Linha Amarela em transição — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 303Maio de 2026 Matéria 12 de 12
Sumário
  1. EditorialImpactos do acordo UE-Mercosul no setor de máquinas de construção
  2. Pás CarregadeirasA evolução do produto
  3. GuindastesFase de maturidade e retomada
  4. InfraestruturaOs desequilíbrios da matriz logística brasileira
  5. MotoresO mais interessante para cada situação
  6. RentalRaio-X do rental brasileiro
  7. EmpresaRocester reforça plano de expansão da JCB
  8. LançamentoSincronia no processo produtivo
  9. A Era Das MáquinasMáquinas diferenciadas para serviços específicos
  10. ManutençãoUm estranho tipo de motor
  11. Entrevista – Bruno Jorge"Nosso projeto é dobrar as vendas em cinco anos’’
  12. Coluna Do YoshioLinha Amarela em transição
  13. Painel24 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Linha Amarela em transição

Depois de duas décadas de mudanças silenciosas, a distribuição de máquinas no Brasil começa a dar sinais de uma nova configuração competitiva

Exclusivo M&T 12 de maio de 2026 · Edição 303

Foto: RAIZ CONSULTORIA

Durante décadas, o mercado brasileiro de máquinas da Linha Amarela foi estruturado sobre bases relativamente estáveis.

Marcas tradicionais, majoritariamente europeias, americanas e, depois, japonesas e coreanas, consolidaram não apenas produtos e tecnologia, mas também um modelo conhecido de atuação: distribuição organizada, cobertura territorial, pós-venda, peças e suporte técnico.

Posteriormente, a entrada de marcas japonesas e coreanas ampliou a concorrência, mas sem romper essa lógica.

A mudança mais relevante veio a partir de meados dos anos 2000, com a chegada das marcas chinesas.

Em muitos casos, esse movimento ocorreu por meio de importadores independentes, sem a estrutura tradicionalmente exigida no setor.

Elementos antes considerados indispensáveis — como rede padronizada, forte suporte ao cliente, ampla disponibilidade de peças e disciplina comercial — deixaram de ser pré-condições absolutas para competir.

Naquele momento, o mercado parecia dividido entre dois blocos: de um lado, as marcas tradicionais, associadas a qualidade, tecnologia e suporte; de outro, os novos entrantes, vistos como alternativas de menor custo.

Hoje, essa leitura já não explica bem a realidade.

Depois de duas décadas de mudanças silenciosas, a distribuição de máquinas no Brasil começa a dar sinais de uma nova configuração competitiva.

Após quase 20 anos de evolução, muitos fabricantes chineses ampliaram seus portfólios, melhoraram a qualidade, incorporaram tecnologia e passaram a investir com mais consistência em redes de distribuição, cobertura e reputação.

Já não se trata apenas de vender mais barato, mas de construir presença sólida no mercado.

Essa mudança altera a agenda estratégica dos distribuidores.

Em um ambiente de maior pressão competitiva, margens mais apertadas e clientes mais sensíveis a preço, a ausência de uma marca chinesa no portfólio já começa a gerar desconforto estratégico em parte dos canais.

É nesse contexto que a discussão sobre o modelo multimarca ganha força.

Em setores como automotivo, eletroeletrônicos e varejo, a convivência entre marcas com posicionamentos distintos já se tornou uma forma de ampliar cobertura de mercado e atender diferentes perfis de clientes.

Na Linha Amarela, esse movimento ainda é inicial, mas os sinais já aparecem.

Alguns distribuidores começam a adotar, ainda que seletivamente, uma lógica multimarca para complementar o portfólio, ampliar presença competitiva ou reduzir dependência de uma única bandeira.

Naturalmente, essa transição não é simples, pois desafia a cultura histórica de exclusividade, exige maior sofisticação de gestão e pode gerar conflitos de posicionamento entre marcas.

Ainda assim, a hipótese multimarca já deixou de ser apenas exceção e passou a ocupar espaço relevante na reflexão estratégica do setor.

Talvez este ainda não seja o ano da consolidação plena desse modelo. Mas tudo indica que a distribuição de Linha Amarela entrou em uma fase de transição.

Mesmo que o futuro não seja integralmente multimarca, há sinais claros de que será menos monomarca do que já foi.


*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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