Aproveitar a lama resultante da dragagem de manutenção do canal do Porto do Rio Grande para a produção de energia elétrica e ainda oferecer matéria-prima para a construção civil. Essa é a proposta do Laboratório de Controle de Poluição da Escola de Química e Alimentos (EQA) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A ideia é criar uma Unidade de Tratamento de Sedimentos de Dragagem, planta piloto que deverá ser instalada ainda este ano no Porto Novo do município.
De acordo com um dos idealizadores do projeto, professor Fabrício Santana, junto à professora Cristiane Saraiva Ogrodowski, ambos da EQA, a potencialidade é de uma usina hidrelétrica, com a geração de 580 megawatts/hora, sem a produção de CO2. Segundo eles, as pesquisas mundiais de aproveitamento de sedimento marinho são realizadas em escala de laboratório e dizem respeito à retirada dos sedimentos do fundo do mar. Conforme os professores, o diferencial da proposta rio-grandina é o aproveitamento de material já retirado, oferecendo solução para o problema da destinação do material dragado que ocorre em esfera mundial. Só em dragagem de manutenção, o Porto do Rio Grande produz um volume anual de um milhão e meio de metros cúbicos de sedimentos.
O projeto “Bioconversão dos sedimentos de dragagem do Porto do Rio Grande em energia elétrica” foi aprovado em primeiro lugar no Termo de Referência TR01/2010, do Projeto Estruturante Polo Tecnológico Estadual da Secretaria da Ciência e Tecnologia, que financiará R$ 300 mil em recursos, com contrapartida de R$ 60 mil do Porto do Rio Grande, além do custo estimado em R$ 300 mil pela Furg com o trabalho dos pesquisadores.