Wilson Lirmann: há um movimento intenso por caminhões no país — Revista M&T
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M&T nº 261Fev/Mar 2022 Matéria 14 de 15
Sumário
  1. EditorialAs prioridades da regulamentação de máquinas pesadas na Europa
  2. VibroacabadorasQualidade no ponto certo
  3. EspargidoresEvolução na aplicação de asfalto
  4. Especial InfraestruturaAutossuficiência em energia limpa
  5. Implementos HidráulicosA excelência em desmonte e demolição
  6. CaminhõesProjetando o futuro
  7. LançamentosShowroom de inovação
  8. Gestão De FrotasTecnologia da confiabilidade
  9. EsgA transformação da cadeia de valor
  10. LançamentosLivro apresenta as novas regras para trabalho em altura
  11. Conteúdo De MarcaA maior fundição de aço da América do Sul
  12. A Era Das MáquinasA ascensão da Vermeer Corporation
  13. ManutençãoDesafios para as máquinas híbridas
  14. EntrevistaWilson Lirmann: há um movimento intenso por caminhões no país
  15. Coluna Do YoshioAs oportunidades da transformação
  16. Painel20 notas e colunas
Entrevista

Wilson Lirmann: há um movimento intenso por caminhões no país

Exclusivo M&T 10 de março de 2022 · Edição 261

A participação do segmento nacional de caminhões vem crescendo nos negócios globais do Grupo Volvo. A constatação é relatada por Wilson Lirmann, presidente do conglomerado sueco para a América Latina. Segundo o executivo, o país já é atualmente o segundo maior mercado mundial da marca, atrás apenas dos Estados Unidos. “Em 2021, nossa operação na América Latina representou cerca de 15% do volume global de caminhões entregues pelo Grupo Volvo no mundo todo”, ele revela.

O desempenho do modelo FH 540 é um exemplo desse avanço. Caminhão mais vendido no país desde 2019, o veículo da classe de pesados mantém a liderança entre todas as categorias comercializadas, acima até mesmo dos leves. No ano passado, foram emplacadas 8.935 unidades do modelo, que ganhou versão atualizada a partir de outubro, com a chegada da nova geração de caminhões da marca. Nos últimos dez anos, o FH foi líder no segmento de pesados em oito ocasiões.

Engenheiro mecânico graduado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), com MBA em administração estratégica pela UP (Universidade Positivo), Lirmann atualmente é o principal executivo da Volvo na América Latina, com responsabilidade direta pelas operações de caminhões da marca no Brasil, Argentina, Chile, Peru e demais países da região, sendo o primeiro brasileiro no cargo, que ocupa desde 2016.

O papel de liderança consolida uma longa trajetória na empresa. Há 26 anos no Grupo Volvo, o executivo iniciou a carreira como estagiário na fábrica de Curitiba (PR), em 1990. Após uma breve passagem pelo setor florestal, voltou à Volvo em 1995, já como engenheiro de qualidade do produto. A partir daí, ocupou seguidos cargos de liderança em diferentes áreas, desde serviços até planejamento de produto, passando por suporte técnico, garantia e pós-venda.

Em sua trajetória dentro do Grupo, também acumulou sólida experiência internacional, ocupando diferentes posições na sede mundial da Volvo, na Suécia. “O Brasil continua a ser um dos maiores fornecedores mundiais de commodities agrícolas e minerais, que representam uma grande força motriz do setor de transporte”, ele afirma nesta entrevista exclusiva concedida à Revista M&T.

Acompanhe.


Segundo o executivo, agribusiness e mineração seguem puxando a demanda de caminhões no país

  • Como avalia o desempenho do setor de caminhões no Brasil?

Em 2021, o mercado brasileiro de caminhões registrou um crescimento muito forte, como resultado de vários fatores. Acima de tudo, mantivemos a recuperação do setor de transportes diante da queda registrada em 2020, por conta da pandemia. Há um movimento intenso por caminhões, provocado também pelo robusto aquecimento do agronegócio e da mineração, setores relevantes na economia. O agribusiness, que tradicionalmente é muito competitivo em âmbito internacional, vem quebrando recordes sucessivos na safra de grãos. Esse setor é um grande consumidor de caminhões, principalmente pesados. Já a mineração foi beneficiada pela alta das commodities, devido à expansão global dos negócios e pela relação cambial favorável para as exportações. E essas expansões acabaram afetando positivamente outros segmentos. Outro fator a se levar em consideração é a renovação natural das frotas, pois muitas empresas deixaram de adquirir caminhões durante a crise entre 2016 e 2017, quando o mercado de pesados caiu mais de 70%.

  • Como foi o desempenho da marca em 2021?

No caso da Volvo, não é possível fazer previsões, pois o grupo tem ações cotadas na bolsa. Mas podemos falar do mercado total. No começo de 2021, a Volvo havia feito uma projeção bastante otimista, apostando em um crescimento de cerca de 40%. Até o momento, somos a montadora que mais perto chegou das projeções, pois o mercado cresceu cerca de 50% no acumulado de janeiro a outubro, considerando todas as categorias. No segmento em que a Volvo atua, acima de 16 t, o volume de todas as marcas deve chegar próximo a 95 mil veículos emplacados, confirmando as estimativas.

  • Quanto a operação latino-americana representa nos negócios globais?

A operação na América Latina representou cerca de 15% do volume global de caminhões entregues pelo Grupo Volvo em 2021. A importância da região cresceu em relação a 2020, quando representava 12% do total. Parte disso se deve à boa recuperação do mercado brasileiro, o maior da América Latina e que representa cerca de 85% das nossas entregas no continente.


Mercado latino-americano representa 15% do volume anual de caminhões entregues pela marca no mundo todo

  • Já é possível fazer um balanço do impacto da pandemia?

Após um primeiro momento difícil, ficou clara a importância do transporte por caminhões para garantir a economia operando, mesmo com todas as restrições sanitárias. Fomos rápidos em garantir a produção e os negócios, ao mesmo tempo em que protegíamos nossos funcionários e mantínhamos aberta a rede de concessionários, atendendo ao cliente quando precisasse e onde estivesse. E nossas oficinas continuaram funcionando em todo o país, inclusive para atendimentos emergenciais.

  • Como a tecnologia contribuiu para garantir o atendimento?

Um avanço importante se deu na aceleração da digitalização, que já vinha acontecendo em muitos processos, mas ganhou um impulso decisivo. Um exemplo é o app ‘Voar Mobile’, para atendimento emergencial. Antes, tínhamos inúmeros chamados telefônicos para coletar e passar informações aos transportadores. Agora, é possível acompanhar tudo de forma on-line, com dados em tempo real de cada atendimento. Isso trouxe mais eficiência aos nossos clientes, com os caminhões retornando a rodar ainda mais rápido.

  • E para 2022, quais são as projeções de mercado?

As vendas do Brasil devem continuar crescendo. O mercado está tendo uma forte retomada, mas a indústria ainda sofre com problemas na cadeia de suprimentos, principalmente devido à falta de componentes como semicondutores, pneus e ligas metálicas. Por conta disso, consideramos que ainda é cedo para qualquer previsão, mas acreditamos que o mercado será ligeiramente maior que em 2021.

  • O que pode impactar positivamente a demanda?

O Brasil mantém-se como um dos maiores fornecedores mundiais de commodities agrícolas e minerais, que representam uma força motriz para o transporte. A produção desses setores é escoada principalmente pelo modal rodoviário, reafirmando o caminhão como um fator crucial para a movimentação das riquezas das lavouras e minas até os terminais portuários. Na mineração, a forte demanda deve continuar. E o país deve ter mais uma supersafra de grãos. Assim, o transporte por caminhões será fundamental para mover toda essa produção. Outro ponto positivo é que a renovação das frotas deve continuar. Muitos transportadores adiaram a renovação e, agora, os caminhões estão chegando ao imite de rentabilidade, precisando ser renovados.

  • E o que destacaria como pontos de atenção para o segmento?

Temos a continuidade dos problemas de abastecimento de componentes, que certamente permanecerão até o próximo ano. A Volvo tem trabalhado contínua e fortemente para gerir essa questão, mas é um desafio global que afeta a todos, montadoras e fornecedores. Também temos desafios da conjuntura econômica, como a inflação crescente e a consequente alta dos juros, que encarece o crédito e desestimula o consumo, a produção e os investimentos. Outra questão a ser considerada é um possível movimento de pré-compra de caminhões, por causa da mudança na legislação de emissões no Brasil. A chegada da nova geração de veículos Euro 6 será acompanhada por uma elevação nos preços, em virtude das novas tecnologias introduzidas nos veículos. Considerando o desafio logístico que estamos enfrentando, a capacidade da indústria em atender a esse eventual movimento de pré-compra será limitada.

  • A propósito, como está o tempo de espera no momento?

Mesmo em períodos normais, já antes da pandemia, o prazo de entrega de caminhões era de 60 a 90 dias, dependendo da região e do modelo, por conta das peculiaridades do produto. Agora, com a falta de componentes e a alta procura, os prazos estão mais dilatados, chegando a 150 dias para os modelos mais procurados.

  • Quais são as apostas da marca no mercado latino-americano de construção?

A Volvo é referência nesse segmento. Recentemente, renovamos nossa linha com os mesmos modelos vendidos na Europa. Dentre as novidades está o FMX MAX, que na versão 8x4 tem PBT de 58 t e CMT de 225 t. Trata-se de um veículo indicado para mineração e construção pesada. Além desse, a família FMX conta com outros modelos, e há ainda o modelo VM 32 t, indicado para construção e mineração leve.

  • Qual é o potencial da tecnologia a gás no mercado de caminhões?

Na Europa já temos essa tecnologia, que foi lançada em países onde a infraestrutura para esse tipo de combustível está mais avançada. Mas ainda não temos planos para introduzir esses caminhões na América Latina. Embora tecnicamente viável, o gás ainda enfrenta desafios, principalmente em relação à infraestrutura de distribuição. Além disso, ainda não vemos escala para introduzir caminhões a gás aqui. Como alternativa de descarbonização, acreditamos na evolução dos motores diesel atuais, que estão cada vez mais eficientes e limpos, além da eletrificação, que deve caminhar bem em alguns países da região.

  • Por falar nisso, quais são as principais tendências para os próximos anos?

A Volvo está investindo muito na eletrificação. Entre os fabricantes tradicionais, fomos os primeiros a anunciar a comercialização de caminhões elétricos em alguns mercados europeus. Em 2019, fizemos a primeira entrega de semipesados 100% elétricos na Europa – e naquele mesmo ano apresentamos a tecnologia nos EUA. Mas avançamos muito de lá para cá. Em 2021, anunciamos a oferta de uma linha completa de elétricos na Europa, incluindo modelos pesados como o FH e o FMX. Recentemente, fizemos uma venda importante de elétricos, com 100 unidades do FM Electric para a DFDS, a maior empresa de transporte e logística do norte da Europa. Foi a maior encomenda de caminhões elétricos pesados da Volvo e uma das maiores de todos os tempos em todo o mundo.


A Volvo ainda não tem previsão de introduzir caminhões elétricos no país, diz Lirmann

  • E quando os caminhões elétricos devem chegar ao Brasil?

A estratégia da Volvo é uma comercialização gradativa dos caminhões elétricos em mercados selecionados. No Brasil, nosso plano para esse tipo de veículo está em construção, ainda sem datas definidas para sua introdução comercial.

  • Como avalia a importância crescente das pautas de ESG nesses avanços?

A Volvo nasceu sob os fundamentos da sustentabilidade ao proclamar, logo em sua fundação, os conceitos de Qualidade, Segurança e Respeito ao Meio Ambiente incorporados aos seus produtos. A marca tem sido pioneira em uma série de inovações veiculares sustentáveis, muito antes de o mercado e a sociedade exigirem. Nossos engenheiros continuam desenvolvendo inúmeras novas tecnologias com o objetivo de reduzir o impacto ambiental. O avanço na eletromobilidade em caminhões é irreversível, mas também precisamos continuar avançando em motores a combustão interna de baixas emissões. Soluções como HVO (diesel sintético), biogás e outras ainda terão seu espaço.

Saiba mais:
Volvo Group: www.volvogroup.com/br

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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