O vácuo técnico que paralisa o setor — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 240 ← Voltar à edição
M&T nº 240Dez/Jan 2020 Matéria 14 de 14
Sumário
  1. EditorialConstrução global cresce em ritmo mais lento
  2. Estudo De MercadoExpectativa nas alturas
  3. CenárioUm horizonte de obras
  4. Linhas De EixosPeso pesado do transporte
  5. Especial InfraestruturaA vez das energias renováveis
  6. EventoLargada para a M&T Expo 2021
  7. PlataformasMudança cultural
  8. RentalExperiência compartilhada
  9. Comércio ExteriorO regime Drawback
  10. Momento BwA valorização dos recursos hídricos
  11. A Era Das MáquinasAs carregadeiras que marcaram época
  12. ManutençãoGarantindo a troca de calor
  13. EntrevistaVITOR ALY
  14. Coluna Do YoshioO vácuo técnico que paralisa o setor
  15. Painel16 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

O vácuo técnico que paralisa o setor

"Se a elaboração de projetos foi reduzida ou deixou de ser feita, o setor da construção necessita de um novo desenho que resgate esse processo.”

Exclusivo M&T 6 de dezembro de 2019 · Edição 240

Nesta altura, completam-se cinco anos desde que as grandes construtoras foram indiciadas nos processos da Operação Lava-Jato. Em seu lastro, o mercado brasileiro de grandes obras públicas sofreu uma redução das atividades como nunca visto antes, afetando toda a cadeia econômica.

Ao longo deste tempo, pouco se explorou sobre os impactos da situação, como se essas empresas pudessem ser sumariamente ‘apagadas’ do mapa sem deixar vestígios ou fazer qualquer falta ao país. No entanto, a escassez de atividades ao longo desse tempo indica que não se trata apenas de uma questão de recursos disponibilizados, como muitas vezes se comenta.

Na verdade, pensar que a inviabilização de várias empresas que atuavam no topo da cadeia das atividades econômicas não traria consequências aos negócios constitui uma premissa de análise muito superficial e, francamente, pueril. Ao contrário, a realidade é que essas empresas identificavam e interpretavam as necessidades do mercado e da sociedade, elaborando projetos que seriam defendidos perante o setor público. E, consequentemente, uma carteira de projetos seria formada com uma sequência de propostas.

É fato que o sequenciamento das obras para evitar a ociosidade dos operários e dos equipamentos era demandado pela busca de eficiência na utilização do capital envolvido nos negócios. E a elaboração dos projetos, que muitas vezes levava anos para se tornar realidade, era parte dos riscos do negócio assumido pelas grandes empresas.

Assim, essa função anteriormente exercida pelas grandes empresas do setor sofreu uma queda abrupta e profunda, criando um vácuo potencial nas atividades do setor da construção pesada. Agora, faz-se necessária a recomposição da atividade por parte do setor privado, muito mais atento às necessidades da sociedade e com uma visão de longo prazo capaz de sobreviver ao mandato político exercido com um horizonte correspondente ao seu tempo de vigência.

Tais considerações, evidentemente, não têm o objetivo de debater ou expiar qualquer prática que não atenda aos princípios do ‘compliance’. Longe disso. Todavia, se a elaboração de projetos foi reduzida ou deixou de ser feita, o setor necessita de um novo desenho que resgate o processo. A meu ver, uma das alternativas para isso seria o setor público assumir o papel de ‘encomendador’ de estudos e projetos, que voltem a mobilizar o setor da construção pesada e ajudem a devolver o dinamismo à ainda combalida atividade econômica do país.

*Yoshio Kawakami
é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

Fim da edição Voltar à Revista M&T nº 240
Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →