Em busca do tempo perdido — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 204Agosto 2016 Matéria 15 de 16
Sumário
  1. EditorialUm cenário menos adverso para a construção
  2. Usinas De AsfaltoTendências tecnológicas
  3. MotoniveladorasFenômeno agrícola
  4. EletromobilidadeCorrida pela eletrificação
  5. FabricanteManitou inaugura fábrica no Brasil
  6. BarragensA arte da prevenção
  7. FundaçõesEscolha criteriosa
  8. InsumosNervos de aço
  9. Implementos RodoviáriosUm novo patamar
  10. TreinamentoPerícia nas estradas
  11. A Era Das MáquinasUm campeão quase esquecido
  12. ManutençãoForça e potência de sistemas hidráulicos
  13. Entrevista"Poucos vão sobreviver"
  14. Compactos & FerramentasBombeamento contínuo em múltiplas frentes
  15. Coluna YoshioEm busca do tempo perdido
  16. Tabela Custo HorárioTabela referente ao ano de 2016
  17. Painel16 notas e colunas
Coluna Yoshio

Em busca do tempo perdido

Seria oportuno às empresas virem com mais disposição para ouvir e entender as nuanças de um mercado que, historicamente, tem enganado e desiludido muita gente.

Exclusivo M&T 8 de agosto de 2016 · Edição 204

Ao longo dos últimos anos, observamos que o Brasil mantém-se como um mercado difícil para os players que não estão habituados com o país. Ainda mais para as empresas que fizeram incursões oportunistas, marcando presença no mercado por meio de investimentos precipitados e operações desestruturadas. Entre os fabricantes de equipamentos, isso não foi diferente.

Agora que os fatos políticos indicam novas possibilidades, essas empresas devem estar à espreita de uma nova oportunidade de “compensar” as iniciativas frustradas e recuperar o dinheiro (mal) gasto. E, de fato, acredito que estão corretos em rever as decisões, ainda que o façam com certa angústia, como é possível observar em muitos interlocutores.

Desta vez, no entanto, seria oportuno virem com mais disposição para ouvir e entender as nuanças de um mercado que, historicamente, tem enganado e desiludido muita gente. Como se trata de uma região mergulhada em um caldo confuso de políticas, práticas, regulamentações, impostos e desorganização, tomá-la como um mercado emergente representa um risco razoável para as organizações.

Dentre as falhas observáveis nessas empresas que tiveram experiências negativas no Brasil destaca-se a crença exacerbada no produto, uma vez que os fabricantes tendem a acreditar que possuem os melhores produtos e que os clientes, ávidos, estão à espera deles. Nada mais falso, pois este mercado é bastante sofisticado e, por isso, exigente com os fabricantes. Outro aspecto é a crença exacerbada na experiência, em que se acredita ser possível repetir aqui o sucesso obtido em outros mercados, principalmente em seus países de origem. Numa fase difícil do mercado, isto é quase uma garantia de fracasso.

Também podemos citar a negligência cultural, fomentada por executivos “importados”, conectados a comunidades isoladas e distantes da vida local. Com um passaporte de validade limitada, eles geralmente apenas “passam” pelo Brasil, apoderando-se de resultados para os quais nem sempre contribuíram muito ou mesmo entenderam. Do mesmo modo, a crença exacerbada no investimento mostra-se arriscada. Se a garantia do sucesso fosse apenas o lado “hard”, ninguém teria dificuldades. Mas o envio do “montador da fábrica” e do “controlador do dinheiro” não basta para atender a uma necessidade mais “soft”, o que de fato conduz a marca ao cliente.

Há outros fatores importantes, mas os itens acima são os mais observados nas experiências destas empresas. Que devem sim repensar suas ações. Com ativos mais baratos e despesas convertidas por um câmbio muito mais conveniente, a velocidade reduzida do mercado pode favorecer o aprendizado, além do fato de que há bons profissionais disponíveis e algumas lições já foram aprendidas. Portanto, é hora de recuperar o tempo perdido.

Quem só investe no pico do mercado, geralmente permanece no fundo do vale quando deveria estar pronto para agir. Afinal, para terminar o dia com mais realizações, o mais recomendável ainda é acordar mais cedo do que os outros.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

 

 

 

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