A usina hidrelétrica de Jirau entra em seu terceiro ano de construção com desafios ainda maiores do que os vislumbrados no leilão da usina pelos vencedores da acirrada disputa, liderados pela GDF Suez. Os fornecedores já começam a ser procurados para postergar a entrega de equipamentos e o volume de escavação na obra está muito além do previsto, o que levou a construtora Camargo Corrêa a pedir um adicional ao contrato de obras civis de R$ 900 milhões.
Com um investimento caminhando para um acréscimo de 50% além dos R$ 9 bilhões cotados inicialmente, nem mesmo a energia destinada ao mercado livre ainda encontrou quem pagasse o preço de R$ 130 o MWh, que garante retornos mínimos ao empreendimento para compensar a tarifa de R$ 72 do leilão. As linhas de transmissão, que vão ligar Porto Velho à Araraquara, estão atrasadas e não devem ficar prontas antes do cronograma oficial, impedindo antecipações de venda de energia. A licença ambiental para a construção de outra linha, a que liga a usina ao Sistema Interligado, só foi obtida na semana passada. Além disso, a concessionária enfrenta uma disputa com a usina de Santo Antônio em torno da operação dos reservatórios, que está dificultando as pretensões de Jirau em aumentar sua capacidade de geração e, com isso, potencializar retornos.