Os dividendos da pandemia — Revista M&T
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M&T nº 251Fev/Mar 2021 Matéria 12 de 12
Sumário
  1. EditorialInvestimento em infraestrutura requer novas práticas
  2. Correias TransportadorasExcelência na movimentação
  3. Rolos CompactadoresA inteligência por trás do processo
  4. Especial InfraestruturaO custo da modernização
  5. Bombas De ConcretoAdequação de conceitos
  6. FabricanteAs dores da retomada
  7. LançamentoEstratégia de fortalecimento
  8. FabricanteHora de acelerar
  9. A Era Das MáquinasA evolução dos guindastes nos anos 70
  10. ManutençãoO gerenciamento de material rodante metálico
  11. EntrevistaDaniel Randon
  12. Coluna Do YoshioOs dividendos da pandemia
  13. Painel17 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Os dividendos da pandemia

"Após um período inicial de perplexidade, percebeu-se a oportunidade que se abria e o inesperado efeito positivo que a pandemia causava na construção."

Exclusivo M&T 9 de março de 2021 · Edição 251

O ano de 2020 será lembrado por muito tempo pela covid-19 e seus efeitos de sofrimentos e preocupações. Certamente, esses meses de vidas contidas para a maioria da população mundial serão tema de estudos e relatos dramáticos sobre seus impactos sociais e econômicos por anos a fio. Assim como as vidas perdidas para a covid-19.

Mas em qualquer situação sempre há oportunidades. Mesmo que milhões de pessoas estejam sofrendo, existem pessoas que estão tendo oportunidades inéditas com a situação. Isso é ainda mais válido para os negócios e as empresas.

Pode-se até dizer que, para muitas empresas, os meses de pandemia foram excepcionalmente favoráveis, pois a conjunção de diversos fatores – internos e externos – gerou benefícios inesperados. Com efeito, é necessário admitir quer os “dividendos da pandemia” existiram, pois muitas empresas colheram ganhos e vantagens em 2020.

Todavia, os noticiários compreensivelmente preferiram focar nos dramas das pessoas e empresas que sofrem com a pandemia, produzindo relatos comoventes para disputar a audiência da população. Com quase 2,5 milhões de mortos ao redor do mundo, descrever os “privilegiados” que não sofrem com as consequências da covid-19 e, ainda mais, citá-los como exemplos a serem seguidos seria uma verdadeira afronta.

Mas o fato incontornável é que a construção foi um dos setores favorecidos pelos “dividendos da pandemia”. Dentre os diversos fatores que contribuíram para isso podemos citar a necessidade de manter empregos, o interesse do governo em realizar obras de melhoria da infraestrutura, a baixa remuneração do capital nas aplicações financeiras, o crescimento da produção de commodities, o desempenho do setor agrícola, o impulso da desvalorização da moeda e outros.

Após um período inicial de perplexidade, percebeu-se a oportunidade que se abria e o inesperado efeito positivo que a pandemia causava. Somada à redução de despesas e gastos pelas medidas sanitárias, a situação gerou um ganho melhor do que se esperava para anos considerados “normais”.

Mesmo que fossem uma obrigação, é evidente que algumas medidas adotadas pelo governo, materializadas na forma do auxílio emergencial, foram efetivas em minimizar os efeitos da pandemia para a população mais vulnerável economicamente, produzindo uma circulação adicional de dinheiro que sustentou o varejo em diversos setores.

Agora, todavia, já estamos vivendo uma indisponibilidade de produtos como máquinas e peças, com efeitos nos preços dos produtos para compensar a variação cambial e preocupação com a sustentação das atividades no médio prazo.

Em tal cenário, o melhor a se fazer é aproveitar os “dividendos da pandemia” para fortalecer as bases da empresa e do negócio para o futuro. É hora de perceber que investir em épocas mais desafiadoras assegura vantagens competitivas relevantes. Gestores e empresários devem aceitar que lhes cabem decisões com particular sabedoria neste momento ímpar que vivemos. E que ninguém se arrisca a dizer quando enfim acabará.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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