O impasse da produtividade na construção — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 217Outubro 2017 Matéria 1 de 15
Sumário
  1. EditorialO impasse da produtividade na construção
  2. Gestão De FrotasMarcação cerrada no desperdício
  3. Gestão De FrotasControvérsia conceitual
  4. EscavadeirasA preferência nacional
  5. MineraçãoLiberdade de movimento
  6. LançamentoDescolando da concorrência
  7. Reciclagem De AsfaltoTecnologia a serviço da qualidade
  8. LançamentoMais tecnologia na máquina
  9. ConcretoAlém do horizonte
  10. Momento ExpoO novo ciclo começa aqui
  11. A Era Das MáquinasO salto tecnológico em perfuração e explosivos
  12. ManutençãoUsando o prontuário elétrico
  13. EntrevistaCOLLIN DAVIS
  14. Compactos & FerramentasApoio essencial no canteiro
  15. Coluna Do YoshioUm legado incomparável
  16. Painel16 notas e colunas
Editorial

O impasse da produtividade na construção

“A busca incessante por produtividade implica aportes em tecnologias de automação e maior industrialização da construção, o que impõe custos fixos elevados às empresas”

Exclusivo M&T 10 de outubro de 2017 · Edição 217

Artigo recente da renomada revista inglesa The Economist traz alguns dados sobre a indústria mundial da construção que merecem a devida reflexão. Segundo os autores, nenhum outro setor da economia global acumula tão poucos ganhos de produtividade quanto a construção civil, malgrado toda a alta tecnologia em equipamentos e processos disponibilizada por fabricantes ao redor do mundo para essa atividade.

Exemplos de atrasos e estouros de orçamentos em obras importantes são citados neste trabalho, em locais tão insuspeitos como Alemanha, Japão e Estados Unidos. Mais que isso, um recente estudo da Universidade de Oxford aponta que “mais de 90% das obras de infraestrutura atualmente em andamento no mundo estão atrasadas ou estouraram o orçamento original”.

O fato é que, nessa luta para se tornar mais eficiente, a indústria da construção enfrenta alguns desafios, como deixar de ser o setor com os menores ganhos de produtividade entre todos os setores produtivos. O artigo cita estudo da consultoria McKinsey para mostrar que, nos últimos 20 anos, “a média mundial de valor adicionado por hora registrou crescimento anual de cerca de 1%, taxa correspondente a apenas 25% da observada no setor industrial”.

Para tentar explicar isso, aventa-se que o setor da construção faça uso menos intensivo de capital, substituindo máquinas por trabalhadores, por exemplo. Além disso, a busca incessante por produtividade implica aportes em tecnologias de automação e maior industrialização da construção, reitera o estudo. No entanto, o investimento em máquinas também impõe custos fixos elevados, sendo que a volatilidade na demanda leva ao contingenciamento dos aportes no setor. Também é citada a ausência de consolidações entre as construtoras, o que impede ganhos de escala.

Como se vê, há um longo caminho a percorrer. E para nós brasileiros, que lutamos para sair da maior crise institucional e econômica da era republicana, essa trilha tem tudo para ser ainda mais árdua. Afinal, com investimentos em infraestrutura na ordem de 2,18% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 20 anos – segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) –, a tendência é que continuemos um bom tempo entre as nações mais atrasadas nesse quesito. Pelos cálculos da CNI, para se aproximar dos demais países emergentes o investimento nacional em infraestrutura deveria ficar entre 4% e 5%, permitindo assim superar os gargalos em nossos modais e estimular a produtividade por meio da absorção de tecnologias mais eficientes, que os centros globais de pesquisa e desenvolvimento não param de criar e disponibilizar para os canteiros de obras ao redor do mundo e o leitor – como sempre – pode vislumbrar nas próximas páginas. Boa leitura.

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