Em estado de alerta para a manutenção da frota — Revista M&T
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M&T nº 158Junho 2012 Matéria 20 de 24
Sumário
  1. EditorialSucesso de público e de negócios
  2. M&T Expo 2012Feira supera todas as expectativas
  3. M&T Expo 2012Compromisso com a sustentabilidade
  4. M&T Expo 2012Inovações em tecnologia
  5. M&T Expo 2012Expositores comemoram resultados da feira
  6. CenárioNovos fabricantes estreiam no mercado brasileiro
  7. CenárioZoomlion e BMC anunciam fábrica para autobombas
  8. InvestimentosCompetidores anunciam planos para expansão no país
  9. TendênciasLançamentos na feira revelam o futuro do setor
  10. TendênciasSEM amplia a linha e o atendimento pós-venda
  11. GuindastesPerfil das obras estimula desenvolvimentos da indústria
  12. GuindastesPré-sal impulsiona o mercado também com obras de apoio
  13. GuindastesNovos modelos atendem ao perfil das usinas eólicas
  14. GuindastesLuna ALG lança guindauto de olho na concorrência chinesa
  15. GuindastesEspecialistas debatem como reduzir acidentes na operação
  16. MercadoAs estratégias de cada competidor
  17. ImplementosConstrução civil puxa a demanda do setor
  18. ImplementosRossetti lança balança para basculante
  19. LançamentosO que os fabricantes apresentaram de melhor
  20. Engenharia MilitarEm estado de alerta para a manutenção da frota
  21. Engenharia MilitarEvento estabelece diretrizes para os batalhões
  22. MineraçãoSoluções para a maior eficiência na britagem
  23. Transportadores De CorreiasO segredo é saber dimensionar
  24. ManutençãoLubrificação centralizada o fim das paradas desnecessárias
  25. Painel6 notas e colunas
Engenharia Militar

Em estado de alerta para a manutenção da frota

Como o Exército Brasileiro faz a gestão e manutenção de uma frota de 3.600 equipamentos pesados que atuam em obras espalhadas por todo o país

Exclusivo M&T 4 de julho de 2012 · Edição 158

A extensão das estradas já construídas pelo Exército no Brasil seria mais que suficiente para dar meia volta ao mundo, ligando São Paulo a Tóquio, enquanto as obras ferroviárias no país que contaram com a ação da engenharia militar ligariam com sobras o litoral paulista ao do Senegal, no outro lado do oceano Atlântico. Com dados como esses, é fácil compreender por que o Exército ocupa um lugar de destaque na construção pesada brasileira.

A atuação militar na área, aliás, já gerou uma economia de R$ 130 milhões ao país. Essas obras, realizadas em regime de cooperação com o governo Federal, ajudam a manter a tropa treinada em tempos de paz e contribuem para a melhoria da infraestrutura em situações de calamidade ou em projetos pouco atrativos à iniciativa privada. Para cumprir esse papel, com quase 20 mil km de rodovias e 6 mil km de ferrovias já construídas, a Arma de Engenharia conta com um parque de 3.600 equipamentos pesados, uma dos maiores frotas em atividade no país, e forma cerca de 2.600 profissionais por ano para a operação dessas máquinas.

A manutenção da frota, entretanto, ainda é reconhecidamente um aspecto crítico para a corporação. “A formação de mão de obra é um dos nossos pontos fracos”, avalia o general Joaquim Maia Brandão Júnior, chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército. “Desde a década de 1990, quando a atividade de construção pesada retraiu muito, fomos perdendo técnicos e a estrutura desmantelou. A partir do ano 2000, começamos a reformular a área, mas ainda terceirizamos muita coisa para a iniciativa privada.”

Para superar esse desafio, o Exército conta com o apoio imprescindível dos fabricantes de equipamentos, que oferecem treinamentos aos militares mobilizados nos canteiros de obras e até mesmo o suporte de manutenção à frota. “Muitas vezes não conseguimos identificar os problemas, o que exige um diagnóstico de quem produz o equipamento”, diz o coronel Osmar de Lima Araujo, chefe da Seção de Acompanhamento da Força de Trabalho (SAF) da Diretoria de Obras de Cooperação (DOC), órgão de apoio técnico-normativo ligado ao DEC.

Gestão descentralizada

A frota do Exército abrange praticamente todos os tipos de equipamentos para construção pesada, principalmente os utilizados em serviços de terraplanagem e pavimentação. Para operar com essas máquinas em todas as regiões do país, a corporação adota o modelo de gestão descentralizado. “Quem coordena a administração do equipamento são os batalhões de engenharia, que têm seus próprios planos de trabalho e de manutenção para atender às necessidades de cada obra”, explica o coronel Araujo.

Todos os equipamentos são camuflados, uma norma estabelecida pelo Exército desde 2002. “O que nosso pessoal faz em tempo de não-guerra, como chamamos, é a mesma atividade que fariam em tempo de crise. No caso de necessidade, nossos equipamentos estão sempre preparados para pronta mobilização”, afirma o chefe da DOC. “E também há o apelo de marketing, pois só o Exército usa equipamentos camuflados no país. É uma das nossas marcas.”

A DOC conta atualmente com 11 mil militares em todo o país e cerca de 2 mil profissionais atuam exclusivamente na área de manutenção de equipamentos. Segundo o coronel Araujo, cada batalhão de engenharia mantém uma oficina própria e equipes volantes, que percorrem as obras para realizar manutenções preventivas e preditivas, além de intervenções corretivas mais simples, como algumas trocas de peças. Consertos maiores ficam por conta dos fabricantes, seus distribuidores e demais prestadores de serviços.

Essa autonomia é especialmente importante em função das peculiaridades que envolvem a operação dos equipamentos em cada região do país. “A abrasividade do solo, por exemplo, varia de um local para o outro, gerando diferentes níveis de desgaste nos componentes e a necessidade de uma adaptação das máquinas às condições locais”, diz o coronel Araujo.

Foco no treinamento

Nesse aspecto, os militares se beneficiam dos conhecimentos assimilados nos cursos de treinamento ministrados pelo Instituto Opus centro de formação de mão de obra ligado à Sobratema para a melhor compreensão de tais variabilidades e de seu impacto na operação e manutenção dos equipamentos. “Há alguns anos a gente vem formando operadores em conjunto com o Opus e a tendência é que essa parceria se amplie ainda mais no futuro”, diz Araujo.

Nos últimos anos, o Opus ministrou diversos cursos para o treinamento de operadores em diferentes batalhões de engenharia e obras executadas pelo Exército, bem como para a tropa enviada ao Haiti em missão de paz pela ONU (Organização das Nações Unidas). Além disso, em março último o instituto também realizou um curso de gestão de frotas para militares das patentes de sargento, tenente, capitão e major, provenientes de todas as regiões do país.

Para aprimorar os serviços de manutenção, a DOC promove anualmente diversos cursos voltados à atualização profissional dos militares envolvidos com as atividades nas oficinas mecânicas. Entre os meses de maio e junho, por exemplo, estavam previstos três cursos na fábrica da Ciber, em Porto Alegre (RS), e o EMAN 2012 – XIII Estágio de Encarregados de Manutenção. A data desses eventos, aliás, foi programada para permitir que esses militares pudessem se deslocar de sua base de trabalho para uma visita à M&T Expo 2012, em São Paulo.

Outro desafio na gestão da frota é a logística para mobilização desses equipamentos. Em regiões como a Amazônia, o deslocamento das máquinas impõe maior grau de dificuldade e alto risco à operação. “Temos unidades posicionadas estrategicamente em locais de interesse, como o 5º BEC, em Porto Velho (RO), que serve de entreposto”, explica o coronel. “Quando precisamos mobilizar ativos para a região, ele serve de base para que os equipamentos sejam levados por balsas até as frentes de operação.”

Atuação estratégica em todo o país

Dentre as principais realizações do Exército na infraestrutura do país destacam-se as obras de integração da Amazônia, como a construção da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), e da BR-163, entre Cuiabá (MT) e Santarém (PA), além de soluções para a seca no Nordeste, como a integração da bacia do rio São Francisco.

Atualmente, a corporação atua simultaneamente em 41 projetos de grande visibilidade, incluindo a terraplenagem do terminal de pátio de passageiros 3 do aeroporto de Guarulhos (SP), que será entregue com mais de um ano de antecedência. “Nesse projeto, movimentamos 2 milhões de m3 de terra, escavando até 6 m de profundidade para a remoção de solo mole e sua substituição por material de melhor qualidade”, detalha o general Joaquim Maia Brandão Júnior, chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército.

 

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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