Muito mais que potência — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 305Julho de 2026 Matéria 3 de 11
Sumário
  1. EditorialManutenção preditiva muda as operações
  2. DigitalizaçãoAs vertentes de uma evolução
  3. RetroescavadeirasMuito mais que potência
  4. InfraestruturaOs desafios de engenharia em obras subterrâneas
  5. MineraçãoControle de desgaste em aplicações severas
  6. MineraçãoA evolução técnica em lubrificantes
  7. LançamentoJCB lança retroescavadeira 3CX Plus no mercado brasileiro
  8. A Era Das MáquinasAscensão e queda de uma empresa 100% nacional
  9. ManutençãoO tratamento de óleos usados ou contaminados
  10. Entrevista – Kelly Rech Pedroni“O cliente não compra apenas o equipamento”
  11. Coluna Do YoshioUm novo interlocutor para antigas questões
  12. Painel24 notas e colunas
Retroescavadeiras

Muito mais que potência

Ergonomia, conectividade, segurança e manutenção inteligente transformam a experiência do operador e ampliam a disponibilidade dos ativos na frente de trabalho

Exclusivo M&T 14 de julho de 2026 · Edição 305
imagem: JCB

Durante décadas, a retroescavadeira construiu reputação como uma das máquinas mais populares da construção.

Essa fama deve-se à versatilidade para executar atividades de escavação, carregamento, movimentação, abertura de valas e inúmeras outras, tornando-a requisitada em obras urbanas, de infraestrutura e saneamento, na agricultura e na locação.

Nos últimos anos, contudo, o mercado passou a exigir mais do que robustez e capacidade hidráulica.

O cenário atual é marcado por crescente escassez de operadores e busca incessante por aumento de produtividade e redução de custos. Em paralelo, aumentaram as exigências relacionadas à segurança, ao conforto dos operadores e à disponibilidade.

Essa combinação provocou uma mudança na forma como são projetadas as retroescavadeiras.

Se antes o desenvolvimento concentrava-se na força de escavação, capacidade de carregamento e desempenho mecânico, os fabricantes passaram a direcionar investimentos à ergonomia, interfaces digitais, sistemas de assistência ao operador, monitoramento remoto e soluções que reduzam o tempo de máquina parada.

Essa transformação também é impulsionada pela renovação da força de trabalho.

Empresas de construção e locação enfrentam dificuldades para contratar e reter profissionais experientes, o que exige equipamentos mais intuitivos, fáceis de operar e capazes de reduzir a curva de aprendizado.

Em muitos casos, a própria máquina passou a desempenhar papel importante na capacitação, auxiliando o operador iniciante na execução de tarefas e minimizando erros operacionais.

Outro fator é a crescente digitalização. Antes restritas a equipamentos de maior porte, soluções como telemetria, conectividade e diagnóstico remoto tornaram-se cada vez mais comuns.

Atualmente, é possível monitorar consumo de combustível, horas trabalhadas, localização, produtividade e condições de manutenção em tempo real, ampliando o controle sobre os ativos.

Ao mesmo tempo, a preocupação com sinistros elevou a importância de rastreamento, controle de acesso e geolocalização.

A proteção patrimonial deixou de ser vista como um diferencial e passou a integrar o conceito de disponibilidade operacional.

O resultado é uma nova geração de retroescavadeiras, mais conectada, inteligente e centrada no operador, refletindo as mudanças no paradigma de desenvolvimento.

ERGONOMIA

Nos projetos atuais, a evolução da ergonomia é um dos movimentos mais nítidos.

Antes tratado como complemento, o conforto passou a ser visto como um elemento ligado diretamente à produtividade, à segurança e – inclusive – à retenção de operadores.

“Essa transformação está diretamente associada às mudanças do perfil operacional”, assinala Laura Stumpf, especialista de produto da Case CE para a América Latina.

Destaque da retroescavadeira 580N da Case, o sistema Pro Controlsuaviza os movimentos do braço traseiro durante a escavação. Imagem: CASE CE

“Os operadores passaram a exigir ambientes mais confortáveis, seguros e intuitivos, capazes de reduzir o desgaste físico ao longo da jornada.”

Entre as soluções adotadas pela marca está o sistema Pro Control, uma tecnologia desenvolvida para suavizar os movimentos do braço traseiro durante a escavação.

O recurso reduz impactos, melhora a precisão dos movimentos e proporciona maior controle operacional, especialmente em escavações delicadas ou repetitivas.

A fabricante adota ainda a utilização de cabines mais silenciosas e espaçosas, com certificação ROPS/FOPS, equipadas com assentos pneumáticos e comandos ergonomicamente posicionados.

Outro item citado é o sistema Extendahoe, que amplia o alcance e a profundidade de escavação.

“Além de aumentar a produtividade, esse dispositivo reduz a necessidade de reposicionamentos frequentes, diminuindo o esforço físico e mental”, aponta Stumpf.

A Caterpillar segue caminho semelhante. Segundo o consultor de produtos para retroescavadeiras Paulo Plocharski, a partir deste ano a fabricante passou a oferecer opção de joysticks pilotados para o modelo 416.

“Essa opção proporciona maior suavidade nos movimentos, exigindo menos esforço físico, em comparação com o uso tradicional de múltiplas alavancas”, diz.

“A mudança reduz a fadiga e melhora a precisão, especialmente em aplicações que demandam maior controle hidráulico.”

Opção de joysticks pilotados exige menos esforço físico do operador do modelo Cat 416. Imagem: CATERPILLAR

A fabricante destaca ainda a evolução da visibilidade. “Áreas envidraçadas ampliadas oferecem campo visual próximo de 360o, melhorando a forma como o operador interage com o ambiente, pois reduz movimentos repetitivos”, explica Plocharski.

“Dessa maneira, requer menos giro de tronco, pescoço e cabeça para visualizar o entorno, mantendo uma posição mais natural e confortável na cabine.”

Outro item relevante, segundo Plocharski, é a adoção de recursos como a coluna de direção escamoteável do modelo 420, que facilita o acesso à cabine e permite um ajuste mais adequado à posição de operação.

“Além disso, o assento pneumático com rotação absorve melhor as vibrações e oferece a possibilidade de alternar entre as posições de condução e operação”, acrescenta.

CONFORTO

Na JCB, o recém-lançado modelo 3CX Plus (leia reportagem nesta edição) foi concebido para atender à demanda por conforto e facilidade operacional.

Desenvolvida por equipes do Brasil, Índia e Inglaterra, a máquina incorpora recursos como transmissão EasyShift, que facilita as trocas de marcha, torna o deslocamento mais simples e reduz a dependência da habilidade.

Dentre os itens oferecidos, o modelo conta com sistema de freios hidráulicos assistidos Power Brakes e bomba hidráulica de fluxo variável.

De acordo com Etelson Hauck, diretor de engenharia e estratégia de produto da JCB para a América Latina, a bomba ajusta automaticamente a demanda de óleo, conforme a necessidade.

“Isso garante eficiência ao sistema hidráulico, reduz perdas de energia e melhora a precisão dos movimentos”, garante.

O modelo 3CX Plus foi concebido pela JCB para atender à demanda por conforto e facilidade operacional. Imagem: JCB

Em sua Série C, a New Holland também direcionou grande parte dos esforços para o conforto do operador.

O projeto foi desenvolvido a partir de pesquisas com clientes, operadores e concessionários, permitindo identificar os fatores que influenciam a experiência de operação.

“Esse processo permitiu entender que o cliente valoriza aspectos como boa visibilidade, operação simples, conforto em longas jornadas, facilidade de manutenção e alta disponibilidade”, revela Pedro Avelar, especialista de produto da marca para a América Latina.

Segundo ele, um dos principais avanços está na ergonomia dos comandos. “A alavanca multifuncional da carregadeira torna a operação mais simples, reduz movimentos repetitivos e facilita o aprendizado, contribuindo para o conforto e a produtividade”, conta Avelar.

A John Deere, por sua vez, desenvolve as cabines do modelo 310 P levando em conta características físicas de operadores de diferentes regiões.

Segundo Alexandre Lanza, gerente de marketing de produto da fabricante, o aprimoramento desse componente é contínuo, orientado por características como estatura e biotipo dos operadores locais.

“Cada elemento do posto de trabalho é pensado para manter os controles ao alcance, reduzindo movimentos desnecessários e tornando a operação mais natural e eficiente”, assegura.

Um exemplo dessa evolução, diz ele, está em soluções que minimizam o esforço operacional, como sistemas mais intuitivos de troca de marchas, incluindo transmissão PowerShift por meio de alavanca torcional, que reduz o movimento de braços e mãos, contribuindo para uma jornada mais confortável.

“A ergonomia é um dos pilares no desenvolvimento de novos equipamentos, especialmente quando se trata de atender a mercados locais”, reforça Lanza.

INTERFACE

A escassez de mão de obra transformou a interface homem-máquina em um dos principais focos de desenvolvimento.

Na prática, o desafio é tornar a operação mais intuitiva, reduzindo a curva de aprendizado e permitindo que profissionais menos experientes alcancem níveis satisfatórios de produtividade em menor tempo.

Nessa missão, a Case retoma o sistema Pilot Control, que permite alternar instantaneamente entre o padrão de operação retro (SAE) ou escavadeira (ISO).

“Isso reduz o tempo de adaptação e aumenta a produtividade, pois o mercado não tem tempo a perder com processos complexos de treinamento ou adaptação”, pondera Stumpf.

A Caterpillar, por sua vez, aposta na integração entre ergonomia e funcionalidade.

Um dos exemplos é o engate rápido hidráulico, que permite trocar implementos diretamente da cabine. Além de reduzir o tempo necessário para substituição de ferramentas, o sistema evita que o operador precise deixar o posto de trabalho.

Outro avanço é a introdução da transmissão PowerShift nos modelos 416 e 420. “Além de reduzir o esforço, esse sistema permite a troca de marchas sem acionar a embreagem, prometendo uma operação mais simples, suave e eficiente”, conta Plocharski.

“Adicionalmente, o modelo 420 traz transmissão AutoShift, que automatiza a seleção de marchas conforme as condições de operação.”

Na JCB, alguns recursos especiais foram desenvolvidos para simplificar tarefas que exijam maior habilidade. O Return to Dig, por exemplo, automatiza o retorno da caçamba à posição definida de escavação.

“O sistema padroniza o ciclo, reduz a variabilidade entre operadores e aumenta a repetibilidade dos movimentos”, explica Hauck.

Por sua vez, a transmissão EasyShift permite trocas de marcha de forma mais simples e com menor esforço, devido à alavanca única FNR e à velocidade, tornando o deslocamento mais fluido e controlado.

“Complementando esse sistema, o recurso Kickdown possibilita reduções de forma rápida através de um botão no assoalho, o que garante melhor resposta sem a necessidade de uma intervenção mais complexa do operador”, descreve o especialista.

Nas retroescavadeiras da Série C da New Holland, os comandos foram organizados de forma lógica e ergonômica para permitir acesso rápido às principais funções e reduzir movimentos desnecessários.

“O sistema de controle da carregadeira por alavanca multifuncional é um diferencial importante, pois proporciona comandos mais intuitivos, maior precisão e menor curva de aprendizado”, conta Avelar.

Projeto da Série C da New Holland foi desenvolvido com foco em fatores que influenciam a experiência de operação. Imagem: NEW HOLLAND

No interior da cabine, o painel de instrumentos evoluiu para oferecer leitura rápida e objetiva das principais informações da máquina, com indicadores visuais e alertas sonoros que auxiliam no monitoramento dos sistemas.

Além disso, recursos como velocímetro integrado e controle de RPM ajudam a adaptar a máquina às diferentes aplicações.

Na John Deere, a retroescavadeira 310P tem um console com comandos organizados “de forma ergonômica e de fácil acesso”, permitindo uma operação mais intuitiva e natural.

“Opções de controle por joystick com sistema pilotado, monitor integrado e coluna de direção com ajuste de ângulo também melhoram a ergonomia”, diz Lanza.

Além disso, ele prossegue, a transmissão PowerShift semiautomática simplifica a interação com o equipamento, eliminando a necessidade de trocas manuais constantes.

Aprimoramento da cabine da John Deere 310 P leva em conta características de operadores de diferentes regiões do mundo. Imagem: JOHN DEERE

“Com essas evoluções, a 310 P reforça nosso compromisso de tornar a operação mais simples, eficiente e centrada no operador”, salienta.

SEGURANÇA

Outro fato é que, nas retroescavadeiras modernas, a segurança vai muito além da resistência estrutural das cabines.

Embora certificações ROPS/FOPS continuem fundamentais, os fabricantes passaram a investir em tecnologias capazes de ampliar a “consciência situacional do operador”, reduzindo riscos durante a operação.

Na Case, por exemplo, a segurança está associada à combinação entre visibilidade, estabilidade e previsibilidade dos movimentos.

A fabricante utiliza sistemas de travamento capazes de bloquear estabilizadores, lança, braço e caçamba em diferentes níveis, reduzindo o risco de movimentações involuntárias.

A Caterpillar oferece recursos de teclado numérico para autorização de partida, travamento hidráulico dos implementos, estabilizadores com válvulas de retenção e sistemas avançados de iluminação LED.

“Alarmes visuais e sonoros complementam o monitoramento dos principais sistemas da máquina”, acrescenta Plocharski.

Além de freios Power Brakes, os destaques da JCB incluem diferencial LSD e acionamento automático da tração 4x4 durante as frenagens.

De acordo com Hauck, esses sistemas contribuem para melhorar a estabilidade e aumentar o controle em diferentes condições de terreno.

Ainda no campo da segurança, Hauck explica que a máquina incorpora soluções como o sistema Guide Me Home, que mantém a iluminação ativa por um período após o desligamento do equipamento, facilitando o acesso em ambientes com baixa luminosidade.

“Além disso, os faróis em LED proporcionam melhor visibilidade durante operações noturnas”, diz.

A John Deere, por sua vez, aposta no freio de estacionamento SAHR, que atua automaticamente em situações de perda de pressão hidráulica. Associado ao sistema de partida por senha e ao monitoramento constante dos parâmetros operacionais, o recurso amplia a segurança em terrenos inclinados e situações críticas.

Já nas retroescavadeiras da Série C da New Holland, o conjunto formado por cabine com ampla área envidraçada, colunas mais estreitas e braço traseiro curvo e mais estreito proporciona ampla visibilidade operacional e redução de pontos cegos.

Outro destaque está nos sistemas de monitoramento da máquina.

“O painel de instrumentos possui indicadores de fácil leitura e alertas visuais e sonoros, que auxiliam o operador no acompanhamento contínuo das funções vitais do equipamento”, arremata Avelar.


TECNOLOGIA
JCB lança retroescavadeira a hidrogênio no Reino Unido

Realizado na sede mundial em Rocester, o lançamento comercial da retroescavadeira 3CX Hydrogen representa um marco da caminhada para produção em série de produtos concebidos para a tecnologia.

Equipada com motor de hidrogênio de 55 kW, a máquina promete manter a potência e o torque da equivalente a diesel.

Com motor de 55 kW a hidrogênio, retroescavadeira 3CXHydrogen promete potência e torque equivalentes ao diesel. Imagem: JCB

Segundo a empresa, os intervalos de manutenção de 500 h equivalem às versões a diesel, embora devam aumentar devido à queima limpa do combustível, que é menos prejudicial ao motor.

Com substituição direta (“drop-in”), a máquina mantém a arquitetura convencional, incluindo eixos, transmissão e hidráulica, permitindo que seja mantida e reparada em qualquer lugar do mundo.

Armazenado em tanques acima da cabine a 350 bar, o hidrogênio é regulado para 20 bar ao fluir para o motor.

Durante o lançamento, foi demonstrado ainda o sistema HYKIT, um carregador móvel montado em reboque.

De acordo com a JCB, “uma única unidade é capaz de manter a 3CX a hidrogênio operacional por cerca de uma semana”.


Saiba mais:
Case CE: www.casece.com/pt-br
Caterpillar: www.cat.com/pt_BR
Forza: https://forzabr.com.br
JCB: www.jcb.com/pt-BR
John Deere: www.deere.com.br/pt
New Holland: https://construction.newholland.com/pt-br

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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