Os guindastes na década de 30 — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 289OUTUBRO2025 Matéria 7 de 10
Sumário
  1. EditorialO salto qualitativo na gestão de frotas
  2. Pás CarregadeirasDisponibilidade contínua na obra
  3. ServiçosAtendimento como diferencial
  4. Especial InfraestruturaMalha rodoviária segue em risco estrutural
  5. PlataformasMercado em mutação
  6. AsfaltoO uso de mistura morna na pavimentação
  7. A Era Das MáquinasOs guindastes na década de 30
  8. ManutençãoPor dentro das usinas de fluxo contínuo – Parte 2
  9. Entrevista – Linjun Wang“Tivemos um ano espetacular de vendas”
  10. Coluna Do YoshioAs projeções de crescimento
  11. Painel20 notas e colunas
A Era Das Máquinas

Os guindastes na década de 30

Na década de 1930, apareceram os primeiros veículos com motores diesel e surgiram grandes obras, como a travessia de Grossglockner, assim como o elevador de navios de Niederfinow, produzido pela Kranbau Eberswalde

Exclusivo M&T 8 de novembro de 2024 · Edição 289


Os equipamentos da eclusa de Niederfinow eram capazes de elevar navios com até 1.000 toneladas a 36 metros de altura

A década de 1930 foi marcada por acontecimentos radicais, iniciados um ano antes com a quebra da Bolsa de Nova York e o pós-guerra na Europa.

Em 1930, havia 4,4 milhões de desempregados na Alemanha, uma massa sem esperanças e que procurava desesperadamente quem a conduzisse, o que acabou por ocorrer poucos anos depois, com trágicas consequências a partir de 1934.

Por outro lado, apareceram os primeiros veículos com motores diesel e surgiram grandes obras, como a travessia de Grossglockner, a mais de 2.500 m acima do nível do mar, assim como o elevador de navios de Niederfinow, produzido pela Kranbau Eberswalde, que elevava navios de até 1.000 t a uma altura de 36 m.

Na Inglaterra, a R. H. Neal & Co. passou a produzir conjuntos de guindastes para adaptação em chassis de esteiras ou caminhões, que se tornaram bastante conhecidos.

Na mesma época, os Estados Unidos conviviam com o fantasma da recessão, com o governo tentando controlar uma situação bastante difícil.

Mesmo empresas bem-sucedidas – como a Harnischfeger – lutavam para sobreviver, diversificando a produção para além de equipamentos de construção, com máquinas de solda, motores diesel e casas pré-fabricadas.

INOVAÇÕES

Guindastes montados sobre esteiras e equipamentos com lança treliçada montados sobre caminhão foram então seguidos por guindastes estacionários de grande porte, para uso em portos.

A Dravo, por exemplo, produziu uma máquina com capacidade de 250 t e alcance de 58 m sobre a água, sob encomenda para uma instalação portuária próxima a Seattle.

A máquina também possuía um guincho auxiliar de 30 t e dois de 5 t, além de uma ponte rolante para manutenção da lança.

O ano de 1930 também foi importante para a Ruston & Hornsby, empresa fundada em 1850 com uma posição importante no mercado inglês de escavadeiras, assim como para a Bucyrus-Erie.

Ambas as empresas criaram uma parceria para produção de escavadeiras e guindastes, fundando assim a Ruston-Bucyrus, administrada em conjunto. Em 1935, foi lançado o modelo 22-RB, com bastante sucesso graças às inovações de projeto.

As empilhadeiras eram pouco difundidas (as primeiras unidades só apareceram na Europa durante a Segunda Guerra), o que fez com que diversos fabricantes lançassem pequenos guindastes versáteis, montados sobre chassis com três ou quatro rodas, com lança fixa, móvel e até mesmo extensível.

Entre os fabricantes de guindastes na época podem ser citados: Bantam, Bay City, BM-Boom, Boilot, Coles, Grove, Haulotte, Insley, International Harvester, Keystone, Link-Belt, Manitowoc, Marion, Menck & Hambrock, Northwest, Poclain, Priestman, Richier, Wagnermobile e Weserhutte.


Desenvolvido por Coles, este guindaste Garnet era equipado com indicador
B&A de momento de carga e montado sobre chassi Thorneycroft

SEGURANÇA

Até a década de 1930, os riscos associados à operação dos guindastes eram objeto de pouca atenção por parte de projetistas e fabricantes. E menos ainda por parte dos usuários e operadores.

Mas isso começou a mudar rapidamente com o aumento dos acidentes ocasionados por falhas na operação e especialmente na elevação das cargas.

Em 1932, pela primeira vez foi emitido na Inglaterra um “Certificado de Aprovação”.

Como resultado dessa iniciativa, seguida por outras, o número de acidentes começou a diminuir, enquanto os fabricantes passaram a se preocupar com a instalação de sistemas especiais de monitoramento do momento gerado pela carga.

Em um guindaste atuam dois momentos: o de estabilização – devido à estrutura da própria máquina (peso do chassi e superestrutura) e do contrapeso – e o de tombamento, que se deve ao peso da lança, cabos, gancho, tirantes e, obviamente, a carga.

Esse momento atua no sentido de tombar o guindaste.

A primeira medida para reduzir o risco foi a instalação de patolas, inicialmente nos quatro cantos do chassi e, posteriormente, com braços que pudessem aumentar o momento de estabilização.

Em 1934, a empresa Wylie Safe Load Indicators (posteriormente adquirida pela B&A) começou a produzir indicadores de momento totalmente mecânicos, que monitoravam as forças que afetam o momento de tombamento.

A Coles, que produzia esses equipamentos sob licença, adquiriu os direitos de fabricação de todos os indicadores da B&A, que passaram a ser usados exclusivamente nos guindastes de sua própria fabricação.

Empresas como Jones, Ransomes & Rapier e Ruston-Bucyrus também produziram indicadores de momento para atender às necessidades específicas dos fabricantes.

Em 1936, todavia, ocorreu uma evolução na fabricação de guindastes com a implantação, na Alemanha, da norma DIN 120 – Padrões de projeto para componentes de aço e trilhos para guindastes, que inicialmente definiu critérios dimensionais para pórticos e componentes.

Nos 40 anos seguintes, a DIN consolidou critérios para projeto, dimensionamento, fabricação e montagem de guindastes, tendo grande influência nas normas que surgiram depois em outros países.

SEGUNDA GUERRA

O início da Segunda Guerra fez com que as nações orientassem a ciência e a engenharia para a destruição de vidas, em escala jamais ocorrida.

Toda a indústria de equipamentos alimentou o esforço de guerra, com os resultados conhecidos.

Os guindastes, especificamente, passaram a ter versões blindadas com projetos para aplicações específicas.


Durante a Segunda Guerra, guindastes como este modelo
da Coles ganharam versões blindadas para aplicações específicas

Atendendo ao contrato 37/208 da RAF, a Coles desenvolveu e produziu um guindaste sobre dois eixos com capacidade de 1,8 t, lança em treliça com alcance de 2,40 m, giro de 360o e acionamento elétrico.

Voltado para uso em aeroportos, o equipamento ficou conhecido como EMA (Electro Mobile Aerodrome). Foram produzidas 82 máquinas dentro do contrato, com excelente aceitação pela Força Aérea.

A superestrutura dos EMAs logo seria utilizada por outras empresas, como Austin, AEC, Leyland, Diamond T e Ford. Posteriormente, também foi montada em chassis reforçados produzidos pela Thornycroft Amazon.

A época ainda reservou diversas fusões e incorporações. A Henry J. Coles foi adquirida pela Steel & Co. que, na mesma época, adquiriu a Egis, fabricante de guindastes portuários e que, pouco tempo depois, veio a se chamar Crown, em cujas instalações passaram a ser produzidos os guindastes Coles, principalmente para fins militares.

Leia na próxima edição:
O inovador motor Wankel
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