Novas soluções demandam investimentos — Revista M&T
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Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 176Fevereiro 2014 Matéria 15 de 15
Sumário
  1. EditorialUm novo modelo de crescimento para o Brasil
  2. Mineração SubmarinaA fronteira final
  3. Mineração SubmarinaTecnologias auxiliam na exploração do solo marinho
  4. Jumbos De PerfuraçãoAlta tecnologia na construção de túneis
  5. Combustíveis AlternativosMuito além do petróleo
  6. Transportes EspeciaisFalta de investimentos aprofunda deficiência logística
  7. BritagemEspecificação correta otimiza investimentos
  8. BritagemTecnologia analítica
  9. Momento M&T Peças E ServiçosPaís avança em programa de concessões
  10. A Era Das MáquinasA vez dos orientais: Da ferramentaria à construção e mineração
  11. ManutençãoComponentes hidráulicos exigem atenção permanente
  12. Entrevista"Atendimento capacitado amplia a rentabilidade"
  13. Suplemento Especial - Compactos & FerramentasEficácia para golpeamento em superfícies
  14. Coluna YoshioOs limites da tecnologia
  15. Combustíveis AlternativosNovas soluções demandam investimentos
  16. Painel14 notas e colunas
Combustíveis Alternativos

Novas soluções demandam investimentos

Para se tornar viável, inserção de novos sistemas propulsores como híbridos, elétricos, a gás natural e a pilha exige ajustes tecnológicos, econômicos e sociais

Exclusivo M&T 6 de fevereiro de 2014 · Edição 176

Em relação às novas fontes de energia, é necessária uma conjugação de investimentos consideráveis por parte do Estado e da indústria privada. No âmbito estatal, dizem os especialistas, é importante que haja leis de incentivo à sua utilização, desde a produção até a distribuição e adequação dos motores. Por outro lado, no âmbito empresarial privado, como as indústrias de veículos, peças e combustível, é essencial investir na adaptação das tecnologias dos veículos e na infraestrutura de abastecimento, inclusive oferecendo preços mais competitivos para consumo.

Em países em desenvolvimento como o Brasil, essa modificação seria quase impraticável no médio prazo, por conta dos altos custos e taxas de juros aqui praticadas pelo mercado financeiro. A melhor forma de iniciar essa adaptação é pesquisando soluções locais, e não globais. “A seleção de alternativas energéticas produzidas localmente, como os biocombustíveis, por exemplo, pode se configurar numa excelente contribuição para a sustentabilidade econômica ao reduzir a transferência de seus recursos para outras localidades”, descrevem Suzana Kahn Ribeiro e Márcia Valle Real, autoras do livro “Novos Combustíveis”.

Como se vê, o preço é uma das peças-chave da questão. O combustível alternativo precisa ser mais barato que a gasolina e o diesel e, se tiver um rendimento energético menor, também deve ser proporcionalmente mais barato que a queda registrada no rendimento. “Muitas vezes, o preço dos combustíveis nos postos não é o valor real, pois recaem sobre ele taxas e tributos que aumentam consideravelmente o preço final”, explicam as especialistas.

Com isso, é preciso ater-se aos ajustes econômicos e sociais que são deflagrados com a inserção de novos combustíveis, tais como o número de postos de trabalho que isso vai gerar ou excluir, a redução dos impactos sobre a saúde das pessoas, as possibilidades de implantação de empresas em determinadas regiões e outros fatores cruciais de sustentabilidade social, econômica e ambiental.

TEORIA

Além disso, é preciso desenvolver uma série de dispositivos para o sistema propulsor aceitar e operar com o combustível de forma rentável. Desse modo, a adequação dos motores para uso de combustíveis alternativos é um fator primordial.

Um bom exemplo é o sistema flex, já bastante comum em veículos leves de passeio em todo o mundo. Com um sistema regulado por meio de um dispositivo eletrônico de injeção, o recurso oferece a possibilidade de se misturar gasolina e etanol no mesmo tanque. Assim, é calculada a quantidade adequada para gerar a combustão por centelha, em um processo conhecido por “Ciclo Otto”.

Já em veículos bicombustíveis, também de Ciclo Otto, os dois combustíveis são armazenados em tanques separados e podem ser acionados conforme a preferência do condutor. O caso mais comum é a adaptação de um tanque de GNV em um sistema a álcool, pois ambos possuem taxas altas de compressão, assegurando maior eficiência.

Outra solução, o Dual-Fuel – ou sistema de combustível misto – substitui parcialmente o óleo diesel por GNV ou outros combustíveis, como derivados de biomassa. Nesse caso, o diesel atua como injeção-piloto que fornece energia suficiente para inflamar a mistura de ar e gás natural. Ou seja, o motor funciona inicialmente por ciclo diesel (via compressão) e depois por Ciclo Otto, via centelha. Uma vantagem importante desse sistema é a facilidade com que trabalha com óleo diesel, fornecendo maior autonomia aos veículos quando há poucos postos de abastecimento disponíveis com GNV.

A utilização de motores que incorporam dois sistemas, aliás, se enquadra na categoria de veículos híbridos. Recebendo atualmente altos investimentos (a indústria de equipamentos, por exemplo, vem aumentando a oferta desse tipo de produto), essa solução oferece um motor parcial (quando paralelo) ou inteiramente (em série) movido a energia elétrica. Nos sistemas paralelos, os veículos operam com opções de motor elétrico e de combustão interna. Já o motor híbrido em série trabalha com um motor convencional Otto ou a diesel, em que a combustão é acoplada a um gerador para produzir energia elétrica e acionar uma série de baterias que, por sua vez, alimentam o motor elétrico. Essa tecnologia pode ser aplicada tanto em veículos pesados como leves, utilizando qualquer combustível convencional ou mesmo alternativo, como etanol, GNV, biodiesel e outros.

PRÁTICA

Dentre os fabricantes, a Komatsu faz uso dessa tecnologia desde 2011, já tendo apresentado comercialmente dois equipamentos com motorização híbrida. Tratam-se da escavadeira HB205-1, de 21 toneladas, e da empilhadeira FB20HB, em versões de 1,5 e 2,5 t. Ambos os modelos são comercializados mundialmente, inclusive no Brasil, onde a escavadeira já tem cerca de 50 unidades produzidas desde 2011 e as primeiras empilhadeiras foram vendidas no ano passado. “No caso das escavadeiras, a produção é local, em nossa fábrica de Suzano”, explica Vladimir de Rafael Machado Filho, engenheiro da promoção de vendas e engenharia de aplicação da fabricante.

Além desse sistema híbrido, também pode ser utilizado o gás hidrogênio em veículos movidos por Ciclo Otto, da mesma forma que o GNV é utilizado em motores de ciclo diesel. Esse combustível está em desenvolvimento para ser utilizado em motores de bicombustível, portanto sem quaisquer problemas de adequação. Por outro lado, a falta de infraestrutura para produção e distribuição desse gás torna-se um obstáculo para sua adoção em larga escala.

Mas outros sistemas já estão em desenvolvimento na indústria, como é o caso dos veículos elétricos a bateria. Como principal atrativo, esses novos dispositivos oferecem baixa emissão de ruídos e poluentes, sem emissões locais (Zero Emission Vehicle – ZEV). No entanto, ainda há dificuldade na estocagem a bordo das baterias, que são volumosas, pesadas e requerem tempo excessivo para recarga. Além disso, sua inserção no mercado ainda é limitada pelo custo, tempo de vida e necessidade de reciclagem das baterias.

Acionado por meio de uma rede elétrica suspensa, o sistema é similar ao dos antigos veículos de transporte elétricos com alimentação externa, como o trólebus. No caso, a necessidade de instalação de redes dificulta a implantação do sistema e limita o acesso dos veículos fora das principais vias dos centros urbanos, o que o torna pouco viável.

Já os veículos com pilha a combustível constituem um método mais viável, pois não descarregam e, consequentemente, não necessitam de carregamento. Ou seja, trata-se de um dispositivo de geração e não de estocagem de energia. A partir de um combustível oferecido, ele gera energia por reação eletroquímica sob a forma de eletricidade e calor, sem combustão. Nesse caso, o combustível mais indicado é o hidrogênio, uma solução bem mais promissora no longo prazo.

Nesse sentido, há duas formas de o setor de transportes utilizar a pilha a combustível como combustível. A primeira consiste em estocar o gás no veículo, enquanto a outra exige a produção do gás a bordo por meio de um sistema de reforma, processo de conversão química de produtos orgânicos hidrogenados – que podem ser combustíveis renováveis ou não –, gerando o H₂ a bordo.

GÁS NATURAL

Já o gás natural fóssil (ou GN) está mais bem distribuído geograficamente do que o petróleo, ainda que 70% das reservas estejam no Oriente Médio e em países da antiga Cortina de Ferro. Segundo dados divulgados pela petrolífera BP, em 2013 as reservas provadas de GN somaram mais de 187 trilhões de m³. Porém, mesmo diante desse cenário positivo, ainda é mais dispendioso transportar o gás do que o petróleo. Isso porque o gás tem um teor energético relativamente mais baixo por unidade de volume, tornando o transporte do GN aos pontos de consumo mais crítico para a cadeia logística, o que inclusive pode inviabilizar a exploração em áreas remotas, que equivalem de 10 a 30% das reservas.

Para vencer os desafios logísticos, principalmente quando é inviável a construção de um gasoduto, o GN passa por um processo de liquefação, ou conversão química. Uma instalação típica de Gás Natural Liquefeito (GNL) reduz em aproximadamente 600 vezes o volume do gás, facilitando o armazenamento e transporte. Segundo especialistas, o transporte do GNL, juntamente com o processo de produção e regaseificação, geram perdas de 10 a 15% do gás, enquanto o transporte equivalente por gasodutos gera perdas de apenas 1 a 2% de GNL.

Grande parte do transporte do GNL é feito por navios especiais, capazes de transportar mais de 60 mil toneladas do combustível. Em 2003, a frota somada para esse fim era de pouco mais de cem navios. Ao todo, o custo de transporte, unidades de liquefação, estocagem em porto e distribuição chega a bilhões de dólares, configurando um processo de capital intensivo e que exige contratos para exploração superior a 20 anos.

Na intenção de solucionar os altos custos da operação, principalmente no transporte, surgiu como solução o sistema de liquefação Gas-to-Liquids (GTL), ou conversão química de gás em líquidos. Essa conversão transforma as moléculas gasosas em líquidos estáveis, servindo de matéria-prima para a petroquímica e de combustível para o transporte. O processo consiste em transformar o GN em gás de síntese, uma mistura gaseificada resultante da combustão de materiais ricos em carbono, como carvão e madeira. Em seguida, o gás passa pela conversão F-T, transformando-se em hidrocarbonetos, que podem ser refinados para obtenção de nafta e diesel sintético.

A tecnologia GTL, aliás, possui um interesse comercial crescente no mundo. No caso do Brasil, um país extremamente rico em gás natural, a Bacia do Solimões (AM) se mostra viável para grandes extrações em áreas mais remotas. Segunda a Petrobras, é estimado que o local possua a segunda maior reserva de GN do país, com 52,8 bilhões de m³, atrás apenas do Rio de Janeiro. Com investimentos de R$ 4,5 bilhões, foi inaugurado em 2009 um gasoduto interligando a Bacia de Urucu com Manaus, percorrendo 660 km de linha tronco e 140 km em ramais para outras cidades. A estrutura possui capacidade para transportar diariamente 5,5 milhões de m³ do gás.

 

 

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