Impactos do acordo UE-Mercosul no setor de máquinas de construção — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
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M&T nº 303Maio de 2026 Matéria 1 de 12
Sumário
  1. EditorialImpactos do acordo UE-Mercosul no setor de máquinas de construção
  2. Pás CarregadeirasA evolução do produto
  3. GuindastesFase de maturidade e retomada
  4. InfraestruturaOs desequilíbrios da matriz logística brasileira
  5. MotoresO mais interessante para cada situação
  6. RentalRaio-X do rental brasileiro
  7. EmpresaRocester reforça plano de expansão da JCB
  8. LançamentoSincronia no processo produtivo
  9. A Era Das MáquinasMáquinas diferenciadas para serviços específicos
  10. ManutençãoUm estranho tipo de motor
  11. Entrevista – Bruno Jorge"Nosso projeto é dobrar as vendas em cinco anos’’
  12. Coluna Do YoshioLinha Amarela em transição
  13. Painel24 notas e colunas
Editorial

Impactos do acordo UE-Mercosul no setor de máquinas de construção

O acordo UE-Mercosul deve favorecer o acesso do mercado interno a tecnologias mais avançadas, com alta precisão e nível elevado de automação, facilitando a entrada desses equipamentos na região. Por outro lado, também pode afetar a produção local

Exclusivo M&T 12 de maio de 2026 · Edição 303

A União Europeia (UE) aprovou recentemente o aguardado acordo comercial do bloco com o Mercosul. Válido provisoriamente a partir de 1º de maio, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas.

Sob a perspectiva de Bruxelas (centro decisório da UE), o tratado representa uma vitória geopolítica significativa diante da crescente influência da China na América Latina, além de surgir como uma busca por maior previsibilidade tanto para a Europa quanto para países como o Brasil, em um momento em que o governo dos EUA intensifica a imposição de tarifas globais.

Além de aumentar os investimentos, o acordo tende a impactar diretamente o mercado de máquinas de construção por envolver justamente a redução de tarifas, aumento do comércio e maior integração industrial – fatores centrais para esse tipo de bem de capital.

Prevendo eliminação gradual de tarifas para cerca de 90% dos produtos, pode fazer com que as máquinas europeias (geralmente mais tecnológicas) se tornem mais baratas no Mercosul, resultando em redução do Capex em obras.

Dessa forma, tende a favorecer o acesso a tecnologias mais avançadas, com alta precisão e nível elevado de automação, facilitando a entrada desses equipamentos na região.

Atualmente, máquinas e equipamentos já estão entre os principais produtos trazidos da UE, com participação de cerca de 10% nas importações brasileiras.

Isso, evidentemente, pode resultar em aumento da produtividade no setor, acelerando a modernização da infraestrutura local com maior demanda por máquinas, o que deve incentivar a renovação de frotas (inclusive para locadoras).

Além disso, os fabricantes do Mercosul podem exportar mais, principalmente máquinas de menor custo.

Na cadeia produtiva, insumos devem se tornar mais acessíveis, incluindo peças e tecnologias, aumentando a eficiência e reduzindo custos de manutenção e produção de máquinas.

Por outro lado, é esperado um aumento da concorrência externa, com as indústrias do Mercosul podendo perder espaço para produtos europeus mais avançados.

Esse cenário pode resultar em perda de market share, pressão sobre preços e margens e redução da produção doméstica de equipamentos, favorecendo importações em detrimento da produção local.

Ou seja, o efeito do acordo no mercado de máquinas de construção tende a ser ambíguo.

No curto prazo, deve trazer ganhos para as empresas de construção, enquanto no médio e longo prazo podem surgir tensões entre a modernização do setor e uma possível perda de capacidade industrial local, gerando um choque de competitividade. A ver.

Boa leitura.


Silvimar Fernandes Reis
Presidente do Conselho Editorial

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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