Recuperar sim, repetir jamais — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 241Fev/Mar 2020 Matéria 19 de 19
Sumário
  1. EditorialFrotas de robôs no horizonte da construção
  2. TúneisEngenharia de alta confiabilidade
  3. AsfaltoReciclados de alto desempenho
  4. Especial InfraestruturaNovos caminhos para as concessões
  5. RentalLinha leve ganha espaço no país
  6. RentalCresce clamor por combate a sinistros
  7. EmpresaDesempenho histórico
  8. TratoresMais eficiência no campo
  9. EmpresaImpulso de crescimento
  10. DronesInovação em sensoriamento aéreo
  11. LançamentoEvolução no portfólio
  12. LançamentoXCMG abre banco no Brasil
  13. Gestão De ResíduosMais energia, menos resíduos
  14. EmpresaDuas décadas de inovação
  15. FabricanteUm ícone do setor
  16. A Era Das MáquinasO engate de três pontos
  17. ManutençãoA lubrificação de rolamentos
  18. EntrevistaMARTIN HERRENKNECHT
  19. Coluna Do YoshioRecuperar sim, repetir jamais
  20. Painel16 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Recuperar sim, repetir jamais

"O desgaste acentuado das relações é um dos subprodutos das crises. Afinal, cada um dos protagonistas da cadeia sente-se forçado a ‘puxar a sardinha para sua brasa’, pois no limiar da sobrevivência, sempre manda o instinto.”

Exclusivo M&T 6 de março de 2020 · Edição 241

Quando decidimos que este seria o título de recente palestra apresentada em São Paulo, durante o evento estratégico anual da Sobratema – Tendências do Mercado da Construção –, a ideia era trazer um pouco da experiência amealhada em outras crises econômicas do país ao longo das últimas décadas.

De fato, para o nosso setor a falta de visibilidade do mercado, o cenário político complicado e o desempenho ainda tímido da economia, dentre outros fatores, lembram muito a virada do milênio. Naquela época, como agora, um dos aspectos deletérios do contexto era o desgaste de protagonistas, fabricantes, distribuidores, prestadores de serviços, funcionários, clientes e demais ‘stakeholders’ do setor.

Evidentemente, este desgaste acentuado das relações é um dos subprodutos das crises. Afinal, cada um dos protagonistas da cadeia sente-se forçado a “puxar a sardinha para sua brasa”, pois no limiar da sobrevivência, sempre manda o instinto. De diversas formas, criativas ou repetitivas, cada parte busca encontrar pontos percentuais de margem, descontos, prazo de pagamento e crédito para manter-se no mercado.

Além disso, o risco aumentado sobre os recebíveis da empresa também resulta em maiores exigências da parte montante da cadeia sobre a parte jusante, praticando literalmente o jogo do poder sobre o próximo passo. Mas alguns estágios da cadeia são mais vulneráveis que outros nesta situação.

E, uma vez vencida a crise, tudo voltará ao normal? Não. Pelo menos não tão rápida e naturalmente como se espera. É necessário que as partes busquem compreender os efeitos da crise e do jogo sobre os demais ‘stakeholders’ para recompor as relações. A perda de confiança (por conta de alguns incidentes) e da colaboração (por conta da deterioração das relações) é um fator inibidor da recuperação das relações comerciais e das ações de marketing.

Certamente, as sequelas podem ser mais profundas e duradouras, representadas por pagamentos atrasados e negociações difíceis, perdas assumidas etc. Mas, ainda assim, os players precisam se reencontrar no caminho da recuperação. Já não será o mesmo ambiente de negócios.

Assim como a guerra fez acelerar o conhecimento em diversas áreas, a crise desenvolve novas soluções para os negócios.

É importante que as organizações percebam que é necessário resgatar as relações, reconstruir os canais de comunicação produtivos, reconhecer que muito conhecimento tácito foi perdido junto à experiência dos profissionais que se foram, assimilar que seus parceiros também saem enfraquecidos da crise e entender que as relações, as regras e as expectativas atuais são produtos de uma guerra contra a crise. “Diplomacia em tempos de paz, exército em tempos de guerra”, diz o ditado. Portanto, é hora de substituir as áridas disputas por acordos mais diplomáticos para acelerar a recuperação.

*Yoshio Kawakami
é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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