Contagem regressiva — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 191Junho 2015 Matéria 11 de 19
Sumário
  1. EditorialVocação para o novo
  2. TúneisDesafios à beira-mar
  3. Especial M&T ExpoO grande momento
  4. PavimentaçãoCaminho promissor
  5. Obras De Arte EspeciaisContra o abandono
  6. ConcretoCentrais ambulantes
  7. ConcretoNa dose certa
  8. Comércio ExteriorAlternativa contra a desvalorização
  9. Agrishow 2015Retração controlada
  10. ManipuladoresEm busca de novos nichos
  11. Controle De EmissõesContagem regressiva
  12. MineraçãoVoando alto
  13. EmpresaPasso estratégico
  14. EquipamentoPesagem em tempo real
  15. A Era Das MáquinasO advento das tuneladoras
  16. Entrevista"Só há espaço para quem oferece produtividade"
  17. ManutençãoAtenção aos rolamentos
  18. Compactos & FerramentasPintura irretocável
  19. Coluna YoshioRedesenhando as relações
  20. Painel14 notas e colunas
Controle De Emissões

Contagem regressiva

Antecipando-se ao mercado, Volvo CE renova compromisso com novas metas para redução de emissões e aumento da eficiência energética de seus equipamentos até 2020

Exclusivo M&T 8 de junho de 2015 · Edição 191

Pioneira do setor de equipamentos de construção no alinhamento a programas ambientais de larga escala, a Volvo CE renova o compromisso para redução de emissão de CO2 em suas fábricas e equipamentos com novas e ambiciosas metas estabelecidas até 2020. O fato é importante, tendo em vista a gravidade do assunto.

Na primeira fase do então inédito acordo com a World Wide Fund For Nature (WWF), firmado em 2010, a fabricante comprometeu-se a reduzir as emissões de CO2 durante todo o ciclo de vida de seus produtos vendidos entre 2009 e 2013 – incluindo equipamentos pesados e caminhões articulados – em até 30 milhões de ton, tendo como base de comparação os modelos de 2008. E a meta não só foi atingida como também superada, chegando a uma redução de 40 milhões de ton no período.

Na produção industrial, a meta da empresa até 2014 era de reduzir as emissões nas instalações em 0,2 milhões de ton, ou 12% em comparação a 2008. E o resultado foi além, com a redução de 0,4 milhões de ton, conforme dados do programa Climate Savers (Defensores do Clima), plataforma global da WWF para engajar empresas no assunto.

Agora, a proposta é ainda maior, pois – além de nova redução de 40 milhões de ton nas emissões de gás carbônico em produtos – prevê o corte de 20% das emissões em operações de logística e transporte e de 8% no consumo energético das instalações industriais até 2020, tendo por base o ano de 2013. Em relação à energia, o percentual equivale a uma economia da ordem de 150 GWh nas operações.

O planeta, evidentemente, agradece. Já para o setor de equipamentos, não é possível afirmar o que isso representa no conjunto, pois infelizmente ainda não há comparação possível. “De fato, a Volvo é a única marca do segmento de equipamentos de construção que faz questão de manter um programa como este com a WWF”, garante Afrânio Chueire, presidente da Volvo CE Latin America. “Já avançamos muito, mas nosso compromisso é continuar introduzindo medidas inovadoras e uma série de ações para diminuir ainda mais as emissões de CO2.”

Inclusive, para tocar o assunto no campo institucional, a fabricante desenvolveu o programa Construction Climate Challenge (CCC), uma ação específica para promover a sustentabilidade na indústria e fornecer financiamento para pesquisa ambiental por meio de convênios com universidades. “Para manter uma posição de liderança nesta questão, a Volvo CE se compromete a reduzir continuamente seu impacto ambiental por intermédio de melhorias na tecnologia de produção e em suas máquinas”, reforça Suzanne Darie, gerente de comunicação e marketing da Volvo CE Latin America, mostrando a disposição da empresa em apontar o caminho enquanto há tempo.

DESCARBONIZAÇÃO

O compromisso precursor da Volvo mostra que a indústria de equipamentos começa enfim a se mobilizar para enfrentar as ameaças do aquecimento global, uma das questões mais sensíveis do mundo atual. Aliás, motivos para preocupação não faltam.

Recentemente, a Earth League (Liga da Terra) – um grupo de cientistas de algumas das principais instituições de pesquisa do mundo – publicou um documento detalhando oito pontos para um acordo internacional capaz de evitar uma mudança climática catastrófica neste século.

Com os níveis atuais de emissão, até 2050 a temperatura global pode subir 4oC, com uma chance em dez de ultrapassar os 6oC. Isso – segundo o documento – bastaria para o clima terrestre entrar em colapso, ocasionando um aumento descontrolado do nível do mar, ondas devastadoras de calor, secas persistentes e enchentes sem precedentes. “A corrida agora é para proteger o planeta”, alerta Martin Weissburg, presidente mundial da Volvo CE.

Para evitar este cenário apocalíptico, os especialistas afirmam que nos próximos 35 anos o aquecimento deve ficar abaixo da barreira de 2oC em relação à era pré-industrial. Nesse sentido, o ponto central é o chamado “espaço de carbono”, que preconiza um limite de 1 trilhão de toneladas (1.000 Gton) de CO2 a emitir. Pouco mais de metade disso já foi lançada à atmosfera em duzentos anos de industrialização, enquanto as reservas de combustíveis fósseis ainda por explorar equivalem a quatro vezes esse volume. Mas o tempo exíguo não deixa espaço para hesitações, em uma espécie de contagem regressiva para uma necessária substituição energética que, inclusive, pode representar uma nova etapa civilizatória para a humanidade.

Se no aspecto político-econômico o desafio é realmente duríssimo, do ponto de vista tecnológico reduzir as emissões globais ao ponto de o aquecimento ficar dentro do limite de 2oC é algo factível. Ao menos é nisso que acreditam empresas como a Volvo CE e os participantes da Conferência do Clima, cúpula internacional que será realizada em Paris entre 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano para traçar uma agenda emergencial de ações. “Nosso desafio é reduzir as emissões em 66% com base em 2010”, explica a especialista mexicana Paola Delgado Luna, representante do WWF. “Isso significa salvar algo como 300 milhões de ton até 2020.”

Mas não será nada simples, se considerarmos que desde 1990 houve um expressivo aumento de 40% nas emissões (leia Box na pág. 108). Em março, a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (NOAA) anunciou que a concentração de dióxido de carbono ultrapassou a marca simbólica de 400 ppm (partes por milhão), sendo a primeira vez que isso acontece desde que a agência começou as medições na década de 1980.

EFICIÊNCIA

É neste ponto que fatores como inovação conceitual e tecnologias limpas também entram na ordem do dia no setor de equipamentos, levando os fabricantes a investir pesado em pesquisas para desenvolver soluções mais sustentáveis, que tenham maior índice de reciclagem, ganhos de eficiência energética e utilizem combustíveis alternativos e renováveis, por exemplo.

Nessa linha, em seu papel de indutora a WWF criou uma plataforma chamada Science Based Targets, ou seja, a adoção de metas de base científica para a redução de emissões. No que tange à indústria de equipamentos, o projeto estimula o desenvolvimento de, por exemplo, protótipos de motores com tecnologia híbrida, demonstradores de eficiência de combustível em caminhões, tecnologias de maior eficiência no consumo e combustíveis alternativos e renováveis como gás natural e éter dimetílico.

Alinhada a este princípio tecnológico, a Volvo CE trata o assunto de forma abrangente, buscando cobrir toda a cadeia. No quesito de eficiência energética, a empresa vem participando dos esforços da ISO (Organização Internacional de Padronização) no sentido de desenvolver um padrão para consumo de combustível em máquinas da indústria de construção. Além disso, já anunciou que está trabalhando no desenvolvimento de novas tecnologias, que – segundo Massami Murakami, diretor de marketing e de engenharia de vendas da Volvo CE Latin America – em breve serão embarcadas em equipamentos da própria marca e da chinesa SDLG, permitindo uma redução imediata de 7 milhões de toneladas de CO2.

Para ele, o avanço representará um novo patamar na redução de emissões, superando até mesmo as recentes conquistas dos motores Tier III, que se tornaram obrigatórios no país com a entrada em vigor da instrução normativa Proconve/Mar I. “É algo novo para o mercado nacional, pois a Volvo CE desde 2006 já comercializa vários produtos – os de maior volume, com certeza – com esta tecnologia”, enfatiza Murakami, destacando que o sistema que combina filtro de particulados e catalisadores reduz os níveis de emissões a níveis consideravelmente baixos. “É uma redução drástica, pois estamos cortando mais de duas casas decimais nessa relação.”

PRODUÇÃO

Em relação ao ambiente produtivo também há novos procedimentos que vêm reduzindo o impacto na natureza. Nesse rol, Murakami destaca o desenvolvimento recente de sistemas totalmente virtuais, capazes de realizar medições essenciais de consumo e desempenho que antes demandavam milhares de horas com uma máquina física trabalhando. “Os investimentos que a empresa vem realizando em tecnologias eliminam ou reduzem necessidade de construção e operação de protótipos, tornando o desenvolvimento de produtos menos agressivo”, alega. “Isso inclui laboratórios sofisticados onde podem ser testados desde um simples componente a sistemas complexos, sem ter um motor real funcionando, mas simulando toda a aplicação.”

Outro aspecto sensível diz respeito à reciclagem do material. De acordo com o especialista, atualmente todos os produtos da marca atingem no mínimo 93% de reciclabilidade, podendo superar 95% em algumas linhas. “Isso significa que, ao sair da fábrica, a máquina quase completa é economicamente reciclável, podendo voltar a ser uma nova máquina”, afirma o diretor. “O restante não é composto por material agressivo, mas que pode ter destinação diferente ao que já foi processado, como plásticos com inserções metálicas ou pneus, que nunca voltam a ser o mesmo produto.”

Por fim, Murakami sinaliza para a introdução de tecnologias avançadas, que em breve criarão um amálgama entre as tecnologias digitais e a eletrificação, permitindo superar as dificuldades que ainda emperram a adoção acelerada de soluções mais limpas no mercado da construção, como a propulsão diesel-elétrica, por exemplo. “A tecnologia precisa de maturidade para dar resultado, tanto ambiental como econômica”, afirma. “E enquanto não houver um equilíbrio nesta equação, não veremos uma mudança mais profunda acontecer.”

Analista questiona emissões negativas

Causou polêmica a declaração do cientista político Oliver Geden, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e Segurança, que afirmou à conceituada revista Nature que já não é possível estabilizar o aquecimento global. Para ele, a proposta de emissões negativas é “ficção científica” e os cientistas estão ajudando a acobertar o fracasso dos governantes em cortar emissões, que desde 1990 aumentaram 40%. “Nunca conseguiremos ficar abaixo desse ‘espaço de carbono’. Se você olhar para a fatia de energias de baixo carbono na matriz mundial, a porcentagem não mudou muito nos últimos 15 anos, porque a quantidade de energia usada tem crescido”, dispara. “Então, se quisermos chegar a perto de zero, temos de descarbonizar não apenas o setor elétrico, mas também os transportes, onde não há muita coisa acontecendo. [E também] não há muito acontecendo no setor de construção, nem mesmo nos países da União Europeia.”

Indústria europeia pede tempo para nova regulamentação

Prevista para entrar em vigor em breve, a Legislação europeia de emissões Euro Stage V será a mais restritiva do mundo. A diretiva 97/68/EC – que gerará o texto final da regulação – ainda está em revisão no Parlamento Europeu, mas a indústria de equipamentos pesados do continente já se mobiliza para adequar-se às novas regras. “Precisamos que a regulação seja aprovada até o final de 2015, sob o risco de a nossa indústria não ter tempo suficiente para implementar todas as mudanças necessárias nos motores e máquinas, de modo a atender aos novos e extremamente rigorosos padrões”, diz Eric Lepine, presidente do CECE (Committee of European Construction Equipment), enfatizando a necessidade de estender o período de transição.

 

 

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