui são predominantemente da faixa de 20 t de peso e da marca Case Construction, mas a empresa também utiliza alguns modelos da Caterpillar, Hyundai e Doosan. Elas trabalham na remoção de solos, para a execução da base e sub-base de nova pista.

Segundo o engenheiro, os cortes são realizados em profundidades entre 1,2 m e 3 m, mas a terraplenagem não constitui o principal desafio dessa obra. “O solo da região e muito bom, mas convivemos com um problema crônico nesse projeto, que e a existência de grande quantidade de interferências ao longo do canteiro, como redes de telecomunicações, energia e gás.” Devido à conhecida imprecisão nos cadastros de redes enterradas em São Paulo, as construtoras precisam planejar os avanços com muito cuidado, por meio de escavação seletiva em uma faixa de terreno muito estreita, deparando-se ate mesmo com áreas não liberadas para os serviços de terraplenagem.

Impacto do trânsito

As restrições também podem ser relacionadas a questões ambientais, pois as construtoras estão vetadas a realizar a derrubada de qualquer arvore no canteiro. A remoção de interferências desse tipo fica por conta dos órgãos competentes do estado. Além disso, a implantação da nova pista prevê que as arvores existentes nas áreas laterais do canteiro sejam preservadas, para a formação de um canteiro verde.

Isso exige muita precisão nas escavações. Nos pontos em que a obra transcorre em faixa mais estreita, a separação entre a nova pista e a existente será por meio de barreiras rígidas de concreto.

Nos casos de interferências, outro desafio se impõe as construtoras, já que eventuais paralisações implicam o deslocamento da maquina para a continuidade do serviço em outro ponto do canteiro. “Devido ao trafego intenso da região, todos os deslocamentos de equipamentos pesados devem ser feitos apenas por meio de carreta, durante o horário noturno, em operações coordenadas pela Companhia de Engenharia de Trafego (CET).” Os problemas logísticos, alias, são constantes numa obra cujo maior desafio, na avaliação de Rodrigues, consiste justamente em conseguir entrar e sair do canteiro.

Para se ter uma ideia, enquanto um caminhão consome cerca de seis minutos entre as operações de carga e deslocamento ate a saída do canteiro, o tempo de espera para que ele consiga acessar a Marginal do Tiete pode chegar a 10 minutos, sem contar o tempo necessário para a viagem de ida e volta ao bota-fora. “Numa obra de terraplenagem, uma escavadeira consegue carregar ate 260 caminhões em um dia de trabalho e, nesse projeto, a média tem variado entre 12 e 26, pois os veículos ficam parados nos congestionamentos da marginal.” A solução para o problema e dimensionar a frota já contemplando essa variável, mobilizando uma quantidade de caminhões acima do usual em projetos desse tipo.

Cuidados com a manutenção

Como os equipamentos operam em tempo integral, Rodrigues ressalta os esforços da Rogui na área de manutenção para a máxima disponibilidade da frota. Por esse motivo, a empresa disponibiliza no local uma estrutura composta por três mecânicos, comboios de lubrificação e estoque de pecas de maior giro, como mangueiras, filtros e outros itens.

“Atuamos basicamente nas ações preventivas, como as trocas de óleo nos prazos recomendados pelos fabricantes, pois operamos com maquinas novas e que proporcionam alta disponibilidade.”

Para atender os prazos estabelecidos no cronograma, as preventivas são programadas para os horários de troca de turno, de forma a se evitar impactos negativos na produtividade. Apesar de não ter registrado a necessidade de uma ação corretiva, o engenheiro diz que a empresa dispõe de estrutura para as intervenções, incluindo a manutenção de material rodante e outros conjuntos dos equipamentos. Alem disso, como a obra se localiza no coração de São Paulo, problemas com motor, transmissão e hidráulica podem ser solucionados rapidamente diante da quantidade de prestadores de serviços disponíveis no local.

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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