Rapidez no posicionamento do bate-estacas flutuante — Revista M&T
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Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 125Junho 2009 Matéria 16 de 19
Sumário
  1. EditorialO impacto da M&T Expo no mercado de equipamentos
  2. M&T Expo 2009Feira bate todos os recordes
  3. M&T Expo 2009Show de tecnologia e de promoções
  4. M&T Expo 2009Elacom 2009: Debates promovem o intercâmbio de ideias
  5. MercadoObras que movimentam a economia
  6. MercadoLocadoras conquistam seu espaço
  7. MercadoA contribuição do exército para a engenharia brasileira
  8. TendênciasPara onde caminha o mercado
  9. InternacionalNovos players acirram a competição no mercado
  10. TreinamentoPor que investir na qualificação do pessoal
  11. SustentabilidadeConciliando progresso e qualidade de vida
  12. MineraçãoTendências em tecnologia de britagem
  13. LançamentosAs novidades apresentadas pelos expositores
  14. Equipamentos De ConcretagemTecnologia para bombeamento em grandes obras
  15. Sistemas De IluminaçãoVersatilidade nas frentes de trabalho
  16. GeotecnologiaRapidez no posicionamento do bate-estacas flutuante
  17. Espaço AbertoMichelin lança pneu para carregadeiras
  18. Espaço AbertoDynapac amplia a linha de rolos tandem
  19. Espaço AbertoCaçamba britadora ganha design compacto
  20. Painel3 notas e colunas
Geotecnologia

Rapidez no posicionamento do bate-estacas flutuante

Com o uso de tecnologia baseada em GPS, bate-estacas flutuante vence o desafio de se posicionar com rapidez e precisão para a cravação de estacas inclinadas

Exclusivo M&T 30 de abril de 2010 · Edição 125
Rapidez no posicionamento do bate-estacas flutuante

A implantação do Tecon Santa Catarina, um terminal de contêineres privado localizado em Itapoá (SC), está sendo realizada pela Construtora Andrade Gutierrez e envolve a execução de um píer marítimo de 600 m de comprimento por 40 m de largura. A estrutura desse píer é formada por peças de concreto pré-moldado apoiadas sobre 700 estacas de concreto, muitas delas inclinadas para a maior resistência aos movimentos das marés.

A produção e cravação dessas estacas vêm exigindo um planejamento logístico apurado, que começa na fabricação dos pré-moldados. Nesse processo são utilizadas formas fixas para a concretagem das peças e pórticos rolantes para o seu transporte até os pátios de armazenamento. Quando o concreto atinge a dureza adequada, as estacas são descarregadas sobre bóias metálicas e rebocadas até o bate-estacas flutuante, onde são elevadas por um guincho que as repousa no martelo.

Nesse momento, as estacas estão prontas para cravação até a cota de arrasamento. Entretanto, durante esse processo é fundamental que o bata-estacas permaneça imóvel em uma posição específica e, para isso, o flutuante conta com oito âncoras. O posicionamento do flutuante costuma consumir horas de topografia convencional e é particularmente delicado no caso das estacas inclinadas. Para posicioná-lo, os cabos das ancoras são tracionados e/ou afrouxados sob orientação da topografia, até que seu martelo esteja exatamente sobre o ponto de cravação.

Na cravação de uma estaca vertical, esse ponto independe de o flutuante estar orientado para uma direção exata, pois a estaca será cravada verticalmente até a nega e arrasada na cota determinada. Já no caso das estacas inclinadas, como o martelo pende para uma direção fixa, o desafio é posicionar o flutuante voltado para a direção da cravação, de forma que o eixo da estaca passe pelo ponto exato de arrasamento ao longo da cravação.

Essa dificuldade de posicionar o flutuante está sendo solucionada com rapidez e precisão pelo sistema Hydro, que elimina as muitas horas antes consumidas pelo processo tradicional. Em cerca de 10 minutos, ele possibilita que a embarcação seja posicionada na direção exata, com precisão de alguns centímetros, evitando ainda o inconveniente da topografia convencional de não funcionar à noite e nem sob neblina.

O sistema é composto por um computador de bordo, equipado com o software Hydro Pro Construction, e por dois receptores GNSS (GPS+Glonass) embarcados, que estabelecem o vetor que orienta a direção do flutuante. Ele também conta com um clinômetro digital que analisa a atitude da embarcação e utiliza esse dado nos cálculos de posicionamento, determinando os valores de “banda” e “trim” (as inclinações nos sentidos transversal e longitudinal). Além disso, um receptor GNSS fica instalado em terra, sobre um marco topográfico e a uma distância de 400 m, para transmitir as correções diferenciais em tempo real.

Quando o sistema foi instalado na obra, a fundação do píer já contava com 100 estacas verticais executadas e a construtora estava iniciando a cravação das estacas inclinadas com o uso de topografia convencional. Para isso, a obra mobilizava um bate- estacas com capacidade de inclinação, chamado de Rainha do São Francisco, e outro específico para a cravação de estacas verticais, o Van Helsing. O Rainha do São Francisco possui guincho próprio, que iça estacas para colocá-las no martelo, e o Van Helsing depende de um guindaste flutuante que o acompanhe.

Desde a adoção do sistema Hydro, a rapidez obtida na operação do Rainha do São Francisco possibilitou que somente ele – e seu guincho – passassem a executar toda a cravação de estacas, tanto verticais quanto inclinadas. Dessa forma, a obra pode desmobilizar o flutuante Van Helsing e o guindaste adicional.

Com esse exemplo de economia e ganho de produtividade, a nossa coluna “Geotecnologia”, cujos primeiros artigos mostraram o uso de GPS em topografia e no controle de máquinas de terraplenagem, apresenta agora a sua aplicação em construção marítima. Para os profissionais do setor, fica a constatação de que essa tecnologia já não representa uma simples tendência, mas uma solução que veio para ficar.
(*) Franco Brazílio Ramos é engenheiro engenheiro civil e gerente de produto da área Machine Control da empresa Santiago & Cintra.

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