Um quinquagenário inovador — Revista M&T
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Tecnologia e inovação para
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M&T nº 148Julho 2011 Matéria 32 de 32
Sumário
  1. EditorialM&T Peças e Serviços, um evento desenhado para o Brasil de hoje
  2. Mercado De EquipamentosMercado em expansão atrai players mundiais
  3. LocaçãoCrescendo em ritmo acelerado
  4. Mercado De PeçasO aftermarket faz a diferença
  5. M&T Peças E ServiçosUm evento nunca antes visto no mundo
  6. M&T Peças E ServiçosRental, tecnologia e peças são foco da Caterpillar no evento
  7. M&T Peças E ServiçosMetso foca em soluções para aumentar o ciclo de vida das máquinas
  8. M&T Peças E ServiçosMichelin demonstra recauchutagem de pneus radiais ao vivo
  9. M&T Peças E ServiçosO pneu radial na ótica da Michelin
  10. M&T Peças E ServiçosTractorgyn destaca benefícios do Moto-Roller
  11. M&T Peças E ServiçosCiber traz novidades na área de serviços
  12. M&T Peças E ServiçosManitowoc se prepara para fabricar Guindastes no Brasil
  13. M&T Peças E ServiçosSany quer mostrar que está cada vez mais brasileira
  14. M&T Peças E ServiçosPós-venda e novos produtos são o destaque da Brasif
  15. M&T Peças E ServiçosCopex exibe Autoconcreteira Fiori
  16. M&T Peças E ServiçosBMC aposta no monitoramento de frotas
  17. M&T Peças E ServiçosXCMG foca no lançamento da escavadeira XE370
  18. M&T Peças E ServiçosBridgestone apresenta pneus da categoria fora de estrada
  19. M&T Peças E ServiçosSchwing Stetter traz modernização de bombas e eletrônica embarcada
  20. M&T Peças E ServiçosPirelli mostra novidades para veículos pesados
  21. M&T Peças E ServiçosRomanelli lança minicarregadeiras e comboios
  22. M&T Peças E ServiçosGrumont apresenta soluções de gruas
  23. SoldagemSoldagem exige gerenciamento de variáveis
  24. BritagemBritagem sustentável exige tecnologia
  25. EmpresaHaulotte reforça presença no Brasil
  26. EmpresaHyundai inicia instalação de fábrica no Brasil
  27. PneusPneu fora de estrada testado em campo
  28. Centrais De ConcretoRCO e Elba produzirão centrais de concreto no Brasil
  29. Cilindros HidráulicosRKM amplia mercado no brasil
  30. LançamentoTecnologia brasileira com peças importadas
  31. ManutençãoCuidados prolongam a vida útil das caçambas
  32. PerfilUm quinquagenário inovador
  33. Painel10 notas e colunas
Perfil

Um quinquagenário inovador

Exclusivo M&T 5 de agosto de 2011 · Edição 148
Um quinquagenário inovador

Os quadros de arte naïf na parede do living revelam uma personalidade inquieta e sem medo de inovações. Não é por acaso que Carlindo Macedo possui três formações acadêmicas distintas. Não foi a graduação na Escola Superior de Propaganda, ou o bacharelado em Administração de Empresas pela PUC e nem mesmo o curso de Direito, concluído na Faculdade de Direito do Sul de Minas, que seduziu profissionalmente nosso entrevistado. O setor de equipamentos para construção, no qual ele completa cinqüenta anos de atuação, é quem determinou sua vida profissional. Com perfil empreendedor, Carlindo foi o idealizar do leilão online de equipamentos, uma modalidade que existe há pouco mais de 10 anos, e já evangelizou o mercado. O projeto nasceu de uma demanda da Construções e Comércio Camargo Corrêa, onde ele foi executivo até 2000, ano no qual criou a Metramaq. Acompanhe a entrevista.

M&T – A sua experiência no setor de equipamentos certamente influenciou a criação da Metramaq e a entrada no mercado de leilão...

Carlindo Macedo – Sim. Comecei a minha carreira no setor em 1961, ou seja, há exatos 50 anos. Trabalhei em uma empresa chamada Thela Comercial que, na época, era distribuidora da Tournapull, uma marca de equipamentos fabricados pela norteamericana Le Tourneau Westinghouse. Nós éramos os grandes concorrentes da Caterpillar nos anos 1960. Mas a Cat organizou um megaprojeto de suporte de peças e serviços e tornou-se a líder disparada do mercado. Então saí da Thela e fui para a Lion, que era o dealer da Caterpillar em São Paulo e Mato Grosso . Entrei como vendedor em 1963 e saí como gerente-geral em 1985, liderando uma equipe de 900 funcionários espalhados por 18 filiais.  Da Lion fui para a Camargo Correa, onde permaneci até o ano 2000, quando fui convidado pela própria construtora a criar um modelo diferente de venda dos equipamentos considerados inutilizados em todo Grupo no Brasil e no exterior. Acredito que a Metramaq foi a primeira empresa criada exclusivamente para a venda de equipamentos de construção pesada pela internet. Toda essa jornada me proporcionou um networking amplo no setor e hoje conduzo uma pequena equipe na Metramaq. Trabalho de 10 a 12 horas todos os dias com muito prazer.

M&T – A Camargo Corrêa continua utilizando essa ferramenta?

Carlindo Macedo – Sim, desde aquela época. Hoje estamos no leilão online de número 114 da Camargo Correa. Mas a carteira de clientes foi ampliada nesses 11 anos, incluindo empresas com grande frota de máquinas como a Serveng–Civilsan e a Holcim, que atendemos atualmente, além de grandes empresas como a Votorantim Metais, Galvão Engenharia e diversas outras com quem trabalhamos no passado.

M&T – O que atrai essas empresas para o leilão online?

Carlindo Macedo – Entendo que o leilão online facilita, principalmente, a venda dos equipamentos mais antigos, pois eles perdem muito valor de revenda quando as empresas realizam trade-in (entrega do equipamento usado como parte do pagamento de um novo). Por outro lado, para pequenas construtoras ou locadoras, essas máquinas são de grande valia, principalmente as comercializadas por construtoras que realizam um processo de manutenção excelente, reconhecido pelo mercado. Por isso, vendemos facilmente as máquinas da Camargo com 20 anos de uso e por valores que jamais seriam alcançados se a venda fosse realizada de outra forma.

M&T – Mas há algum tipo de seleção das máquinas que a Metramaq comercializa?

Carlindo Macedo – Quem faz a seleção é o mercado, que estipula qual máquina vale mais ou menos. Mas o que mais dificulta as nossas vendas é o preço inicial. Como em todo leilão ou venda virtual, ele tem que ser convidativo. Com isso, as empresas compradoras vão dando os seus lances e, às vezes, perdem o tato, de modo que a máquina que foi anunciada com preço baixíssimo é vendida por montante muito acima do mercado. É como se fosse um jogo. Não sei se é a sensação de disputa que leva a isso, mas sei que é um sintoma freqüente.

M&T – E a compra é feita no escuro, sem que os compradores conheçam a máquina?

Carlindo Macedo – A maioria não. Nós, inclusive, aconselhamos os clientes a examinarem a máquina antes de dar o lance final. E fazemos essa recomendação simplesmente porque não aceitamos devolução. Não pode haver arrependimento. Entrou no leilão e deu o lance já se configura a aceitação. E há respaldo judicial para isso. Mesmo assim, a Metramaq deixa a máquina a ser vendida por duas ou três semanas no ar e os lances podem ser cobertos a qualquer momento desde que não ultrapassem o prazo limite.

M&T – Qual é o volume de negócios que a empresa movimenta?

Carlindo Macedo – A média é de R$ 5 milhões por mês. Todas as vendas realizadas são pagas diretamente ao proprietário e a Metramaq recebe a comissão de 5% do comprador. Essa estratégia de receber só de quem compra a máquina é atrativa para os vendedores. Legalmente poderíamos cobrar 5% de quem vende e 5% de quem compra, mas entendemos que o nosso principal parceiro é o vendedor, a quem devemos cativar.

M&T – O volume sempre foi dessa ordem?

Carlindo Macedo – Não, cresceu bastante. No ano passado movimentávamos menos da metade do total. Avalio que a demanda cresceu devido ao volume de obras no País e às perspectivas que existem. Outro impulsionador é a renovação da frota das grandes empreiteiras, algo que é incrementado fortemente pelas concessionárias de rodovias que cada vez mais passam a exigir máquinas novas operando em seus serviços. Isso, conseqüentemente, aumenta o mercado para as usadas.

M&T – Quais modelos de equipamentos são mais vendidos pelo leilão online?

Carlindo Macedo – Guindastes. Os que chegam são vendidos. Mas não há muitas unidades disponíveis. Para esses equipamentos, nem mesmo os chineses abalam o mercado de usados, pois mesmo eles colocando o preço das maquinas novas lá embaixo, as usadas ainda são muito mais baratas. Os rolos compactadores, sejam de cilindro ou de pneu, também têm sido muito procurados. Acho que isso é reflexo das obras de prefeituras que estão acontecendo neste ano, inclusive com o viés das eleições municipais. Já os que menos têm vendido são os tratores de esteira e os motoscrapers. Esses últimos entraram em desuso, pois estão sendo substituídos, na maioria dos processos, por escavadeiras em operações casadas com caminhão.

M&T – O mercado de locação tem boa representatividade nos negócios realizados pela Metramaq?

Carlindo Macedo – Sim. Não temos uma estatística a respeito, mas meu feeling aponta que cerca de 30% das máquinas que comercializamos são para locadores, principalmente os pequenos. Para esse usuário, o equipamento usado é um bom negócio, pois se consegue locá-lo mesmo tendo investido um valor menor na aquisição. Se a tendência das empreiteiras for a de se concentrar mais no seu core business, comprando cada vez menos equipamentos, os locadores tendem a crescer também no comércio de máquinas usadas. Outra tendência que acompanha a locação é o estoque consignado de peças. Isso representa uma economia enorme para as construtoras, que reduzem o custo de estoque de peças obsoletas.

M&T – A Metramaq também faz leilão de peças para suprir essa lacuna no mercado?

Carlindo Macedo – Tentamos fazer com um cliente, mas não tivemos sucesso. O complicador de comercializar a peça por leilão online é o local onde ela será instalada depois. Lembrando que grande parte dos compradores são empresas de menor porte, que não têm sistemática de manutenção muito avançada e nem um bom controle de estoque cruzado com o catálogo do equipamento, o que torna difícil a instalação da peça comprada no lugar e da maneira correta.

M&T – Equipamentos “menos populares”, como plataformas aéreas de trabalho, também são comercializados por leilão online?

Carlindo Macedo – Esse tipo de máquina ainda não tem quórum. Como as normalizações da NR 18 ainda são novas, imagino que levará um tempo que as vendas de máquinas usadas desse tipo deslanchem. Somente no futuro teremos um mercado de compra e vendas de usados. É um caso diferente dos equipamentos de britagem. Apesar de ter pouca oferta no mercado, todos os que colocamos em venda on-line são vendidos rapidamente e a bons preços.

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