Soluções ampliam durabilidade de pneus fora de estrada — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 166Março 2013 Matéria 6 de 17
Sumário
  1. EditorialAjustes nos pacotes de infraestrutura são bem-vindos
  2. Equipamentos CompactosAs pequenas notáveis
  3. Equipamentos CompactosMercado em mutação
  4. FerroviasIndústria aguarda salto
  5. SegurançaNa vanguarda do setor
  6. PneusSoluções ampliam durabilidade de pneus fora de estrada
  7. Equipamentos De ApoioSuporte a pneus em qualquer lugar da obra
  8. Bauma 2013Show de tecnologia
  9. EmpresaSumitomo aumenta investimentos no Brasil
  10. MineraçãoAdequando a frota para aumentar a competitividade
  11. EmpresaCenário promissor
  12. Sobratema 25 AnosTestemunha ocular da história
  13. Momento ConstructionSalão destaca parcerias público-privadas
  14. A Era Das MáquinasOs primórdios: desafios e tecnologias em engenharia
  15. ManutençãoCuidados que garantem a potência de arranque
  16. Entrevista"Nosso negócio depende da maior variedade possível de equipamentos"
  17. Suplemento - Compactos & FerramentasOpções para diferentes necessidades
  18. Painel20 notas e colunas
Pneus

Soluções ampliam durabilidade de pneus fora de estrada

Modelos diferenciados de pneus fora de estrada são lançados mundialmente para proporcionar maior produtividade aos equipamentos de construção e mineração

Exclusivo M&T 19 de março de 2013 · Edição 166

Os pneus OTR (off the road) podem representar um dos maiores custos em componentes para diversos equipamentos de construção e mineração, como pás carregadeiras, motoniveladoras e caminhões. Por isso, a escolha do modelo mais adequado para a futura operação da máquina é uma condição indispensável para obter-se alta produtividade e menores custos de manutenção. É justamente com tal objetivo que as fabricantes de pneumáticos não param de lançar novidades no setor.

É o caso da Michelin. Em 2005, a fabricante francesa lançou com sucesso um novo conceito de pneu OTR “que não fura” e agora passa a disponibilizá-lo também para equipamentos compactos, como minicarregadeiras. Lançado oficialmente em outubro de 2012, o X-Tweel SSL dispensa a câmara de ar e funciona como uma peça única, que envolve o conjunto pneu-roda. A inovadora solução, que substitui os 23 componentes de um pneu radial tradicional, é composta por um corpo rígido ligado a uma banda de rodagem, sendo unido ao eixo por meio de raios de poliuretano flexíveis e deformáveis, que absorvem os choques e retornam rapidamente ao formato original. Em suma, é um pneu que não fura e não necessita de manutenção.

INOVAÇÃO

De acordo com Tim Fulton, diretor da Michelin Tweel Technologies, em comunicado à imprensa internacional, os pneumáticos tradicionais utilizados por minicarregadeiras são afetados com uma frequência maior que a desejável por furos e vazamentos de ar, o que acarreta custos desnecessários com a máquina inativa.

Por isso, muitos usuários acabam preenchendo as cavidades dos pneus com espuma ou mesmo trocando os componentes de borracha por modelos sólidos, o que resulta em diversos outros tipos de problemas, como tração inadequada na máquina, desajuste no manuseio e desconforto para o operador.

Por conta dessas limitações e prevendo a aplicabilidade da tecnologia em terrenos irregulares, a Michelin acredita que o X-Tweel será aceito com entusiasmo pelo setor fora de estrada. Segundo o executivo, a novidade oferece ainda as vantagens de não precisar de calibração e fácil montagem.

Além da aplicação em construções e reciclagem, a utilização destes pneus em minicarregadeiras é indicada para a indústria agrícola, o que abre ainda mais seu leque de inserção. Apesar de ser interessante também para o mercado brasileiro, o X-Tweel está disponível apenas nos EUA e Canadá, por enquanto.

DURABILIDADE

A Bridgestone é outro player atuante no segmento de pneus fora de estrada que aposta na inovação tecnológica e no uso de pneus diferenciados como forma de obter melhor desempenho dos equipamentos. A empresa, que oferece modelos para pás carregadeiras, motoniveladoras e caminhões fora de estrada, estima um crescimento do mercado nacional de pneus OTR entre 5% e 7% para 2013. “Isso contando com pneus radiais e diagonais”, acrescenta Marcos Aoki, gerente geral de vendas e marketing da Bridgestone Bandag. “Como outras empresas, acreditamos nesse crescimento em virtude dos grandes projetos de infraestrutura previstos no país até 2016.”

Entre os principais produtos disponibilizados pela fabricante norte-americana está o pneu L317, que – segundo a empresa – proporciona melhor tração na operação de caminhões off-road, resultando em uma durabilidade superior do pneu, além de maior resistência a cortes e desgaste. Já o VHS, um modelo utilizado em guindastes, proporciona bom desempenho para serviços que exigem alta velocidade de percurso no asfalto. De acordo com a Bridgestone, o modelo também apresenta maior durabilidade e resistência ao calor, proporcionando um desgaste lento e regular, além de nível reduzido de ruído.

Já o V-Steel também está entre os modelos mais recentes da fabricante. Com laterais mais rígidas, o modelo oferece maior estabilidade durante a operação e melhor distribuição da área de contato com o solo, minimizando o desgaste. O pneu também possui reforço na região dos ombros, reduzindo a movimentação das barras e o desgaste irregular em forma de dente de serra.

CRESCIMENTO

Com base nos resultados positivos em 2012, a Michelin também acredita no crescimento do mercado de pneus OTR no Brasil. Segundo Adriana Shoshan, diretora de marketing para pneus de mineração e terraplanagem na América do Sul, a empresa aumentou em 17% as vendas de pneus fora de estrada no ano passado, em relação a 2011. Com tal desempenho, diz ela, a empresa assumiu a liderança do segmento para equipamentos originais de fábrica (OEM), no qual avalia já deter 30% de market share. “Isso também demonstra o avanço da radialização (opção por pneus radiais) no mercado brasileiro”, afirma Shoshan, complementando que atualmente apenas 40% dos equipamentos de construção e infraestrutura saem de fábrica com pneus radiais, enquanto na mineração a radialização já alcança 98% das máquinas.

Seguindo a tendência, a fabricante também apresenta o pneu radial XZM, constituído por carcaça em aço e banda de rodagem profunda, com borracha altamente compactada. “Esse modelo oferece a flexibilidade vertical necessária ao trabalho pesado, proporcionando preservação das partes mecânicas, sem influir na produtividade”, diz Shoshan. Essa novidade, como garante a executiva, ainda reduz o menor custo horário de operação e economiza combustível, se comparada a outros modelos do mercado.

Outro lançamento recente da Michelin para o segmento fora de estrada é o XDR2, voltado para a mineração. De acordo com a executiva, o produto é dotado de lonas de proteção de aço, o que o torna até 60% mais resistente à oxidação, quando comparado a outros tipos de pneus disponíveis para o segmento. “Com isso, o potencial de vida útil do pneu chega a ser 20% superior”, contabiliza Shoshan.

MANUTENÇÃO

Como vemos, as novidades em pneus OTR apresentadas pelos fabricantes podem levar a melhores relações de custo e benefício, mas isso só ocorrerá efetivamente se o pneu operar em condições corretas. Nesse sentido, no topo da lista dos parâmetros que mais influenciam na vida útil e na produtividade dos pneus está a relação pressão/calibragem.

De acordo com os especialistas entrevistados, a pressão baixa de inflação pode levar à redução no rendimento km/hora do pneu, à fadiga e ao maior aquecimento da carcaça, com risco de cortes no flanco, aumento do consumo de combustível e menor estabilidade do equipamento. Segundo estudo da Michelin, as métricas indicam que uma pressão 20% mais baixa ocasiona uma perda de 25% no rendimento do pneu. Isso mostra que, na prática, o maior problema de qualquer frota com relação aos pneus dos equipamentos é a falta de frequência na calibragem.

Assim como a pressão baixa, a pressão alta também reduz o rendimento do pneu, mas as consequências não param por aí. Igualmente prejudiciais, os efeitos ocasionados pelo excesso de pressão, por exemplo, podem implicar em redução da aderência e aumento de patinagens, cortes na banda de rodagem, separação por martelamento da banda de rodagem e, inclusive, desconforto para o operador do veículo.

Uma pressão 20% mais alta ocasiona a perda de 15% no rendimento do pneu, repetindo em menor escala os mesmos efeitos da pressão baixa. “Se, além desse valor inadequado, o veiculo estiver trafegando com uma velocidade superior à indicada pelo fabricante, a vida útil do pneu fica ainda mais prejudicada, sendo reduzida pela metade, pois causará aquecimento das lonas estabilizadoras”, explica Norwil Veloso, consultor da Sobratema.

Desse modo, tanto a “sobrepressão” como a “subpressão” podem trazer problemas, sendo que a recomendação dos especialistas é clara: verificar periodicamente a pressão dos pneus. A Michelin, por exemplo, aconselha a conferência diária da calibragem nas grandes minas e a cada três dias nas minas de médio porte, cimenteiras e empresas de construção civil. A regra vale tanto para caminhões fora de estrada quanto para equipamentos móveis, como carregadeiras e motoniveladoras. Segundo a empresa, os valores de calibragem variam de acordo com o equipamento e o fabricante, mas normalmente giram entre 90 e 110 psi (libras/pol2) a frio em caminhões fora de estrada e entre 40 a 60 psi a frio em carregadeiras e niveladoras, em condições normais de trabalho.

Hoff investe em recapagem

Para aprimorar o atendimento ao segmento fora de estrada, a gaúcha Hoff investiu na implantação de um laboratório próprio para análise, mistura de compostos e aplicação. De acordo com Loivo Hoff, diretor comercial da empresa, os compostos resultantes das análises propiciam um desempenho superior dos equipamentos em campo, já que com o apoio laboratorial é possível obter melhor adaptação do pneumático à operação. No que tange à recapagem, o diretor avalia que os pneus radiais possibilitam conserto em danos maiores, mas são mais susceptíveis à oxidação dos cordonéis de aço da carcaça. “Em consertos grandes, os diagonais são compatíveis com o uso de câmara de ar, restando como dificuldade o excesso de consertos, que provoca deslocamento da carcaça”, finaliza o executivo.

 

 

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