Propostas para voltar a crescer — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 228Outubro 2018 Matéria 1 de 13
Sumário
  1. EditorialPropostas para voltar a crescer
  2. TratoresA força que vai a campo
  3. TratoresRenovação garantida
  4. MineraçãoFrotas a postos
  5. ConcretoMarco na paisagem
  6. Usina De AsfaltoAdequação à necessidade
  7. PerfuratrizesControle Tecnológico
  8. LançamentoAmpliando a frota
  9. A Era Das MáquinasO reinado das escavadeiras fora dos trilhos
  10. ManutençãoAlto desempenho sem vazamentos
  11. EntrevistaMarco Aurélio Rangel
  12. Especial SobratemaEngenharia criativa
  13. Coluna Do YoshioO dilema da sucessão
  14. Painel12 notas e colunas
Editorial

Propostas para voltar a crescer

“Para destravar o setor, a Câmara França Brasil propõe dentre outros pontos o incentivo de técnicas construtivas mais modernas e a criação de um programa de treinamento da mão de obra, além da revisão de normas técnicas e de financiamento.”

Exclusivo M&T 3 de outubro de 2018 · Edição 228

Em um contexto ainda difícil para a construção no Brasil, levando-se em conta que a infraestrutura do país encolheu 40 bilhões de reais nos últimos dois anos, uma interessante iniciativa foi a recente elaboração e divulgação – feitas pela Câmara Francesa (CCI França Brasil – CCIFB-SP) – de 12 propostas para revitalizar o setor.

No memorando, a entidade propõe ações ancoradas em pilares como urbanização, competitividade e sustentabilidade. Isso faz todo sentido. Como se sabe, o déficit habitacional no Brasil é estimado em 7 milhões de unidades. Aproximadamente 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água e 50% dos habitantes carecem de rede de esgotamento sanitário. Atualmente, o país investe apenas 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para solucionar essas questões, quando deveria investir 5% para recuperar o atraso e, ao menos, 2% para manter a infraestrutura atual. Mesmo assim, segundo a CCIFB, o Brasil tem condições de – desde que haja planejamento – zerar o déficit habitacional até 2050, conciliando o desenvolvimento com o controle das emissões de carbono.

Para tanto, os empresários franceses defendem a criação de um programa de desenvolvimento do saneamento, bem como de um novo projeto de acesso a imóveis populares, com a elaboração de um programa mais eficiente de affordable housing (habitação acessível). Também se sugere a criação de uma política de redução do consumo energético e de melhoria da qualidade do ar para os setores da construção, tanto residencial como não residencial. O acréscimo de normas construtivas para obter-se uma melhor isolação térmica e acústica também é listado, além da modernização dos planos urbanos das principais cidades.

No âmbito de competitividade e produtividade, a sugestão é tornar obrigatório o uso do BIM para se permitir acesso às licitações de obras públicas, com o incentivo de técnicas construtivas mais modernas e a criação de um programa de treinamento da mão de obra, medidas essas acompanhadas pela revisão das normas técnicas – para permitir o uso de soluções mais eficientes e mais leves – e das regras de financiamento do setor.

Na seara da sustentabilidade, a CCIFB propõe a promoção de green labels (selos verdes), mostrando exemplos tocados pelo setor público, assim como o desenvolvimento de um programa para incentivar a renovação do parque existente, como foco no setor de baixa renda, inclusive favelas. Por fim, também é sugerido induzir a indústria da construção a se organizar para reciclar e economizar recursos.

Como se vê, são ações amplas e factíveis que – ao menos em tese – podem trazer resultados, inclusive para a indústria de equipamentos. Resta saber se alguém mais ouvirá essas propostas. Boa leitura.

Permínio Alves Maia de Amorim Neto

Presidente do Conselho Editorial

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