Locadora com espírito de distribuidora — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 156Abril 2012 Matéria 16 de 19
Sumário
  1. EditorialO valor dos profissionais brasileiros
  2. Obras No ExteriorSaindo da zona de conforto
  3. TuneladorasUm modelo para cada aplicação
  4. Equipamentos De ApoioMobilidade e personalização
  5. Equipamentos De ApoioSobre chassi ou cavalo mecânico?
  6. Equipamentos De ApoioA resposta contra a ofensiva chinesa
  7. Tomada De ForçaA força do motor para a movimentação do implemento
  8. MineraçãoAreia de brita avança no mercado
  9. Gestão De CombustívelProdutividade a toda prova
  10. M&T Expo 2012Maior feira do setor já movimenta o mercado
  11. FabricanteQue venham os asiáticos
  12. FabricanteDe olho nas necessidades do cliente
  13. EmpresaKGC amplia instalações em São Paulo
  14. LançamentoAusa retoma a produção no Brasil
  15. LançamentoCummins apresenta nova linha de geradores
  16. DestaqueLocadora com espírito de distribuidora
  17. ManutençãoComo cuidar dos filtros de ar
  18. PerfilA lição vem de casa
  19. InternacionalFortalecendo a infraestrutura regional
  20. Painel5 notas e colunas
Destaque

Locadora com espírito de distribuidora

Com quase 40 anos de mercado, a carioca Trimak expande sua atuação para os segmentos de britagem, demolição e pavimentação, além de investir em novas instalações

Exclusivo M&T 27 de abril de 2012 · Edição 156

Fundada no Rio de Janeiro no início dos anos 1970, a Trimak Engenharia e Comércio nasceu como uma distribuidora de equipamentos para o setor de obras rodoviárias, com enfoque na produção e aplicação de asfalto. Fruto do empreendimento de três engenheiros, a empresa ocupou espaço em um mercado nascente que, à época, já demandava mão de obra especializada no país.

No decorrer dos anos, ela foi agregando novas linhas de produtos, assumindo a distribuição dos rolos compactadores da Dynapac, em 1983, e das empilhadeiras Yale (então Equipamentos Itamaraty), em 1987. Em 1995, com a aquisição da Usemak, distribuidora das marcas Agrale e Bobcat, a Trimak se estabelece em São Paulo. Outras linhas de produtos foram então agregadas, como as varredeiras Tennant, até que, em 1996, a empresa começa a atuar no mercado de locação, principalmente de plataformas elevatórias e empilhadeiras. A partir daí, ela passa a priorizar esse braço do negócio.

Em 2003, o sócio João Alberto Darwich adquire a totalidade da empresa. Com isso, houve uma mudança na estratégia de investimentos, voltando-se para a demanda crescente do mercado de plataformas e torres de iluminação – no qual a Trimak foi precursora, comprando as primeiras dez unidades da Genie, marca da qual se tornaria o maior cliente na América Latina.

Durante seu desenvolvimento como locadora, a empresa sempre manteve a vocação de distribuidora com uma forte vertente técnica, a ponto de, até os dias atuais, todo o seu quadro de profissionais, da direção ao segundo nível gerencial, ser composto exclusivamente por engenheiros. Com isso, ela incorporou conhecimentos específicos da distribuição, incluindo apuração de custos, rotinas, manutenções preventivas e corretivas e todos os cuidados que envolvem a operação dos equipamentos. E isso se tornou um diferencial importante para a empresa.

“A gente vê erros grosseiros no mercado, relacionados à avaliação de alguns equipamentos, e isso ocorre porque, na maioria das vezes, os executivos não têm a cultura de distribuição, como é o nosso caso”, explica Armando Nassiff, gerente da Trimak, que cita um exemplo: “até por amadorismo, algumas empresas locam manipuladores telescópicos por hora livre, o que é uma loucura. Se o equipamento trabalhar menos de 200 horas, o custo do pneu será em torno de 5% do valor da locação mensal, ou seja, o jogo de pneu vai durar um ano. Mas se ele rodar 280 horas, seu custo de pneus vai pular para cerca de 15% a 20% do valor da receita.”

Por esse motivo, Nassiff explica que, para a Trimak, a locação funciona como um atendimento pós-venda diário, em que a relação com o cliente é constante. “Queremos que ele seja bem atendido, produza o máximo com a máquina e também a use dentro da especificação, de modo a não sacrificar o equipamento.” Ele ressalta que, além dos aspectos fiscal, financeiro e de incentivos, “a locação também confere assertividade à gestão financeira, pois a empresa sabe exatamente quanto vai gastar para tocar o projeto.”

Diversificação contínua

Operando com 230 funcionários, a empresa conta com filiais em São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, além da matriz no Rio de Janeiro. Seu faturamento, que em 2011 chegou a R$ 75 milhões, vem crescendo a um ritmo de 10% a 15% ao ano. E sua frota de equipamentos, composta por quase 2 mil unidades, está presente nas principais obras do país, incluindo a construção de rodovias, indústrias, refinarias, portos, aeroportos e estádios, como o Maracanã (RJ) e a arena do Corinthians, em Itaquera (SP).

Com uma ocupação média da frota de 70%, a Trimak ainda tem nas plataformas elevatórias o seu carro-chefe, mas hoje possui um extenso leque de produtos para locação nos segmentos de energia, construção e elevação de carga, oferecendo desde geradores até unidades móveis de britagem, sua nova aposta de crescimento. “Nessa área, devemos ter um expansão grande nos próximos anos, pois trata-se de um setor que ainda está desabrochando”, avalia Nassiff. “Para isso, adquirimos dois britadores de mandíbula da Finlay, um J-1160 e um J-1175, além de um britador cônico, o C-1540, e uma peneira com capacidade razoável, a 694, para fazer a classificação do material.”

Além de britagem, a empresa também está ingressando na prestação de serviços em demolição e pavimentação, segmento que, segundo o gerente, pode constituir futuramente um negócio à parte, separado da Trimak. “A empresa deve ganhar vida própria à medida que venha a crescer, mas não temos um prazo fixado para isto”, ele comenta.

A contínua expansão das áreas de atuação é uma estratégia ousada, característica que, aliás, tem marcado a trajetória da empresa nesses quase 40 anos de história. “Nossa orientação de negócio sempre foi ficar longe daquilo que todo mundo faz. Quando começavam a fazer, íamos para outro lado”, acentua Nassiff. “No segmento de plataformas, por exemplo, quando os grandes players entraram no mercado, pensamos: ‘o que podemos fazer que eles não querem ou não têm coragem para fazer?’ Pois, nesse segmento de locação, é preciso um pouco de coragem.”

Com muita coragem, as apostas da empresa têm dado resultado, tanto que recentemente ela investiu R$ 6 milhões na instalação de novas unidades, que seguirão um mesmo padrão de arquitetura, engenharia e operação. As construções incluem galpão, escritórios e área de apoio, como refeitório e vestiário, mas o principal são os pátios. “No município de Serra (ES), onde será a central de equipamentos pesados, temos uma área de 18 mil m2, a maior de todas. A obra já está em fase de acabamento e até o meio do ano estará concluída”, informa o executivo. “Em Caieiras (SP), já iniciamos a parte de fundação em uma área de 7 mil m2.”

Completando seu eixo estratégico, a Trimak vem desenvolvendo um modelo de full service, no qual treina e fornece mão de obra para a operação de equipamentos como manipuladores, escavadeiras e britadores. Por fim, para manter tantas conquistas, a empresa se mostra extremamente responsável na fixação de preços. “Existem vários indicadores que têm de ser respeitados”, diz Nassiff. “Não podemos promover a bolha, comprando mais que o mercado demanda, mas também não podemos locar o equipamento por menos que se deve em relação aos custos internos, apenas por uma tática de crescimento. Isso é imaturidade.”

 

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