As máquinas importadas ocuparam o espaço do bem nacional no investimento produtivo durante o terceiro trimestre deste ano. Enquanto a produção doméstica de bens de capital encolheu 2,2% de junho a setembro em relação ao período abril-junho na série que desconta influências sazonais, o volume importado dos mesmos itens aumentou expressivos 16,1% em igual comparação. Assim, sustentado pelos importados, o consumo aparente de bens de capital cresceu 3,8% no terceiro trimestre, o quinto período consecutivo. Se a comparação for com o mesmo período do ano passado, a importação de bens de capital foi 75,8% maior, segundo cálculos do Departamento Econômico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"A expectativa é de crescimento da formação bruta de capital fixo [FBCF] no terceiro trimestre, puxada pela importação de bens de capital. Os dados de produção, que apresentaram queda, tornaram-se pouco importantes frente à expansão robusta da importação de bens de capital", observa Marcelo Nascimento, economista do BNDES. O resultado de queda da produção doméstica, diz ele, é um sinal de acomodação, mas não de retração, mesmo que tenha acontecido antes da produção de bens de capital voltar ao patamar pré-crise. A produção em setembro foi 8,7% inferior a de setembro de 2008, recorde histórico de produção do setor, segundo os dados do IBGE.