Cuidados que garantem a potência de arranque — Revista M&T
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M&T nº 166Março 2013 Matéria 15 de 17
Sumário
  1. EditorialAjustes nos pacotes de infraestrutura são bem-vindos
  2. Equipamentos CompactosAs pequenas notáveis
  3. Equipamentos CompactosMercado em mutação
  4. FerroviasIndústria aguarda salto
  5. SegurançaNa vanguarda do setor
  6. PneusSoluções ampliam durabilidade de pneus fora de estrada
  7. Equipamentos De ApoioSuporte a pneus em qualquer lugar da obra
  8. Bauma 2013Show de tecnologia
  9. EmpresaSumitomo aumenta investimentos no Brasil
  10. MineraçãoAdequando a frota para aumentar a competitividade
  11. EmpresaCenário promissor
  12. Sobratema 25 AnosTestemunha ocular da história
  13. Momento ConstructionSalão destaca parcerias público-privadas
  14. A Era Das MáquinasOs primórdios: desafios e tecnologias em engenharia
  15. ManutençãoCuidados que garantem a potência de arranque
  16. Entrevista"Nosso negócio depende da maior variedade possível de equipamentos"
  17. Suplemento - Compactos & FerramentasOpções para diferentes necessidades
  18. Painel20 notas e colunas
Manutenção

Cuidados que garantem a potência de arranque

Problemas na injeção de combustível ou na bateria podem danificar a vida útil de alternadores e motores de partida. Conheça os cuidados necessários para identificá-los e garantir a máxima eficácia na hora de virar a chave do seu equipamento

Exclusivo M&T 19 de março de 2013 · Edição 166

Responsável pelo acionamento do motor a combustão, o motor de partida (também conhecido como motor de arranque) é um componente vital no funcionamento das máquinas. Tanto em caminhões como em equipamentos pesados, o princípio de funcionamento é o mesmo, assim como a origem dos problemas.

De saída, a primeira dica é não culpá-lo diretamente. Afinal, a dificuldade na partida pode estar relacionada a diversos fatores, como avarias no sistema elétrico e, até mesmo, na injeção de combustível. O fato é que alguns desses problemas também irão interferir no funcionamento do motor de arranque, levando-o à pane.

É o caso das baterias do equipamento, cuja qualidade e/ou envelhecimento podem resultar em falta de energia ou baixa tensão, chegando a queimar o motor de partida. Isso acontece porque, ao sofrer queda de tensão, a bateria intensifica a corrente necessária para acionar o motor, causando sobrecarga do motor de partida. Também há dificuldade para a partida quando os cabos da bateria estão mal conectados, pois se cria uma resistência no circuito que resulta em baixa tensão e, como consequência, pode acarretar a pane completa do motor de partida.

Por isso, não é possível falar de motor de arranque sem relacioná-lo com a bateria e com o alternador, que é o componente responsável por manter o nível de energia nas baterias. É ele que, com o equipamento já operante, as carrega e alimenta o sistema elétrico-eletrônico embarcado.

Por isso, os alternadores precisam permanecer alinhados com a tensão exigida pela bateria e pelos consumidores elétricos da unidade. E o controle desse nível de demanda que o alternador deverá fornecer é feito pelos reguladores de tensão, componentes presentes nos alternadores dos equipamentos.

Com o avanço tecnológico, os modelos tradicionais de regulador – como os de acionamento eletrônico – estão sendo gradativamente substituídos por um tipo multifuncional que, além de manter a tensão nominal, é dotado de um sistema inteligente capaz de incluir diversos medidores de desempenho e proteções contra variações de temperatura e picos de tensão elétrica.

OPERAÇÃO

Assim como os componentes que fazem a transferência de energia, o combustível tem grande influência no bom funcionamento do motor de partida. Por isso, o sistema de injeção do combustível deve estar sempre em perfeitas condições, assim como as propriedades do diesel, que merecem atenção especial. No entanto, de acordo com os especialistas ouvidos pela M&T, o caso mais comum de avaria no funcionamento do motor de partida está relacionado à operação inadequada do equipamento.

No topo da lista de ações incorretas está o acionamento excessivo na partida, como virar a chave por mais de dez segundos, o que superaquece o motor. Nesse caso, a recomendação é para que, no caso de falha na primeira partida, o operador aguarde até dois minutos para tentar novamente. Se a falha persistir, será necessária uma inspeção técnica, que deve avaliar as condições elétricas da unidade, bateria, alternador e sistema de injeção de combustível.

Outra falha operacional muito comum é a movimentação do equipamento com auxílio do motor de partida. Essa atitude é extremamente prejudicial, pois transfere totalmente o esforço de mover um equipamento de enorme peso para o motor de partida, podendo inutilizar a peça e causar graves danos no pinhão e no eixo, além de superaquecer o conjunto elétrico.

Por isso, quaisquer que sejam as características intrínsecas à operação de um determinado equipamento, a regra é sempre observar os indicadores de falhas, como ruídos do motor de arranque, dificuldades na partida e notificações do sistema eletrônico. Obviamente, um caminhão urbano de entregas – que chega a ligar e desligar o motor mais de 80 vezes por dia – necessita de intervenções mais frequentes no motor de partida e menos nos alternadores. É o caso oposto dos equipamentos pesados, que operam de forma contínua, com poucas partidas por dia.

PROCEDIMENTOS

Justamente pela diversidade operacional, a observância dos sintomas é a forma mais segura de saber quando chegou a hora de levar o equipamento a uma oficina. Nesse caso, uma oficina especializada precisa, antes de tudo, ser limpa, organizada e dotada de ferramental adequado, como chaves para montar e desmontar, bancada de testes, multímetros e outros aparelhos. Além disso, os técnicos devem ser qualificados, pois muitos problemas nesses componentes são provenientes de erros na análise e de manuseio incorreto durante a manutenção.

Na manutenção em si, deve-se inicialmente avaliar as condições da unidade seja de um veículo ou de um equipamento fora de estrada verificando a integridade da bateria por meio de testes de tensão, além de verificar se os cabos estão bem acomodados ao longo da instalação e livres de possíveis atritos que possam levar a curtos circuitos. Também é necessário verificar se esses cabos e os terminais estão limpos, bem conectados e sem a presença de oxidação.

Outro cuidado importante é a medição da queda de tensão dos cabos de bateria 0,25V e 0,5V para circuitos de 12V e 24V, respectivamente, além da verificação da integridade do sistema elétrico, feita por meio da inspeção do painel de fusíveis. Em seguida, se houver a possibilidade, deve ser dada uma partida de teste para verificar se o pinhão está funcionando corretamente, o que pode ser constatado pelo som de engrenamento na cremalheira do volante. O pinhão é um elemento de desgaste e pode sofrer danos nos dentes quando o motor de partida é utilizado de forma inadequada.

PRECAUÇÕES

Caso seja necessário retirar o motor de partida da unidade para a manutenção, é recomendável desligar a chave geral e posteriormente localizar o motor de partida do equipamento, que muitas vezes pode interferir em outros componentes e, por isso, requer uma desmontagem cuidadosa e organizada.

Ao se ter o acesso ao motor de partida, deve-se soltar as ligações somente após ter testado a tensão que chega da bateria até ele e a integridade dos sistemas elétricos. Em seguida, é preciso desconectar o polo positivo da bateria (para evitar um curto-circuito no sistema) e remover o motor de partida.

O motor de partida é então colocado em uma bancada de testes para realizar a desmontagem. Nessa etapa, é indicado verificar minuciosamente todos os componentes do equipamento. É preciso salientar que, para cada modelo de motor de partida, existe uma sequência mais indicada para a desmontagem, que deve ser verificada no manual específico do equipamento.

FINALIZAÇÃO

Quando a manutenção chega aos alternadores, é fundamental a verificação de todo o circuito elétrico da unidade. Nessa análise, é preciso adicionar ainda as correias e tensionadores, responsáveis pela movimentação do alternador. Novamente é necessária uma análise minuciosa em todos os componentes, como os rolamentos, escovas e regulador.

A escova, a propósito, está intencionalmente ausente em muitos modelos de alternadores para caminhões e equipamentos fora de estrada, a fim de evitar contaminação por elementos abrasivos, o que resultaria em danos a toda a estrutura do componente. Essa informação poderá ser necessária na hora de trocar o alternador usado por outro disponível no mercado (veja como escolher corretamente os alternadores e motores de partida no quadro da pág. 81).

Uma vez analisados, todos os componentes que apresentaram desgaste devem ser substituídos por novos, sempre instalados de forma correta e minuciosa pelo técnico. Especialistas indicam não lavar as peças, pois isso pode danificar seu funcionamento. Por último, o motor é cuidadosamente conectado ao bloco e verifica-se o acoplamento de terminais e cabos. No caso de armazenagem, é preciso deixar os motores de partida e alternadores devidamente estocados em local seco e limpo, protegidos de impactos e substâncias contaminantes.

COMO ESCOLHER ALTERNADORES E MOTORES DE PARTIDA

De acordo com especialistas, é preciso utilizar peças de determinada geração com equipamentos que suportem sistemas com o mesmo desenvolvimento tecnológico. Além da escolha correta das necessidades do equipamento, é indicado sempre optar por linhas originais. Isso porque as peças recondicionadas não possuem a qualidade das originais e podem comprometer o desempenho do equipamento. Por isso, antes de escolher o motor de partida e o alternador para reposição, consulte catálogos e manuais de fabricantes para selecionar corretamente os componentes a serem adquiridos. Depois, instale-os em oficina qualificada.

PASSO A PASSO PARA A MANUTENÇÃO DE MOTORES DE PARTIDA

1.LOCAL: A oficina precisa ser organizada e limpa, contendo as ferramentas e equipamentos necessários para montagem, desmontagem e testes de desempenho, bem como técnicos qualificados;

2.INSPEÇÃO: Verifique a integridade da bateria, dos terminais, cabos, fusíveis e sistema elétrico. Muitas vezes, o problema não está nos motores de partida;

3.DESMONTAGEM: Teste a tensão que chega ao motor de partida e verifique a integridade do sistema elétrico antes de desconectar o polo negativo da bateria. Em seguida, desconecte o motor de partida e leve-o a uma bancada de testes;

4.SUBSTITUIÇÃO: Retire todos os elementos que estiverem danificados e substitua por novos e originais, incluindo relê auxiliar, solenoide, escovas, rolamentos, buchas, induzido e bobinas de campo;

5.MONTAGEM: Instale as novas peças de forma correta e organizada, lembrando-se de não lavar o conjunto com água ou solventes e verificar se os apertos dos terminais e cabos estão adequados. Ao final, conecte o motor com cuidado no equipamento;

6.ARMAZENAGEM: No caso de estocar as peças, deixa-as em um local limpo e seco, devidamente protegidas de poeira, água e impactos, que podem danificar sua integridade.

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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