O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão do governo que tem a missão de cuidar das condições das estradas federais, vai construir uma igreja dentro de uma aldeia indígena na Amapá. Em Santa Catarina, o DNIT ficou encarregado de entregar 70 quilômetros de ciclovias. Outros 30 quilômetros de faixa para bicicletas foram encomendados no Ceará. Já em Rondônia, a autarquia foi acionada para erguer um galpão para estocagem de castanhas, além de construir uma casa de farinha - local de moagem da mandioca -, e tanques de piscicultura.
Essas obras tocadas pelo DNIT não fazem parte de um teste vocacional. Elas estão na lista de exigências sociais e ambientais que, segundo o próprio departamento vinculado ao Ministério dos Transportes, tem travado e inflacionado o preço das obras de restauração e pavimentação de estradas no país. "É um absurdo completo. Qualquer antropólogo ficaria revoltado em saber da construção de uma igreja em uma aldeia indígena, mas essa é a nossa realidade, cada vez mais cheia de solicitações sem o menor sentido", diz, em tom de reclamação, o diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot.