Racionamento movimenta mercado de geradores — Revista M&T
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M&T nº 65Jun/Jul 2001 Matéria 4 de 13
Sumário
  1. EditorialCkeck-in
  2. FeiraContagem regressiva para a M&T Expo 2001
  3. EntrevistaM&T Expo'2001: um sucesso internacional
  4. EnergiaRacionamento movimenta mercado de geradores
  5. TreinamentoOpus conclui primeiro curso "In House" para operadores iniciantes
  6. SuporteEquipamentos ganham campo de prova
  7. Teste De Campo ILiebherr comprova vantagens do sistema hidrostático
  8. PavimentaçãoMaior reciclagem é a novidade em usinas de asfalto
  9. Teste De Campo IiAs provas de fogo da 980G Caterpillar
  10. EntretenimentoO mundo mágico dos equipamentos
  11. OperaçãoNivelamento de alto a baixo
  12. Lançamento ICNH lança nova carregadeira Case 521 D no Brasil e Estados Unidos
  13. Lançamento IiUma Retro Cat "Made in Brasil"
Energia

Racionamento movimenta mercado de geradores

Solução emergencial esbarrou na capacidade de produção da indústria e na desinformação geral em relação ao cálculo da demanda real em cada operação.

Exclusivo M&T 20 de julho de 2001 · Edição 65
Racionamento movimenta mercado de geradores

Embora a crise energética estivesse anunciada já no Plano Decenal (2000-2009), divulgado pela Eletrobrás em 1999, a meta de redução de 20% do consumo, determinada em resolução da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, ligada ao Ministério de Minas e Energia, como única alternativa atualmente viável ao famoso "apagão", pegou de surpresa todo o mercado brasileiro.

Como a expansão da capacidade instalada, quer se trate de usinas hidrelétricas, térmicas ou nucleares, requer um prazo de três a dez anos para execução das obras, dependendo do tamanho da instalação, o recurso de última hora foi a aquisição ou locação de geradores, o que imprimiu a esse segmento de mercado uma movimentação até então pouco usual. Não é para menos. A própria fábrica da Scania no Brasil, um grande fornecedor do setor, que está com sua produção praticamente vendida para o resto do ano, está operando com 8 grupos geradores.

Eleitos como única opção viável, ao menos neste momento, a utilização de geradores esbarrou inicialmente no desconhecimento das especificações técnicas. Por isso, em meio à onda avassaladora de pedidos e solicitações, os principais fornecedores de equipamentos do gênero, além de reverem sua capacidade produtiva e incrementarem importações, tiveram que, antes de mais nada, criar um serviço de suporte e informação aos consumidores.

A Cumins Latin America, por exemplo, que iniciou há três meses a produção nacional de conjuntos entre 40 e 500 KVA - mantendo a importação para a faixa de 6 a 2500 KVA — criou um serviço específico de atendimento (o Disque Energia). Na Atlas Copco, que há três anos fabrica no Brasil 12 modelos entre 35 e 531 KVA, a divisão de geradores virou uma espécie de consultoria, que auxilia os usuários a calcular sua demanda e escolher o gerador ideal. Tradicional no mercado, a Caterpillar ampliou a opção de fornecimento e arrendamento de grupos geradores, através de empresas especializadas, que desenvolvem soluções de suprimento específicas.

Disque Energia

A divisão Power Generation, da Cummins, criou o "Disque Energia" (0800-7014701), um serviço gratuito de orientação para a aquisição de conjuntos geradores de forma segura e adequada a cada necessidade específica, que disponibiliza ainda os preços de mercado do produto, sistemas de financiamento, custo/benefício e outras informações que possam auxiliar o usuário a se decidir pela negociação. Os conjuntos são disponibilizados para locação, incluindo serviços de suprimento móvel de energia para shows, espetáculos esportivos, congressos e outros ou para venda, através de financiamentos de mercado (CDC) ou especiais como Finame e Vendor, além de leasing e outras modalidades Na Atlas Copco, opções do mesmo tipo também estão disponíveis. Mas o fundamental, diz Mario Sergio Adolfi, da área de suporte ao produto da empresa, é auxiliar o usuário a dimensionar corretamente o grupo gerador adequado, a partir do cálculo real de sua necessidade. "Sempre dou o exemplo do consumo doméstico do cliente; se ele souber calcular o consumo em sua casa, não terá nenhuma dificuldade em definir o gerador para sua empresa ou operação (uma obra, por exemplo)". Desse modo, Mario Adolfi esclarece conceitos que pareciam obscuros há alguns meses. A dica da fabricante para definir o modelo mais adequado não é muito complicada e parte de uma informação básica: em uma conta de luz, o KW é potência e o KW/h é consumo ou potência por um determinado tempo. Se a conta indicar um consumo de 4.500 Kw/h em 25 dias, por um período de 10 horas/dia, a divisão do consumo pelo total de horas/mês (250), daria cerca de 20 KW—que é a potência instalada. Esse valor, dividido pelo fator de potência 0,8 (dos geradores), resulta em 25 kVA (a potência requerida no gerador).

No caso da Atlas Copco, o menor gerador disponível é o de 38 kVA, suficiente para suprir as necessidades de uma mansão ou pequena indústria. Já o canteiro de obras de uma hidrelétrica, precisaria ter pelo menos 4.000 KVA instalado - o que equivale a oito compressores, modelo QEG-536, o maior da Atlas Copco, com potência real de 531 KVA, ligados em paralelo.

A linha Atlas Copco conta com 12 diferentes modelos, identificados pela sigla QEG seguida da quantidade de kVAs produzidos, considerada uma operação stand-by. Assim, os modelos variam do QEG-46 ao QEG-536, que a plena carga, 24 horas por dia, fornecem uma potência real não de 46 a 536, mas de 38 a 531 kVA. Os diferentes modelos são equipados com motores MWM ou Scania, com potência variando entre 49 e 278 CV (MWM) e 278 a 614CV (Scania).

O Jornal de Cada Dia

Menos para antecipar-se aos problemas decorrentes do racionamento, que para buscar autossuficiência, qualidade e economia no suprimento de energia para seu parque gráfico, o jornal "O Estado de São Paulo”, um dos mais tradicionais do país, assinou um "contrato de performance" com a Servtec Esco — do grupo Servtec Instalações e Sistemas Integrados — para geração de energia adicional no horário de pico.

Modalidade nova de arrendamento para horários de ponta, com opção de compra no final, o contrato de performance se caracteriza pelo fato de a contratada, no caso a Servtec, arcar com todo o investimento para a implantação e manutenção do sistema, alugando um número pré-determinado de horas/mês de seu funcionamento ao cliente. Este também pode investir uma porcentagem no projeto e participar com uma porcentagem da economia da ponta, o que reduziria o valor do aluguel. Com capacidade nominal de 3.650 kW, o sistema de geração foi dimensionado para suprir toda demanda do jornal no horário de ponta.

No contrato com o grupo Estado, a Servtec investiu cerca de US$ 1 milhão na compra dos geradores - dois CAT 3576B, a diesel, de 1825 KW cada -, dois transformadores e painéis de sincronismo com a concessionária, segundo o coordenador de projetos da Servtec Esco, Sílvio César de Barros. Além disso, toda a infra-estrutura de instalação elétrica, isolamento térmico e atenuação acústica de uma antiga sala de expedição - que abrigava até então um gerador “no break”, e que também foi reformada para acondicionamento dos dois grupos geradores - ficaram a cargo da empresa.

O contrato foi assinado há um ano e meio atrás e tem validade de 15 anos, durante os quais a Servtec se compromete a fornecer 66 horas fixas mensais, equivalendo a 3 horas diárias de 2a a 6a feira dentro do horário de ponta. No caso de São Paulo, das 17h às 20h30, justamente a maior demanda do jornal, quando é impressa a parte dos cadernos. Depois das 20:30 h, a gráfica só aguarda notícias de última hora e eventuais furos de reportagem.

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