Se não há vento, é preciso remar — Revista M&T
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M&T nº 192Julho 2015 Matéria 15 de 15
Sumário
  1. EditorialMercado em looping
  2. M&T Expo 2015Duas décadas de estímulo ao setor
  3. M&T Expo 2015Vitrine da inovação
  4. M&T Expo 2015Arena de debates
  5. M&T Expo 2015O mapa da mina
  6. MercadoEstímulo à competitividade
  7. SegurançaSem improviso
  8. Comércio ExteriorAs multas abusivas na importação de bens
  9. Controle De EmissõesTratamento acústico
  10. TecnologiaAcesso em dia
  11. A Era Das MáquinasUm marco no setor de caminhões
  12. ManutençãoPotência elevada sem riscos
  13. Entrevista"No futuro, também vamos vender ideias"
  14. Compactos & FerramentasDiferencial nos detalhes
  15. Coluna YoshioSe não há vento, é preciso remar
  16. Painel16 notas e colunas
Coluna Yoshio

Se não há vento, é preciso remar

Nem sempre o que mais interessa é o avanço da remada, mas sim sair da situação crítica para melhorar as chances de se encontrar uma saída

Exclusivo M&T 25 de julho de 2015 · Edição 192

No filme “O Mestre dos Mares” (“Master and Commander”, de Peter Weir, lançado em 2003) há uma cena em que a viagem oceânica é interrompida por uma calmaria desoladora. Sem ventos ou quaisquer perspectivas, os marujos sentem-se impotentes diante da situação intolerável. A tal ponto que o desespero começa a tomar conta da tripulação, que passa a buscar por um culpado. Nessa busca pela causa do infortúnio, o aspirante Hollom é apontado pelos marujos como amaldiçoado.

Tal situação cinematográfica nos remete a outras circunstâncias da vida e do mundo dos negócios. Afinal, não é exatamente assim que muitos empreendedores se sentem diante da crise? E também não é apontando um desafortunado que, muitas vezes, buscamos expiar a culpa pela situação difícil?

Em muitas áreas de negócios, os tempos favoráveis de crescimento e resultados satisfatórios equivalem a surfar ondas altas e vibrantes. Mas nem sempre o sucesso nos negócios depende exclusivamente da competência. Além de competência, um bom executivo também precisa ter sorte e paciência. Atualmente, enfrentamos uma situação agonizante de paralisia em muitos negócios, embora haja quem diga que ainda veremos o fundo do poço. O que o líder deve fazer em situações como esta, com a empresa à mercê da falta de iniciativas e sem solução diante da crise?

A resposta vem da Antiguidade. Como diziam os latinos, “si ventus non est, remiga!” (se não há vento, reme!). Este provérbio aponta claramente a ação a ser tomada quando já não há vento que ajude na jornada dos negócios. Remar é muito mais trabalhoso e menos eficiente que velejar, deixando a impressão de que não vale a pena. Mas nem sempre o que mais interessa é o avanço da remada, mas sim sair da situação crítica para melhorar as chances de se encontrar uma saída.

Diante de cenários de crise, qualquer empresa precisa “encurtar o horizonte”. Afinal, de nada adianta projetar muito adiante quando a visibilidade é mínima. Sob a neblina, é preciso adotar o farol baixo, estabelecendo prioritariamente objetivos de curto prazo visíveis à luz baixa. Com isso, o alcance dos resultados imediatos traz de volta a confiança de fazer algo útil e válido.

Quanto aos objetivos mais distantes, para chegar ao futuro desejado é necessário projetar ações sem muito detalhamento, pois serão realizadas mais tarde. É como indicar que haverá pontes no caminho, sem dizer muito sobre as condições das mesmas. Esses caminhos podem ser de pedra ou apenas “pinguelas”, a serem trilhados quando chegar o momento certo. Desse modo, não se tornarão motivo de distração para as equipes antes da hora.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

 

 

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