Um palco de superações — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 172Setembro 2013 Matéria 2 de 23
Sumário
  1. Sobratema 25 AnosA união de tecnologia, networking e informação
  2. Sobratema 25 AnosUm palco de superações
  3. Sobratema 25 Anos25 anos de um mundo em transformação
  4. Sobratema 25 AnosDestaque na agenda mundial da construção
  5. Sobratema 25 AnosFoco contínuo na informação
  6. Sobratema 25 AnosProdutividade e segurança nos canteiros
  7. Sobratema 25 AnosDiretorias regionais reforçam representatividade
  8. SustentabilidadeTecnologias reduzem impacto ambiental
  9. GuindastesSetor de energia traz otimismo a fabricantes
  10. GuindastesFabricantes chineses consolidam presença no Brasil
  11. GuindastesA guerra dos guindastes
  12. Sistemas De VentilaçãoVentos favoráveis para túneis e minas
  13. Sistemas De VentilaçãoTipos de tubulação variam conforme o projeto
  14. RentalEm busca da unificação do setor
  15. Equipamentos EspeciaisGigantes longe da aposentadoria
  16. Transporte RodoviárioAmarração de cargas requer formalização
  17. Obras De ArteJofege adota balanço sucessivo em ponte de Barueri
  18. Momento ConstructionTecnologia nos canteiros
  19. A Era Das MáquinasR. G. LeTourneau A revolução técnica nas grandes obras
  20. ManutençãoAtenção redobrada com rompedores hidráulicos
  21. Entrevista"A unidade de propósitos nos mantém relevantes"
  22. Suplemento Especial - Compactos & FerramentasRemate preciso para pisos de alta resistência
  23. Coluna Do YoshioTensão e insegurança nas estradas brasileiras
  24. Painel20 notas e colunas
Sobratema 25 Anos

Um palco de superações

Conheça o difícil contexto em que a Sobratema nasceu e se desenvolveu em seus primórdios, um dos períodos mais turbulentos da história nacional recente

Exclusivo M&T 18 de setembro de 2013 · Edição 172

A história da Sobratema (e do próprio mercado da infraestrutura e mineração) começou a ser traçada muito antes de sua fundação. Para entender o desenrolar desse setor no Brasil, é preciso resgatar o período que levou ao golpe militar de 1964, quando a economia encontrava-se fragilizada e os índices inflacionários atingiam números assustadores.

Em 1961, por exemplo, a inflação era de 33% e, dois anos mais tarde, já chegava aos 78%. Na época, o presidente da República, João Goulart, afirmava que seria necessária uma reforma de base, principalmente com medidas restritivas “antitruste” para conter o avanço das multinacionais sobre a economia brasileira e, de quebra, favorecer o capital privado nacional. Esse discurso resultou na nacionalização das refinarias privadas de petróleo e, anos depois, no fechamento do mercado, com o consequente sucateamento do parque de equipamentos nas construtoras.

MILAGRE

Após o golpe militar, o país abriria as fronteiras e financiaria a entrada de investimentos internacionais. Assim, chegaram ao país grandes grupos econômicos, incluindo construtoras e fabricantes de equipamentos com plantas nacionais. Nesse período, iniciaram-se projetos de infraestrutura de grande porte para incentivar a chegada das indústrias, principalmente na infraestrutura, logística e geração de energia. A área agrícola, por sua vez, também recebeu incentivos, principalmente produtos de exportação. Amordaçado politicamente, o país vivia um “Milagre Econômico”.

Em 1974, com o quadro agravado pela crise do petróleo, a dívida externa – que o país contraíra para realizar os financiamentos – já chegava à casa dos US$ 20 bilhões. Oito anos depois, esse valor já era de US$ 70 bilhões. Como medida protecionista, as fronteiras comerciais novamente se fecharam por meio de altas tarifas de importação e restrições não-tarifárias. Ao mesmo tempo, o país parou de investir no controle dos gastos públicos. Tal combinação mostrou-se explosiva. A indústria estava sucateada pelos grandes monopólios e o êxodo rural gerou altos índices de desemprego, com falta de moradias nas cidades. Entre 1983 e 1985, a inflação alcançaria o pico de 239%.

PACOTES

Mesmo com os ajustes econômicos emergenciais, a inflação continuava crescendo. Para contê-la, o Estado pôs em prática um choque institucionalista: o Plano Cruzado. O projeto foi o primeiro de estabilização econômica e extinguiu o Cruzeiro, moeda vigente na época. Apesar do sucesso da deflação nos primeiros dois meses, o plano foi um retumbante fracasso. Ele promoveu uma reforma monetária, desindexou a economia e congelou a taxa de câmbio, que se apoiou em taxas livres e altíssimas de juros. Para piorar, o plano criou o empréstimo compulsório para o Fundo Nacional do Desenvolvimento (FND), cobrado sobre forma de imposto e com a devolução em cotas. Ou seja: transformou os consumidores em investidores forçados de títulos públicos.

Com o retorno da hiperinflação e do reajuste de preços para compensar o período de congelamento, a economia entrou novamente em recessão, passando de um crescimento de 7,49% do PIB em 1986 para 3,53% no ano seguinte.

Por conta dos resultados críticos (que culminaram com a queda do superávit comercial), em junho de 1987 entrou em cena o Plano Bresser. A segunda tentativa de estabilizar a economia congelou os preços e salários por 90 dias, além de promover a desvalorização do Cruzado. Também foram extintos 40 mil cargos na administração pública e muitas obras de grande porte suspensas. Porém, por conta da má gestão pública do congelamento, bem como do rompimento da moratória com pagamento dos juros, a inflação voltou e alcançou 366% em dezembro, poucos meses após a implantação do plano.

Em 1988, a nova constituição democrática foi recebida como uma conquista para o país. No entanto, a crise econômica só piorava e a indústria nacional afundava com a falta de investimentos, algo agravado ainda mais pelo longo período de barreiras comerciais adotadas para tentar conter a crise.

Como saída, Bresser saiu em defesa da abertura de mercado, como mostra reportagem da Gazeta Mercantil de 12 de agosto de 1988: “Sem inviabilizar o capital multinacional no Brasil, os constituintes aprovaram uma série de dispositivos – definição de empresa nacional, preferência para as empresas nacionais nas compras do governo, exclusão das empresas multinacionais das novas explorações minerais e proibição de contratos de risco na indústria do petróleo. Elas só contribuirão para afastar ainda mais os investimentos externos no Brasil, quando a economia brasileira, estagnada, mais necessita deles.”

ABERTURA

Os primeiros sinais de uma abertura econômica foram sentidos com regras estáveis e não discriminatórias, na tentativa de se criar um ambiente competitivo. As restrições anteriores haviam gerado uma estrutura oligopolizada, que dificultava a implantação de novos competidores. Em apenas um ano, a redundância tarifária média passou de 41% para 18% e o governo passou a incentivar a importação de novas tecnologias.

Com a reabertura comercial, foi adotado em 1989 um novo plano para tentar conter a escalada inflacionária. As medidas se repetiram e houve congelamentos dos preços e salários, bem como renegociação da dívida externa e modificação no índice de rendimento das cadernetas de poupança, trazendo perdas de até 20% aos investidores. O “Plano Verão”, como ficou conhecido, pretendia conter a inflação e encerrar de vez a crise no país. No mesmo ano, surge uma nova moeda, com a equivalência de mil Cruzados para cada Cruzado Novo. Mas a medida não foi suficiente para estabilizar a economia e a inflação alcançou um índice acumulado no ano de quase 5.000%.

Com a crise persistente, as barreiras comerciais foram quase totalmente erradicadas. Em 1990, no início do governo Collor, instalou-se a nova Política Industrial e de Comércio Exterior, que entrou em vigor no ano seguinte. A medida definiu um cronograma de reduções graduais das tarifas de importação até 1994. O resultado foi visível e possibilitou o ingresso de novas indústrias e tecnologias, principalmente sem similar nacional. Entre 1989 e 1994, as tarifas de importação passaram de 45% para 14,2%, taxa que ainda é praticada para várias classes de equipamentos.

 

 

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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