Os desafios para a infraestrutura na retomada — Revista M&T
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M&T nº 247Setembro 2020 Matéria 1 de 15
Sumário
  1. EditorialOs desafios para a infraestrutura na retomada
  2. EscavadeirasTalhadas para grandes desafios
  3. PavimentaçãoSinergia em longas extensões
  4. Especial InfraestruturaPor uma cultura do descarte
  5. Fórum De InfraestruturaA vez do saneamento
  6. RentalÀ espera de um novo boom
  7. FinanciamentoMercado diversifica opções de crédito
  8. LançamentoAposta renovada no Brasil
  9. EventoUma experiência inovadora
  10. SegurançaCuidados na operação de guindastes
  11. LançamentoCada vez mais tecnológico
  12. A Era Das MáquinasUma tecnologia crucial e subestimada
  13. ManutençãoA organização do posto de trabalho
  14. EntrevistaMárcio Pedroso
  15. Coluna Do YoshioA arte de ver o lado bom das coisas
  16. Painel16 notas e colunas
Editorial

Os desafios para a infraestrutura na retomada

“A crise da covid-19 representa um grande desafio, mas também uma enorme oportunidade para os mercados emergentes se movimentarem em direção a uma infraestrutura mais adequada.”

Exclusivo M&T 10 de setembro de 2020 · Edição 247

Publicado em junho, o Relatório Anual do Banco Mundial sobre as Perspectivas Econômicas Mundiais mostra que o PIB global já diminuiu 5,5% neste ano, prevendo-se que o processo de recuperação deve se estender até o final da década para os países mais duramente atingidos pela crise – Brasil incluído.

Em recente artigo para a Forbes, o executivo Norman Anderson, CEO da CG/LA Infrastructure, avalia a situação e reconhece a gravidade do problema, mas também acentua a enorme oportunidade que se abre para os mercados emergentes se movimentarem em direção a uma infraestrutura mais adequada.

Mesmo antes do coronavírus, diz ele, o mercado de infraestrutura já vinha apresentando dificuldades em vários países do mundo, especialmente nos emergentes. E isso por diversas razões, como a imagem de corrupção associada ao setor, cita Anderson, com a maioria dos cidadãos associando intuitivamente o termo ‘infraestrutura’ a ‘desvios’, assim como o desgaste do modelo ocidental dominante (Parcerias Público-Privadas), que – segundo o CEO – vem se tornando irrelevante no modelo atual, notadamente na ‘conturbada’ América Latina, onde diversos projetos do tipo foram encerrados recentemente.

Além disso, a estratégia adotada pelo governo chinês – a ‘Chinese Belt & Road Initiative’ (BRI), que prevê investimentos por mais de 30 anos no desenvolvimento da infraestrutura em diferentes continentes, favorecendo suas relações comerciais – teria causado estragos em muitos países, canalizando enormes recursos a grandes projetos, ao mesmo tempo que excluía as empresas ocidentais e parecia deixar de fora as necessidades locais, acumulando uma enorme dívida em projetos considerados fracos. “Tragicamente, a maioria das empresas legítimas de engenharia e construção já não trabalha nos mercados emergentes”, constata o CEO.

Em tal quadro, são sugeridas ações imediatas para responder à extraordinária procura por investimentos em infraestrutura nos mercados emergentes, tais como: entender o que o cliente quer, pois o mercado atual quer ‘saúde’ e ‘mobilidade’, e não necessariamente obter a taxa de retorno mais elevada com o menor risco; criar uma certificação de qualidade do tipo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) para projetos de infraestrutura, com projetos concebidos de acordo com os princípios do mercado, gerando acesso a conhecimentos especializados e apoio internacional; atrair o ‘capital certo’, proporcionando oportunidades de investimento em projetos e mitigando os riscos por meio de garantias soberanas para o futuro imediato; e eliminar as inseguranças nas iniciativas de infraestrutura, criando um cluster de excelência com empresas de engenharia/construção, entidades financeiras e setor público.

Como se vê, são propostas que tocam em pontos sensíveis do debate, como foco estratégico, demanda social, segurança jurídica, modelos de parceria, atratividade dos ativos e qualificação de projetos. E que, em tempos de pandemia, remetem a decisões cruciais que o país precisa tomar para garantir um novo ciclo de desenvolvimento do mercado e, simultaneamente, o bem-estar e a saúde de sua população. Boa leitura.

Permínio Alves Maia de Amorim Neto
Presidente do Conselho Editorial

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