Engenharia do exército : batalhões de homens e máquinas — Revista M&T
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M&T nº 83Jun/Jul 2004 Matéria 3 de 16
Sumário
  1. EditorialAmpliando o leque de opções
  2. NotasCurso de qualificação de engenheiros no SICEPOT-RS
  3. QualificaçãoEngenharia do exército : batalhões de homens e máquinas
  4. EntrevistaOs paradigmas da grande mineração
  5. ComunicaçãoComo a Vale do Rio Doce monitora a "saúde" de sua frota
  6. ArtigoGestão de fluidos na manutenção proativa
  7. MetrôMetrô: retomada expansão em São Paulo
  8. OpiniãoA importância da manutenção no incremento da produtividade
  9. AplicaçãoConcessionárias case comemoram performance no agronegócio
  10. ServiçosSoftware para dimensionamento de frota
  11. DenúnciaRoubo de componentes de escavadeiras Komatsu
  12. InovaçãoEngate rápido e acoplamento automático
  13. LançamentoCaterpillar Brasil amplia oferta de baterias
  14. PavimentaçãoPorque nossas vias estão assim ?
  15. MercadoVendas de equipamentos ainda não confirmam retomada
  16. Espaço AbertoGeradores Cummins com funcões integradas
Qualificação

Engenharia do exército : batalhões de homens e máquinas

Exclusivo M&T 1 de junho de 2004 · Edição 83
Engenharia do exército : batalhões de homens e máquinas

Em palestra na Sobratema, o diretor da DOC, general de brigada ítalo Fortes Avena, fala da importância do curso Opus de treinamento e do plano de renovar a frota de máquinas do Exército.

Diretoria de Obras de Cooperação (DOC) do Exército teve em 2003 um orçamento de R$ 45,6 milhões, repassados pelo governo federal. É pouco, se considerados os custos altos de manutenção da frota de equipamentos pesados atribuídos pelo diretor do órgão, o general de divisão ítalo Fortes Avena, tanto à idade média das máquinas — fabricadas a partir de 1990, com renovação parcial entre os anos de 1994 e 1996 - quanto à falta de preparo dos operadores.

O segundo problema já teve uma solução adequada, com a contratação do Instituto Opus, da Sobratema, para a realização de cursos de treinamento em operação de equipamentos, a princípio aos soldados de cada batalhão de engenharia que já possuem experiência como operadores. A seguir, serão ministrados cursos de formação para oficiais e sargentos que atuarão como agentes multiplicadores na formação dos soldados operadores.

Já a renovação da frota depende essencialmente de maiores recursos. A meta do general é uma elevação progressiva, com sua duplicação já neste ano, rumo a R$ 200 milhões. Do total repassado, apenas R$ 5 milhões “sobraram” em 2003 para a aquisição de equipamentos permanentes, dos quais R$ 2,6 milhões puderam ser destinados a máquinas para obras. Como esse volume é insuficiente para uma aquisição nos moldes do que seria necessário e desejável, a DOC está preparando uma licitação para alugar máquinas com opção de compra ao final do contrato de locação. Na mira, estão entre 20 e 30 equipamentos e todos os fabricantes ou seus dealers, presentes na palestra feita no auditório da Sobratema — Atlas Copco, Volvo, Komatsu, Liebherr, Fiatallis e Sotreq, por exemplo -, foram convidados a participar. “O Exército não é um mau pagador. Na DOC eu só assumo uma iniciativa dessas se tiver dinheiro em caixa para custeá-la”, garantiu o general.

Treinamento- Dos recursos recebidos pela DOC em 2003, 21% foram consumidos em gastos com combustíveis, 17% em insumos, 8% com peças de reposição e 3% com serviços. Na terceirização de obras, compra e locação de equipamentos foram aplicados 11% do total. O maior montante foi empregado em treinamento, mas, como explica Avena, “faltava ao Exército um método de ensino que surgiu com o Opus. Apostamos muito nessa parceria e estamos querendo outras”. O objetivo do DOC é certificar 7.500 treinandos nos próximos três anos e, há perspectivas de que o Opus seja incluído no programa federal “Primeiro Emprego”, o que estabeleceria uma linha regular de cursos.

A contratação do Opus só surpreende quando não se conhece o portfólio de obras do Exército que, há quase 200 anos fundou a primeira escola de engenharia do Brasil - o Instituto de Engenharia Militar. O primeiro curso privado surgiria somente cem anos depois, daí a denominação de engenharia civil, explica Avena. No início do século passado, o Exército já construía ferrovias e foi ele que, nessa mesma época, implantou as linhas de telégrafo no País”, conta, acrescentando que hoje o acervo ferroviário militar é de 3.598 km, a mesma distância entre Madri e Moscou, enquanto o acervo rodoviário é de 13,5 mil km.

Com Grupamentos de Engenharia e Construção em João Pessoa (PB) e Manaus (AM) e Batalhões de Engenharia e Construção (BEC) em Cuiabá (MT), Lages (SC) e Araguari (MG), ligados por vínculos técnicos e não militares, “o teatro de operações da DOC está centrado principalmente em áreas do território nacional onde há possibilidade de ocorrerem conflitos ou onde dificuldades geográficas encareceriam demais a contratação de uma construtora (veja box)”, justifica Avena.

Nesse contexto, cresce a importância dos cursos de treinamento com o que o Exército acaba também disponibilizando profissionais qualificados no mercado. Para isso, no entanto, devia suprir a deficiência de certificação, o que conseguiu com o Opus. O primeiro curso ministrado pelo Instituto foi encerrado em 28 de maio, em Araguari (MG) e serviu como uma espécie de teste, conta Avena, por ser destinado a operadores já experientes que, poderiam, portanto, validar ou não a eficiência do curso. “Um dos inscritos, por exemplo, opera motoescrêipers há 17 anos e, apesar disso, me garantiu ter aprendido muito sobre operação, cuidados com a máquina e manutenção”, garante o general. Em uma segunda etapa, o treinamento foi voltado para oficiais e sargentos. Aprovado, o curso seguiu para o BEC de Cuiabá, onde teve início em 13 de junho, destinado à formação de instrutores entre oficiais e sargentos.

Frota- Em paralelo à qualificação dos operadores, a DOC vem atualizando também sua frota pesada. “De 1990, quando a maioria de nossas máquinas foi fabricada, para cá, a matriz de equipamentos se alterou”, justifica Avena, admitindo que, até alguns anos atrás, ele próprio não conhecia uma escavadeira hidráulica. A ideia é manter a quantidade de máquinas existentes em 2003, mas substituindo-as por novas as maiores aquisições feitas já têm quase dez anos (1995) - foram 59 equipamentos para atender à construção da Ferrooeste. A disponibilidade operacional média da frota, em dezembro passado, foi de 64,6% e, em certas obras realizadas pelo departamento, conta Avena, os custos de manutenção chegaram a 30% do valor da obra.

Por isso, a DOC está se desfazendo das máquinas mais antigas. Em 2003, foram alienados 194 equipamentos. Até maio deste ano já haviam sido vendidos outros 63, dentro de uma previsão entre 150 e 200 unidades. Também neste ano foram adquiridas uma motoniveladora e uma usina de asfalto. A frota será reforçada com máquinas locadas – entre 20 e 30 modelos. A prioridade, explica Avena, será dada a mais motoniveladoras e a escavadeiras hidráulicas de 20 toneladas, seguidas de tratores de esteiras, pás-carregadeiras de rodas de médio porte, rolos compactadores, usinas de asfalto, vibroacabadoras e fresadoras. O exército também pretende investir em peças originais de reposição, “para manter as funções do ativo com confiabilidade”, diz o general. Uma das alternativas em cogitação é o sistema de registro de preços, que agiliza o processo de compra. Ao invés de abrir uma licitação a cada demanda por peças, abre-se uma única concorrência pública, elencando todos os itens de reposição que podem ser requisitados. As empresas vencedoras têm exclusividade de fornecimento por um ano. O preço de referência das peças a ser utilizado terá de incorporar o desconto de tabela sugerido pelas fabricantes.

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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