Descarbonização de máquinas é fundamental para as metas climáticas — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 279Novembro 2023 Matéria 1 de 12
Sumário
  1. EditorialDescarbonização de máquinas é fundamental para as metas climáticas
  2. Manipuladores TelescópicosSegmento consolida retomada no país
  3. MotoniveladorasA escolha certa para o bom desempenho
  4. Especial InfraestruturaNovo modelo busca impulsionar investimentos em rodovias
  5. Peças De ReposiçãoOnde e quando o cliente quiser
  6. FabricanteMuito além do convencional
  7. TecnologiaComo a telemática otimiza a eficiência das máquinas
  8. LançamentoLiebherr lança novos equipamentos no Brasil
  9. A Era Das MáquinasA inovação acelerada em guindastes
  10. ManutençãoCuidando de conjuntos mecânicos
  11. Entrevista - Marcus Souza"As empresas têm interesse em combustíveis alternativos”
  12. Coluna Do YoshioDois problemas que afetam as organizações
  13. Painel20 notas e colunas
Editorial

Descarbonização de máquinas é fundamental para as metas climáticas

A implementação de medidas de eficiência permite que as escavadeiras produzam mais com motores menores e menos energia, reduzindo a capacidade necessária para a eletrificação

Exclusivo M&T 1 de novembro de 2023 · Edição 279

Em 2019, três empresas independentes de pesquisa – Climate Neutral Group, CE Delft e SGS Search – calcularam as emissões de CO2 durante o ciclo de vida de dez equipamentos representativos da carteira de membros da European Rental Association (ERA), apontados como a principal fonte de gases de efeito de estufa (GEE) na construção. A pesquisa conclui que a utilização mais eficiente pode levar a reduções significativas na pegada de carbono total das máquinas, algo na ordem de 30% e, por vezes, mais de 50%.

De fato, a atenção às possibilidades de redução das emissões tornou-se um dos fatores considerados como fundamentais para viabilizar as metas climáticas do Acordo de Paris. Para o presidente da divisão de tração elétrica da Danfoss, Domenico Traverso, a chave para reduzir a pegada de carbono é implementar tecnologias de eficiência energética, permitindo diminuir o uso de diesel e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios da eletrificação, especialmente no segmento de escavadeiras.

Essas máquinas, diz ele, operam em condições exigentes e requerem mais horas de trabalho entre as cargas. Isso implica baterias extremamente volumosas para igualar a produtividade das máquinas a diesel, resultando em uso intensivo de recursos e custos mais altos. “Muitas vezes, isso simplesmente não é tecnológica ou economicamente viável para máquinas pesadas”, diz ele.

Além disso, muitos canteiros não contam com infraestrutura para suportar o carregamento de escavadeiras elétricas. Locais maiores, como pedreiras, geralmente exigem a troca de baterias no início e no final de cada turno – com carregamento subsequente nos pátios. Nesses casos, surgem desafios devido ao enorme peso das baterias, o que impõe obstáculos logísticos.

Mas ao se aumentar a eficiência, a necessidade de baterias pode ser reduzida, juntamente com as demandas de carregamento e geração de energia renovável. “O setor de construção é muito sensível ao custo e, por isso, precisamos descarbonizar da maneira mais econômica possível”, acentua o executivo. “Caso contrário, isso não ocorrerá em escala.”

É nesse ponto que a eficiência se torna um facilitador. Os sistemas a diesel atuais operam com eficiência de apenas 30%, ou seja, 70% da energia é desperdiçada. Segundo Traverso, há um potencial significativo para soluções como bombas de deslocamento variável e acionamentos descentralizados, que – juntamente com sistemas de recuperação de energia – podem aumentar a eficiência e reduzir o consumo.

A implementação de medidas de eficiência permite que as escavadeiras produzam mais com motores menores e menos energia, reduzindo até 24,8% a capacidade necessária para eletrificação. “A tecnologia pode proporcionar uma economia de combustível de 15% a 30% em escavadeiras com mais de 15 t e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de trabalho”, assegura Traverso. Para ele, ao priorizar a eficiência energética e explorar as possibilidades de eletrificação, o setor pode contribuir para a descarbonização de máquinas pesadas e abrir caminho para um futuro mais sustentável. Boa leitura.


Silvimar Fernandes Reis
Presidente do Conselho Editorial

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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