Contratação integrada exige diálogo e fiscalização — Revista M&T
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M&T nº 180Junho 2014 Matéria 1 de 16
Sumário
  1. EditorialContratação integrada exige diálogo e fiscalização
  2. M&T Peças E Serviços 2014A nova era do pós-venda
  3. M&T Peças E Serviços 2014Fator de competitividade
  4. AutobetoneirasGarantindo o traço do concreto
  5. TransporteProcuram-se motoristas
  6. AgribusinessGrandes expectativas no campo
  7. AgribusinessNovidades tecnológicas agregam valor ao setor
  8. RetroescavadeirasFenômeno pontual
  9. EstádiosNem tudo é para a Copa
  10. PneusReforma de pneus OTR quer avançar no país
  11. Equipamentos CompactosUm passo à frente para as minis
  12. A Era Das MáquinasO advento do ar comprimido
  13. ManutençãoRecuperação de treliças requer análise cuidadosa
  14. Entrevista"O brasileiro tem pressa de recuperar o tempo perdido"
  15. Compactos & FerramentasAplicação nos detalhes
  16. Coluna Do YoshioUrbanismo e qualidade de vida
  17. Painel14 notas e colunas
Editorial

Contratação integrada exige diálogo e fiscalização

"O debate em torno da contratação integrada é mais que necessário, cabendo ao governo manter diálogo com o mercado no sentido de realizar os ajustes necessários à gestão e fiscalização dos projetos"

Exclusivo M&T 2 de julho de 2014 · Edição 180
Contratação integrada exige diálogo e fiscalização

Em meio à turbulência social que vem sacudindo o país há algum tempo, mais um tema controverso vem à tona no segmento da infraestrutura. Já em tramitação no Senado, a Medida Provisória 630 tem sido apresentada como a solução para os atrasos nos cronogramas e estouro dos orçamentos das obras ao enfatizar principalmente preço e execução na modalidade de contratação integrada do RDC (Regime Diferenciado de Contratações).

Caso a MP 630 seja aprovada, o RDC poderá ser estendido a todas as licitações e contratos públicos executados no país, permitindo a contratação integrada em obras consideradas mais urgentes. Para alguns analistas do setor, no entanto, tal decisão pode prejudicar a qualidade da infraestrutura brasileira, pois as licitações passarão a ser realizadas sem se conhecer em detalhes o projeto.

A principal crítica destes analistas diz respeito ao conflito de interesses, pois “quem projeta não deve construir e vice-versa”. Ou seja, órgãos públicos precisam especificar antes de contratar. Por meio do projeto executivo, dizem os críticos, é que são definidas as necessidades, volumetria, infraestrutura, materiais, equipamentos de grande porte e demais itens que servem de parâmetros para os orçamentos.

Assim, separar projeto e obra faz-se necessário para permitir que haja debate em torno da obra pública, além de que um projeto bem detalhado é mais fácil de ser fiscalizado, obrigando a empresa construtora a cultivar a transparência e respeitar as quantidades e a qualidade do que foi especificado.

O tema é polêmico, mas é importante lembrar que algo parecido já acontece com os contratos de EPC (Engineering, Procurement and Construction Contracts), uma modalidade de contratação em que o construtor agrega toda a responsabilidade pelo fornecimento dos bens e serviços necessários à conclusão da obra, incluindo serviços de engenharia, suprimentos, construção, montagem e testes, até a entrega, sempre em conformidade com requisitos de desempenho e qualidade pré-determinados.

Segundo alguns especialistas na área, a tecnologia contratual associada a esses contratos pode, em tese, ser utilizada em contratações públicas. O fato é que o debate é mais que necessário, cabendo ao governo – se for esse o caso – manter diálogo com o mercado no sentido de realizar os ajustes necessários à gestão e fiscalização dos projetos contratados de forma integrada.

O certo que, seja qual for o caminho escolhido, não podemos abdicar do processo participativo e da alta qualidade que já alcançamos em nossa engenharia e indústria, como o leitor pode conferir nas reportagens sobre feiras, famílias de equipamentos, mão de obra, componentes e outros assuntos contidos nesta edição. Boa leitura.

Claudio Schmidt

Presidente do Conselho Editorial

 

 

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