Para onde caminha o mercado — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 125Junho 2009 Matéria 8 de 19
Sumário
  1. EditorialO impacto da M&T Expo no mercado de equipamentos
  2. M&T Expo 2009Feira bate todos os recordes
  3. M&T Expo 2009Show de tecnologia e de promoções
  4. M&T Expo 2009Elacom 2009: Debates promovem o intercâmbio de ideias
  5. MercadoObras que movimentam a economia
  6. MercadoLocadoras conquistam seu espaço
  7. MercadoA contribuição do exército para a engenharia brasileira
  8. TendênciasPara onde caminha o mercado
  9. InternacionalNovos players acirram a competição no mercado
  10. TreinamentoPor que investir na qualificação do pessoal
  11. SustentabilidadeConciliando progresso e qualidade de vida
  12. MineraçãoTendências em tecnologia de britagem
  13. LançamentosAs novidades apresentadas pelos expositores
  14. Equipamentos De ConcretagemTecnologia para bombeamento em grandes obras
  15. Sistemas De IluminaçãoVersatilidade nas frentes de trabalho
  16. GeotecnologiaRapidez no posicionamento do bate-estacas flutuante
  17. Espaço AbertoMichelin lança pneu para carregadeiras
  18. Espaço AbertoDynapac amplia a linha de rolos tandem
  19. Espaço AbertoCaçamba britadora ganha design compacto
  20. Painel3 notas e colunas
Tendências

Para onde caminha o mercado

Lançamentos realizados na M&T Expo 2009 revelam uma rápida transformação no mercado de equipamentos, que ganhou maior diversidade de modelos e máquinas operadas remotamente por joystick

Exclusivo M&T 29 de abril de 2010 · Edição 125
Para onde caminha o mercado

A crescente competitividade no setor de construção, que impõe a necessidade de um melhor acompanhamento da produtividade e dos custos no canteiro de obras, está provocando uma rápida transformação no mercado brasileiro de equipamentos. Para realizar um serviço de terraplenagem ou a abertura de uma vala, por exemplo, não basta mais deslocar “qualquer” máquina para a frente de trabalho. Tem que ser o modelo adequado para aquela aplicação, sob pena de a empresa ficar sujeita a atrasos no cronograma ou a qualquer outro tipo de prejuízo.

Diante desse cenário, os equipamentos considerados “versáteis” – como a escavadeira da classe de 20 t ou a retroescavadeira, que executam diversas atividades – perdem espaço para modelos mais específicos. Com isso, o mercado brasileiro ganhou uma diversidade de modelos sem precedentes, uma tendência sintetizada nos inúmeros lançamentos apresentados na M&T Expo 2009. Os destaques foram os equipamentos de pequeno porte, como minicarregadeiras e miniescavadeiras, presentes nos estandes de alguns dos principais expositores, como a Caterpillar, Case, Comingersoll (Bobcat), Doosan, Hyundai, Komatsu, New Holland e Volvo.

A Volvo, aliás, aproveitou o evento para lançar uma miniescavadeira, que veio se somar à linha de minicarregadeiras fabricada no país desde 2007. Outra que estreou nesse segmento foi a Yanmar, conhecida pela produção de motores diesel e grupos geradores. A partir da M&T Expo, ela começou a importar do Japão dois modelos da sua linha de miniescavadeiras, que cobrem as faixas de 3,5 t e 5 t de peso. “Esse mercado ainda é incipiente no Brasil, mas tem um grande potencial de crescimento”, diz Jaime Tamaki, gerente da Yanmar. Segundo ele, a empresa detém 12% desse segmento de máquinas em âmbito mundial, com forte participação nos mercados do Japão, Estados Unidos e Oceania.

Minis versus retros

A Hyundai e Doosan, por sua vez, apresentaram modelos de miniescavadeiras sobre rodas, um tipo de equipamento ainda pouco usado no Brasil. Seguindo a experiência dos países industrializados, as máquinas estão sendo oferecidas como uma alternativa para a maior produtividade em obras urbanas e em canteiros com pouco espaço. Os equipamentos compactos chegam para disputar um segmento de mercado antes atendido apenas pelas retroescavadeiras, o modelo mais comercializado no país.

Para os especialistas do setor, eles tendem a ocupar o espaço das retros devido a sua versatilidade na execução de vários tipos de serviços com a rápida troca de implementos. Mas as opiniões não são unânimes. Tanto que a Volvo lançou não apenas uma miniescavadeira, mas também dois modelos de retroescavadeiras importadas do México. A JCB, tradicional fabricante dessa linha de equipamentos, também ampliou sua família de retroescavadeiras com o lançamento do modelo 3C.

A Randon seguiu a mesma estratégia ao apresentar em seu estande a nova RK 406B. Idair Monegat, gerente executivo da empresa, justifica a aposta diante do baixo custo de operação e de transporte das retros. Afinal, diferentemente das minis, que precisam ser transportadas por um caminhão, elas transitam em vias urbanas e podem se deslocar facilmente de uma obra para outra. “Estão trazendo esses equipamentos para o Brasil com base na experiência europeia, aliás, muito bem sucedida, mas há de se considerar que o mercado brasileiro tem suas peculiaridades”, diz Monegat.

Pequenas e eficientes

Para quem busca alternativas para o transporte de materiais em canteiros com pouco espaço, os minidumpers surgem como a solução ideal. Os visitantes da M&T Expo 2009 puderam apreciar as opções nessa área em estandes como o da Gamma Cobra, da Pró-Eletro, que distribui a marca espanhola Ausa, e da Magnus Hidráulica, representante da italiana Cormidi. “A mecanização em obras de pequeno porte é uma tendência irreversível, possibilitando ganhos de produtividade nas construções em subsolos e áreas com dificuldade de acesso”, diz Ricardo Magno, diretor da Magnus.

Segundo ele, os minidumpers oferecidos pela empresa são totalmente hidráulicos, com dispositivo para o seu autocarregamento e dotados de esteira de borracha. Além desses equipamentos, disponíveis em versões de 500 kg a 1.500 kg, a empresa expôs em seu estande um modelo de minibetoneira autopropelida e autocarregável, com capacidade para 0,35 m³ de concreto.

Também nessa linha de equipamentos, a distribuidora Copex apresentou a autobetoneira DB460SL, da italiana Fiori, que opera com volumes de concreto bem maiores, mas segue o mesmo conceito de levar sua produção para áreas próximas à concretagem, mesmo em canteiros com pouco espaço ou dificuldades de acesso. “Com apenas um operador, ela realiza um ciclo completo de produção a cada 20 minutos”, diz Antonio Carlos Grisci, diretor da Copex. Entre as inovações do equipamento, ele destaca sua maior estabilidade e velocidade de deslocamento, que são proporcionadas pelas rodas mais largas, bem como os comandos por joystick que acionam, entre outras funções, o braço de carregamento da autobetoneira.

Pesos-pesados

A popularização dos equipamentos menores, entretanto, não se resume apenas aos modelos usados em transporte de solos e produção de concreto. Ela também avança no segmento de máquinas estacionárias e um bom exemplo disso foi dado pela Ciber, que lançou a usina de asfalto Kompakt 500, com capacidade para a produção de 50 t/h. Segundo Walter Rauen, suas dimensões compactas permitem instalar o equipamento em canteiros com pouco espaço, exigindo menos infraestrutura e tempo para sua montagem. “Isso se reflete no menor custo de mobilização da usina”, diz ele.

Para atender a demanda de grandes obras de rodovia, a empresa também apresentou durante a M&T Expo 2009 os demais modelos de sua linha, como as usinas de asfalto tipo contrafluxo (UACF), com capacidade para até 150 t/h, as pavimentadoras de asfalto da família Vögele, os rolos compactadores Hamm e as fresadoras e recicladoras da Wirtgen.

Mesma estratégia seguiu a Dynapac, que apesar de lançar dois modelos de rolos vibratórios tipo tandem, das classes de 7,7 t e 10 t, também enfatizou o maior modelo da sua linha para compactação de solos. “Trata-se de um rolo vibratório de um cilindro de 27 t de peso, com alta capacidade de compactação, que já opera no Brasil na obra de transposição do rio São Francisco”, explica Paulo Almeida, presidente da Dynapac. Outro peso-pesado apresentado pela fabricante foi o rolo tipo tamping CT 300, de 21 t, que opera em alta velocidade (até 21 km/h) em obras com elevada demanda de compactação.

Aliás, a tendência de diversificação na quantidade de modelos também foi observada pelos visitantes da feira na ponta superior das faixas operacionais, com a exposição de muitas máquinas de grande porte. Um exemplo estava no estande da Komatsu: a escavadeira PC600, de 63 t de peso, o maior equipamento desse tipo presente na M&T Expo 2009. “Temos várias delas em operação na obra da hidrelétrica Santo Antônio, no rio Madeira, mas trata-se da primeira vez que exibimos esse modelo no Brasil”, ressalta Agnaldo Lopes, gerente geral de vendas e marketing da fabricante.

Automação dos guindastes

A aplicação da eletrônica embarcada no controle das operações com máquinas de terraplenagem e caminhões já não constitui uma tendência e sim uma realidade consolidada. Durante as M&T Expo 2009, entretanto, os profissionais do setor puderam constatar o avanço no uso de tais recursos em outro segmento da indústria de equipamentos: o de guindastes móveis.

A Liebherr, por exemplo, apresentou a nova geração do sistema de controle de guindastes móveis, o Liccon 2 (Liebherr Computed Controller), que chega para simplificar as operações com os equipamentos da marca. De acordo com Cesar Schmidt, gerente comercial e de marketing da empresa, ele permite selecionar os comandos desejados, com um simples toque na tela do seu monitor, como a suspensão do eixo e o patolamento do guindaste.

Outro ganho proporcionado pelo sistema, segundo Schmidt, é a segurança na operação. Como ele permite operar o guindaste remotamente, por meio de um console controlado por joystick, que se comunica com a máquina por tecnologia Bluethooth, o operador pode sair da cabine na hora de prender ou soltar o guincho Ricardo Magno: tendência irreversível de carga do para-choque do caminhão. “Isso permite que ele tenha maior visibilidade e controle da operação, eliminando a possibilidade de acidentes que ocorriam até com certa frequência, quando o guincho batia no para-brisa do guindaste.”

A Madal Palfinger também apresentou o sistema Plantronic 50 para a operação de seus equipamentos da série PK por controle remoto. “Com essa tecnologia, reforçamos a nossa nova visão de que guindastes não são meros movimentadores de carga e sim ferramentas de trabalho que podem ser usadas nas mais diversas aplicações em obras de montagem e reparos”, diz Ulisses Lopes Martins, gerente comercial da empresa.

Em tempo real

Outro fabricante que aposta no uso dos recursos da eletrônica embarcada para a maior segurança e eficiência na operação de guindastes móveis é a Manitowoc. Em seu estande, a empresa lançou o sistema CraneSTAR, que permite o monitoramento remoto dos equipamentos por rede de telefonia celular ou satélite. “Com esse sistema, inauguramos uma nova era na gestão de guindastes”, afirma Kyle Nape, vicepresidente da empresa para a América Latina.

Segundo ele, a tecnologia acompanha não apenas as funções da máquina, como a temperatura e rotação do motor, mas também os comandos realizados pelo operador. Com isso, o gestor da frota fica sabendo, em tempo real, se a carga em elevação não excede a tabela estabelecida para o equipamento e se o operador está seguindo corretamente o plano de rigger, entre outras informações relevantes.

Para Franco Brazílio Ramos, gerente de produto da Santiago & Cintra, a adoção dos sistemas denominados de machine control estabelece uma relação em que todos ganham. “O contratante do serviço ganha com a maior qualidade final da obra, a construtora ganha em eficiência e produtividade e o operador passa a trabalhar com maior conforto e sem o estresse ao qual ficava submetido quando os comandos eram exclusivamente manuais”, ele afirma.

A adoção desses sistemas, que unem a eletrônica embarcada à comunicação via GPS para que os movimentos da máquina sejam realizados automaticamente, em cada posição georreferenciada, ainda trilha os primeiros passos no Brasil. Mesmo assim, o especialista vislumbra uma tendência de que os equipamentos já saiam preparados de fábrica para a instalação do sistema. “Na Europa e Estados Unidos, até as locadoras já oferecem suas máquinas com esses dispositivos em busca de maior produtividade e de redução de custos, algo fundamental para quem fatura por hora trabalhada”, ele conclui.

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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