Tensão e insegurança nas estradas brasileiras — Revista M&T
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M&T nº 172Setembro 2013 Matéria 23 de 23
Sumário
  1. Sobratema 25 AnosA união de tecnologia, networking e informação
  2. Sobratema 25 AnosUm palco de superações
  3. Sobratema 25 Anos25 anos de um mundo em transformação
  4. Sobratema 25 AnosDestaque na agenda mundial da construção
  5. Sobratema 25 AnosFoco contínuo na informação
  6. Sobratema 25 AnosProdutividade e segurança nos canteiros
  7. Sobratema 25 AnosDiretorias regionais reforçam representatividade
  8. SustentabilidadeTecnologias reduzem impacto ambiental
  9. GuindastesSetor de energia traz otimismo a fabricantes
  10. GuindastesFabricantes chineses consolidam presença no Brasil
  11. GuindastesA guerra dos guindastes
  12. Sistemas De VentilaçãoVentos favoráveis para túneis e minas
  13. Sistemas De VentilaçãoTipos de tubulação variam conforme o projeto
  14. RentalEm busca da unificação do setor
  15. Equipamentos EspeciaisGigantes longe da aposentadoria
  16. Transporte RodoviárioAmarração de cargas requer formalização
  17. Obras De ArteJofege adota balanço sucessivo em ponte de Barueri
  18. Momento ConstructionTecnologia nos canteiros
  19. A Era Das MáquinasR. G. LeTourneau A revolução técnica nas grandes obras
  20. ManutençãoAtenção redobrada com rompedores hidráulicos
  21. Entrevista"A unidade de propósitos nos mantém relevantes"
  22. Suplemento Especial - Compactos & FerramentasRemate preciso para pisos de alta resistência
  23. Coluna Do YoshioTensão e insegurança nas estradas brasileiras
  24. Painel20 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Tensão e insegurança nas estradas brasileiras

Exclusivo M&T 18 de setembro de 2013 · Edição 172

Às vésperas de qualquer feriado prolongado e mesmo nas férias, é comum que policiais rodoviários e especialistas de tráfego surjam nos noticiários da TV para alertar os motoristas e recomendar prudência ao volante como forma de evitar acidentes. Ainda assim os acidentes acontecem, sendo que uma das principais causas apontadas pelos peritos é invariavelmente a “imprudência dos condutores”.

Isso provavelmente faz algum sentido, uma vez que os especialistas não têm motivos para agir de má-fé. Mas, por outro lado, é difícil não questionar se estas pessoas dirigem nas mesmas estradas que os cidadãos comuns. Sim, pois é notório que a cada dia os veículos estão mais próximos uns dos outros, de tal modo que já não há mais “prazer de dirigir”, eliminado pela tensão que esta proximidade crescente dos veículos traz às estradas.

Apesar disso, os técnicos ainda não reconhecem a crescente falta de espaço nas vias brasileiras, que reduz a distância entre os veículos a níveis mais que perigosos. Nesse cenário, a habilidade dos motoristas já não é mais garantia para se evitar acidentes, malgrado a reconhecida autoestima nacional sobre a própria habilidade ao volante. O fato é que simplesmente já não há mais “espaço de manobra” nas vias, tornando-se quase impossível manter a distância indicada pelas marcações nas pistas. Assim, de quem é a responsabilidade quando já não há mais condições mínimas de segurança nas estradas por conta desse abarrotamento?

Além deste aspecto, também há uma nítida ausência de bom senso e inteligência em relação ao efeito das obras sobre a segurança nas estradas. Um exemplo são as obras do Contorno Sul e Leste, realizadas ao redor de Curitiba. Ali, ocorrem quilômetros de engarrafamentos diários e longas paralisações, que atrasam o fluxo de pessoas e mercadorias que trafegam pela região Sul do país.

Neste canteiro, as obras de recapeamento e reconstrução das vias são realizadas de modo que o volume de veículos (já excessivo em condições normais) seja espremido numa única faixa de rolamento. Além de atrasar todos os veículos, tal estratégia cria uma condição de insegurança que se reflete em acidentes com frequência cada vez maior nas proximidades das obras, incluindo até mesmo os trabalhadores.

Para minimizar as dificuldades, não seria possível aproveitar os acostamentos ou criar vias temporárias paralelas? Claro que os acostamentos são específicos para emergências, como as da BR-101, nas proximidades de Florianópolis, na qual é permitido que veículos leves trafeguem pelo acostamento. Mas de tão inusitada e inesperada, muitos motoristas não acatam tal solução, mesmo lendo as placas indicativas de permissão, que são muitas no local.

Nesse ponto, torna-se inevitável perguntar o que é necessário para que as empresas responsáveis e seus engenheiros percebam que determinada obra tornou-se um verdadeiro desastre para o trânsito. Afinal, admitir isso já seria um promissor início para minimizar o impacto das obras de engenharia rodoviária sobre a vida dos usuários e cidadãos.

*Yoshio Kawakami

é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

 

 

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