Da Moto Agrícola à New Holland — Revista M&T
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M&T nº 257Setembro 2021 Matéria 9 de 12
Sumário
  1. EditorialA regulamentação de baterias na Europa
  2. Geração De EnergiaEficiência nos picos de demanda
  3. MotoniveladorasAlta performance na movimentação
  4. Especial InfraestruturaPotencial sobre as águas
  5. Fórum De Infraestrutura 2021Os desafios da universalização
  6. TecnologiaNa trilha da revolução verde
  7. CompactosVentos favoráveis para as minis
  8. LançamentoVersatilidade sob medida
  9. A Era Das MáquinasDa Moto Agrícola à New Holland
  10. ManutençãoComo expandir a vida útil de pneus off-road
  11. Entrevista Com Paulo Carvalho"Não há como planejar sem considerar as mudanças de direção"
  12. Coluna Do YoshioA Bolsa como escola
  13. Painel21 notas e colunas
A Era Das Máquinas

Da Moto Agrícola à New Holland

Exclusivo M&T 10 de setembro de 2021 · Edição 257

Fundada em 1903, a New Holland se tornaria um dos principais fabricantes do mundo

A década de 50 marcou o início da tomada de decisões voltadas para a implantação da indústria de bens de capital no Brasil, assim como de políticas voltadas para o desenvolvimento agrícola em grande escala.

A entrada de grupos americanos e europeus foi fundamental para a implantação dessas diretrizes e o próprio desenvolvimento do país. Consciente da necessidade de modernização da agricultura, iniciado nessa década e acentuado na seguinte, o Grupo Fiat trouxe em 1950 suas máquinas para o Brasil, fundando em São Paulo a Moto Agrícola Indústria e Comércio para distribuição de seus tratores no país.

Os equipamentos eram importados da Itália e montados no próprio armazém da empresa, onde também era feito o treinamento dos operadores. Apesar da precariedade das estradas brasileiras, centenas de tratores Fiat 60 CI e 70 CI foram vendidos para órgãos governamentais e produtores rurais, principalmente em São Paulo e Minas Gerais.

Posteriormente, tratores de pneus também passaram a ser importados, num processo de crescimento da demanda que fez com que, em 1957, a empresa se mudasse para uma nova sede, às margens da Via Anchieta.

ORIGENS

Dez anos depois, o Grupo Fiat adquiriu a fábrica de motores Deutz de Contagem (MG), iniciando a produção de tratores de esteiras em 1970, além de fechar uma venda de 500 tratores 70 CI (nacionalizados como AD 7) para o governo de Minas Gerais. Segundo Gino Cucchiari, personagem-chave na história e no desenvolvimento da marca no Brasil, “essa negociação e a mudança para Minas foram a semente do Grupo Fiat no Brasil”.

A década de 70 se iniciou com o lançamento dos tratores AD 7 e AD 14 nacionais. O crescimento do mercado havia levado a uma significativa expansão da rede de concessionárias, com seis delas somente no estado de São Paulo (na capital, em Araras, São José do Rio Preto, Araçatuba, Ribeirão Preto e Presidente Prudente), levando a Fiat à liderança do segmento. Em 1973, a linha foi ampliada com a entrada da escavadeira hidráulica S 90, muito bem-aceita pelo mercado durante duas décadas.

Em 1974, a Allis-Chalmers foi adquirida pela Fiat, criando a marca Fiatallis, que originou no Brasil a Fiatallis Tratores e Máquinas Rodoviárias S.A. Na estrutura, a área das instalações de Contagem passou de 11.000 para 33.000 m2. A chegada da Allis também trouxe novas linhas como motoniveladoras, motoscrapers e tratores de esteiras de grande porte. É também dessa época o lançamento da carregadeira de esteiras FL4C.

A linha de produção em Contagem se iniciou com a produção de tratores de esteiras

No final da década, foi adquirida a linha de máquinas da Yale, fabricante com sede em São Bernardo do Campo (SP), o que resultou na inclusão à linha das pás carregadeiras Yale 134BR, 1500 articulada e 1900 articulada.

Em 1981, ocorreu o lançamento da primeira série de motoniveladoras articuladas genuinamente Fiatallis, compreendendo os modelos FG 70, FG 85 e FG 95, equipadas com transmissão power shift e controle hidráulico. Essas máquinas passaram a ser exportadas para diversos países, chegando a abastecer 10% do mercado mundial.

Em 1987, a Fiat fez uma joint-venture com a Hitachi. A FH 200, produzida em substituição à FE 105B, lançada no início da década, representa a entrada da empresa no segmento de escavadeiras de 20 toneladas. As carregadeiras FR 10, FR 11 e FR 12 foram lançadas em substituição às 134 BR, 1500 B e 1900 B, bem como os tratores de esteiras 7D e FD 9. No Brasil, a empresa detinha então 30% do mercado.

EVOLUÇÃO

No final da década, a Fiat assumiu o controle da fabricante italiana Benati Macchine. Em 1992, o grupo adquiriu a Ford New Holland, e uma nova holding assumiu o controle das fábricas de equipamentos agrícolas e de construção. A New Holland havia sido fundada em 1903, tornando-se um dos principais fabricantes da época, sendo depois adquirida pela Ford, formando a Ford New Holland, objeto da transação.

No início da década de 90, foram lançadas as retroescavadeiras da linha FB e, em 1993, as novas carregadeiras FR 18 e FR 20. Em 1996, foi lançada a linha “Compact Line”, composta pela segunda geração das retroescavadeiras FB 80.2 e por minicarregadeiras, que abriram um novo nicho de atuação. Em 1998, foi a vez das motoniveladoras FG 140, 170 e 200, em âmbito mundial.

Com portfólio extenso, marca passou a ocupar uma posição de destaque entre os fabricantes nacionais

No mesmo ano, foi inaugurado o Centro de Treinamento, próximo à fábrica de Contagem. Em 1999, duas novas aquisições importantes: a compra da alemã O&K e a fusão da New Holland com a Case, originando a CNH (no Brasil, nasceu a CNH Latin America).

DESTAQUE

Durante a primeira década do século XXI, a empresa enxugou sua linha, terceirizando a fabricação de diversos componentes e implementando melhorias em suas linhas de produção. O primeiro lançamento Fiatallis na era CNH foi a linha de escavadeiras hidráulicas FX 215LC (tecnologia O&K), ocorrido em 2001.

A linha foi reformulada em 2003, com a introdução da terceira geração de retroescavadeiras FB, das novas séries de tratores de esteiras FD e de pás carregadeiras FW. Em 2005, a CNH consolidou suas marcas em uma única global: a New Holland, que passou a agregar as marcas Fiatallis, O&K, Fiat Kobelco, Kobelco e New Holland Construction. Nessa mesma época, foram lançados diversos modelos, entre os quais as pás carregadeiras W 130 e W 130TC e a linha de escavadeiras hidráulicas E215, com tecnologia Kobelco, que substituiu a geração FX.

Com nove novos lançamentos em 2007, compreendendo pás carregadeiras, escavadeiras, miniescavadeiras, minicarregadeiras e manipuladores telescópicos, a marca passou a ocupar uma posição de destaque entre os fabricantes nacionais, ofertando uma extensa linha de máquinas de construção, complementada no ano seguinte pela escavadeira E 485B, de 50 toneladas, e pelo trator de esteiras hidrostático D 150B, que passou a ser produzido em Contagem a partir de 2010, quando também foi inaugurado o novo Centro de Distribuição de peças da fabricante em São Paulo.

Leia na próxima edição:
Guindastes monumentais no final do século XX.

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