Tigre com vocação global — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 160Agosto 2012 Matéria 9 de 17
Sumário
  1. EditorialOfertas para um mercado em expansão
  2. Obras SubterraneasEquipamentos que fazem o túnel aparecer
  3. EnergiaAvançam as obras do Linhão do Madeira
  4. LocaçãoProblemas como a chuva tornam a locação atípica na "Terra do Sol"
  5. Controle De EmissõesA vez das máquinas de construção
  6. Minibetoneiras AutopropelidasA máquina que entra onde as outras param
  7. Equipamento Off-ShoreLocar investe em balsa para lançamento de dutos
  8. EmpresaUma meta para poucos
  9. EmpresaTigre com vocação global
  10. Momento ConstructionConstruction Expo chega para unir toda a cadeia da construção
  11. RemanufaturaComponentes remanufaturados com garantia de fábrica
  12. OficinaComo dimensionar a instalação no canteiro
  13. ManutençãoComprovando a necessidade de cuidar do material rodante
  14. Espaço AbertoCarregadeira para aplicações subterrâneas oferece maior eficiência energética
  15. Espaço AbertoNova linha de caixas de mancal tem consumo de graxa reduzido
  16. Espaço AbertoRotor para bombas submersíveis tem novo conceito hidráulico
  17. Espaço AbertoSemirreboque oferece maior produtividade
  18. Painel6 notas e colunas
Empresa

Tigre com vocação global

Privilegiando mercados emergentes ao redor do mundo, ST Kinetics desembarca na América Latina com a marca TRXBuild e foco total no atendimento

Exclusivo M&T 30 de agosto de 2012 · Edição 160

Mais nova marca asiática de equipamentos a desembarcar na América Latina, a TRXBuild tem como principal meta crescer nos mercados emergentes. Com dez anos de existência, a marca pertence à fabricante de máquinas para construção e mineração Singapore Technologies Kinetics (ST Kinetics), que por sua vez integra a ST Engineering, um dos maiores conglomerados de engenharia da Ásia com presença em 23 países.

Após adquirir três fábricas na China e duas na Índia, além de uma nos Estados Unidos onde inclusive comprou a Leeboy, empresa tradicional que produz pavimentadoras de asfalto autopropelidas desde 1964, a ST Kinetics analisou minuciosamente o ritmo de crescimento da demanda por máquinas ao redor do mundo até decidir instalar uma operação comercial no mercado sul-americano, privilegiando macrorregiões para obter escala e rentabilidade.

Com bem-sucedidas experiências na África e na Ásia, a empresa sediada na Península Malaia instalou três grandes centros de distribuição (CDs) na América Latina, estabeleceu dealers no México e iniciou negociações em países como Colômbia, Peru, Equador e Bolívia. Em um prazo de dois anos, só no México já comercializou 52 máquinas, principalmente caminhões fora de estrada para o setor de mineração (32 unidades), escavadeiras e motoniveladoras.

Com isso, o foco passa agora a ser a prospecção e montagem de uma rede de distribuidores no Brasil, onde pretende estruturar em breve mais dois CDs de peças de reposição. “Está claro para todos os fabricantes que 70% do mercado mundial de máquinas ficarão entre China, Índia e Brasil e, portanto, só faltava o mercado brasileiro”, diz Paulo Oliveira, gerente executivo da ST Kinetics para a América Latina. “No país, já temos fechada a região Sudeste e estamos preparando um plano de divulgação. Na Região Sul, a estruturação está bem encaminhada e agora buscamos distribuidores nas demais regiões.”

Estratégia

Respaldada pela vocação e pelo faro multissetorial de sua controladora – que integra mais de 100 empresas e provê soluções e serviços para o setor aeroespacial, eletrônico, de veículos especiais, marítimo e de defesa –, a empresa pretende disputar o mercado nacional em diversas frentes, oferecendo de imediato seu portfólio mundial que inclui máquinas importadas como escavadeiras de esteira (3,5 ton a 75 ton) e de pneu (de 3 ton a 30 ton), motoniveladoras (de 12 ton a 15 ton), caminhões articulados (de 30 ton), caminhões rígidos (de 20 ton a 45 ton), pavimentadoras de asfalto (de 3 a 9 m) e concreto (de 8 m), fresadoras (de 1,30 m) e usinas de asfalto (de 30 a 240 t/h) e concreto (de 46 a 150 m3/h). Nos próximos anos, a empresa pretende lançar dois novos modelos de retroescavadeiras e outros dois de pás carregadeiras.

O gerente antecipa que a empresa montará uma estrutura reduzida no Brasil, pois a operação será conduzida principalmente por distribuidores, a quem a companhia dará apoio com financiamento internacional direto. Segundo ele, a ST Kinetics anunciará em breve a parceria com uma grande empresa do setor, cujo nome ainda não revela por questões estratégicas. “Temos alguns ajustes para realizar e não queremos causar um burburinho negativo no mercado”, diz ele. “Mas, será uma grande surpresa para o mercado brasileiro.”

Pensando grande e ciente das dificuldades que o mercado brasileiro oferece aos players ingressantes, a ST volta suas forças para o atendimento, setor que reconhecidamente ainda é o “Calcanhar de Aquiles” de muitos fabricantes asiáticos. “Tivemos muitas propostas de distribuição e descartamos várias, pois nosso foco é montar uma estrutura de atendimento de primeiro mundo, para concorrer com as grandes marcas”, projeta Oliveira.

Para garantir a competitividade e ganhar terreno, os equipamentos da marca TRXBuild utilizam componentes japoneses, europeus e norte-americanos consagrados, o que evidentemente facilitará o atendimento pós-venda de seus produtos. Na América Latina, diz Oliveira, uma das principais apostas da marca é a escavadeira hidráulica JY623 LC, na categoria de 23 a 25 ton. A máquina, que é equipada com motor Cummins B5.9C com 178 hp (133 kW) e sistema hidráulico Kawasaki, possui pressão de contato no solo de 45-47 kPa, braço com 3.000 mm e lança com 5.710 mm.

A altura máxima de corte é de 9.520 mm e a de carregamento, de 6.800 mm. Sua profundidade de escavação chega a 6.830 mm, enquanto a força de escavação do braço é de 100 kN. A caçamba padrão tem 1 m3, com força de escavação de 130 Kn. “Em termos estruturais, é um equipamento robusto e de maior porte, embora vá competir com máquinas de 20 t em termos de posicionamento de peso”, afirma Oliveira. “Como no Brasil há essa questão de dimensionamento de equipamento, trouxemos este modelo que se adapta a isso sem causar prejuízo ao que o mercado precisa.”

Mercado

Para atingir seus objetivos de crescimento nos mercados emergentes, a exemplo de tantas outras empresas uma possibilidade real para a ST Kinetics é a instalação de uma fábrica no país. Mas, nesse sentido, a empresa demonstra extrema cautela.

“Há total possibilidade, mas o que será avaliado com muito cuidado é a questão do ‘Custo Brasil’”, frisa o gerente. “Para exportar retros no Brasil, por exemplo, o FOB (free on board, taxa que é usada para levar uma mercadoria até o porto de desembarque, com o frete já incluso), segundo dados do próprio governo, está na faixa de US$ 64 mil. Enquanto é possível comprar um equipamento similar da Índia a US$ 53 mil.”

Para mudar este cenário, diz o executivo, é preciso criar condições para que o país volte a ser superavitário e exportador. “Temos a maior reserva de minérios do mundo, mas em questão de siderurgia estamos perdendo, pois eles conseguem fabricar um aço mais barato e da mesma qualidade que o nosso”, pontua. “Por isso, o que tem de ser incentivado é a indústria de base, para que possamos concorrer lá fora. O mercado de escavadeiras na China representa algo em torno de 150 mil unidades e aqui são produzidas apenas quatro mil. Como é que você quer concorrer? A escala é extremamente importante.”

Apesar da prudência em relação à política industrial brasileira, a ST Kinects não muda seus planos para o país e – como um tigre silencioso à espreita – sabe exatamente aonde quer chegar. “Nosso foco no Brasil é montar uma estrutura bem organizada em termos de suporte ao cliente, pois não queremos dar ‘voo de galinha’, aproveitando esse boom do mercado para lançar máquinas e depois ver no que dá”, diz Oliveira. “Como todas as empresas, a ST quer crescer, mas quer fazer isso a passos muito bem-estruturados.”

 

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