Construção civil puxa a demanda do setor — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 158 ← Voltar à edição
M&T nº 158Junho 2012 Matéria 17 de 24
Sumário
  1. EditorialSucesso de público e de negócios
  2. M&T Expo 2012Feira supera todas as expectativas
  3. M&T Expo 2012Compromisso com a sustentabilidade
  4. M&T Expo 2012Inovações em tecnologia
  5. M&T Expo 2012Expositores comemoram resultados da feira
  6. CenárioNovos fabricantes estreiam no mercado brasileiro
  7. CenárioZoomlion e BMC anunciam fábrica para autobombas
  8. InvestimentosCompetidores anunciam planos para expansão no país
  9. TendênciasLançamentos na feira revelam o futuro do setor
  10. TendênciasSEM amplia a linha e o atendimento pós-venda
  11. GuindastesPerfil das obras estimula desenvolvimentos da indústria
  12. GuindastesPré-sal impulsiona o mercado também com obras de apoio
  13. GuindastesNovos modelos atendem ao perfil das usinas eólicas
  14. GuindastesLuna ALG lança guindauto de olho na concorrência chinesa
  15. GuindastesEspecialistas debatem como reduzir acidentes na operação
  16. MercadoAs estratégias de cada competidor
  17. ImplementosConstrução civil puxa a demanda do setor
  18. ImplementosRossetti lança balança para basculante
  19. LançamentosO que os fabricantes apresentaram de melhor
  20. Engenharia MilitarEm estado de alerta para a manutenção da frota
  21. Engenharia MilitarEvento estabelece diretrizes para os batalhões
  22. MineraçãoSoluções para a maior eficiência na britagem
  23. Transportadores De CorreiasO segredo é saber dimensionar
  24. ManutençãoLubrificação centralizada o fim das paradas desnecessárias
  25. Painel6 notas e colunas
Implementos

Construção civil puxa a demanda do setor

Em um setor marcado pelo desaquecimento nos negócios, a forte demanda dos mercados de construção e mineração dita o desenvolvimento de novos modelos para tais aplicações

Exclusivo M&T 4 de julho de 2012 · Edição 158

Em 2011, o mercado de implementos rodoviários cresceu 12%, ultrapassando a marca de 190 mil unidades comercializadas. Esse montante engloba todo o setor representado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), mas os responsáveis pelo incremento foram os produtos sobre chassi, segmento que inclui os equipamentos utilizados em construção civil e mineração – como as caçambas basculantes, por exemplo.

O bom desempenho do mercado para esse tipo de implemento é confirmado por fabricantes como a Noma e Rossetti, que aproveitaram a M&T Expo 2012 para apresentar lançamentos em suas respectivas linhas para operações em construção e mineração.

Pelas estimativas da Anfir, este ano seria caracterizado pelo desaquecimento nas vendas de implementos em geral. A associação fundamenta tais projeções na redução do acesso ao crédito do Finame, que diminuiu de 100% para 70% a parte financiável na compra de implementos rodoviários. Outro fator que também contribuiu para o desaquecimento do setor é a entrada em vigor da nova etapa da legislação de controle ambiental em veículos automotores, o Proconve7. Prevendo um aumento nos custos de aquisição de caminhões novos, muitos frotistas anteciparam as compras deste ano ou estão retardardando tais aquisições o que influencia diretamente o mercado de implementos.

Ações paliativas

“Essas projeções se confirmaram, pois no primeiro quadrimestre do ano o mercado teve queda geral de 3,71%”, diz Alcides Braga, presidente da Anfir. Para compensar essa situação, o governo baixou novas medidas de apoio à industria nacional. No setor de implementos, por exemplo, as taxas de juros foram reduzidas no crédito aos compradores classificados como grandes empresas. “Agora, a taxa média é de 7,3% ao ano, contra os 8,7% praticados anteriormente”, diz Braga.

Ele salienta que, no caso de pequenas e médias empresas, a taxa de juros média é de 5,5% ao ano, contra os 6,5% anteriores. “Além disso, a parte financiável ficou em 90% do valor de aquisição, para grandes empresas, e em 100% para as pequenas e médias, com alteração do prazo máximo de parcelamento de 96 para 120 meses”, completa Braga. Segundo o presidente da Anfir, essas mudanças proporcionaram uma recuperação do setor, que deverá ser computada a partir do segundo semestre.

No mercado de construção e mineração, entretanto, as vendas de implementos rodoviários deverão crescer ainda mais do que os índices registrados no início do ano. E não se trata de um crescimento modesto, afinal, somente na linha de pranchas carrega-tudo, bastante utilizadas por esses mercados, o aumento nas vendas chegou próximo a 30% no primeiro quadrimestre do ano. “A única explicação para esse cenário é a pujança da construção civil, o que está levando os fabricantes do setor a investir no desenvolvimento e produção de novas linhas para esses segmentos de mercado”, diz ele.

Novidades para o setor

A Noma, por exemplo, se inclui nessa categoria. A fabricante, tradicional no segmento de transporte rodoviário, lançou três produtos dedicados aos mercados de construção e mineração durante a M&T Expo 2012, feira na qual, diga-se de passagem, participou pela primeira vez como expositora. “Já vínhamos programando há quatro anos a participação nesse evento com o intuito de ampliar os negócios nos setores de mineração e construção”, diz Luiz Mesquita de Arruda Camargo, diretor comercial da fabricante.

Entre as novidades apresentadas pela empresa está a carreta basculante meia cana, voltada para o transporte de minérios abrasivos. “Ela é confeccionada em aço de alta resistência e está disponível em dois modelos, sendo um deles para aplicação sobre chassi 8x4, mais usado por para transportar rochas de primeira explosão, e outro para chassi 6x2, para rochas provenientes de segunda explosão”, diz o especialista da Noma.

A fabricante, cujas caçambas basculantes respondem por 8% dos negócios e devem passar a representar 15% até 2013, aposta em outra novidade para o transporte de minérios e materiais movimentados em construção. Trata-se de um produto-conceito lançado em parceria com a SR Equipamentos Rodoviários, formado por uma caçamba que, ao invés de bascular, empurra o material carregado para o despejo. “Com o acionamento de uma tampa retrátil, movida horizontalmente por um cilindro hidráulico, é possível fazer a descarga de material em locais confinados, como túneis de menor diâmetro, onde essa operação seria inviável”, explica Silvio Roberto Romanelli, diretor da SR Equipamentos.

Uma aplicação para o implemento são as operações em que o despejo de material precisa ser feito com o caminhão em movimento. Nos trabalhos com motoniveladoras, por exemplo, onde o equipamento vem nivelando o material descarregado pelo caminhão, a operação pode ser otimizada em até 80%, segundo testes realizados recentemente pela Noma.

Esse modelo de caçamba ainda não foi comercializado no mercado, mas, segundo Mesquita, da Noma, sua operação também é ideal para obras de pavimentação, pois otimiza a produtividade das vibroacabadoras. “O basculamento tradicional de massa  asfáltica quente geralmente cria grandes blocos de material e dificulta o trabalho da vibroacabadora, quando não a danifica por ter que processar extratos de materiais já frios e endurecidos.” Ele ressalta que o tempo de descarga desse equipamento, quando se trata de terra, é de 8 minutos, um período semelhante ao alcançado pelas caçambas basculantes.

Vanderléia basculante

A Rossetti, por sua vez, que sempre teve foco em implementos para o transporte de materiais em operações off-road, também lançou novos produtos de olho na demanda do setor de construção civil brasileira. O primeiro deles é uma vanderléia basculante que, segundo a empresa, conta com uma configuração inovadora ao dispensar o deslizamento da caçamba durante o basculamento. Esse tipo de implemento se caracteriza por contar com distância entre eixos superior a 2,4 m.

De acordo com Daniel Ângelo Rossetti, gerente de marketing da empresa, o produto é patenteado e apresenta uma extensão da caçamba na parte traseira para eliminar qualquer dispositivo de deslizamento da caçamba sobre o chassi ou os eixos, algo presente em outros implementos desse tipo. “O deslizamento gera desgaste de componentes e ainda configura uma operação de basculamento lenta”, diz ele. “O nosso produto realiza ciclos rápidos, de 2,5 minutos, um prazo que é considerado até quatro vezes menor que o dos concorrentes”, complementa.

Nesse novo modelo da Rossetti, o basculamento é acionado diretamente da cabine e faz uso somente do cilindro hidráulico central, que ergue a caçamba até o ângulo necessário para a descarga, sem expor o caminhão a riscos de tombamento. “O implemento foi desenvolvido para manter o centro de gravidade do caminhão durante o basculamento, algo que também é uma diferencial em relação a outras vanderléias basculantes dos concorrentes. ”

A vez dos 8x2

Ele explica que esse diferencial é importante para a segurança da operação, pois, como as caçambas dessas vanderléias são longas, necessitam ser erguidas a altos ângulos para o despejo do material. “Isso pode configurar um risco de instabilidade para o conjunto em regiões com incidência de ventos fortes”, afirma o executivo. O novo implemento sai de fábrica equipado com inclinômetro digital, impedindo automaticamente o basculamento em ângulos laterais críticos. “O equipamento foi projetado para operar em veículos 6x2 e 6x4, com caçambas de 20, 25, 30 ou 35 m³ de volume, e capacidade de carga liquida de até 34,6 t”, diz Rossetti.

Outra novidade da fabricante consiste na caçamba basculante para caminhões 8x2, denominada de Levtec e disponível em versões de 10 e 14 m³ de capacidade. Os caminhões 8x2 – que contam com um segundo eixo direcional – já são, naturalmente, uma opção mais produtiva que os tradicionais 6x2 e o desenvolvimento de caçambas para sua aplicação visa a maximizar essa vantagem. Isso porque, segundo o especialista da Rossetti, os 8x2 são capazes de transportar até 29 t de Peso Bruto Total (PBT Técnico), enquanto os 6x2 transportam até 23 t.

No caso da Levtec, diz o especialista, essa vantagem é ampliada, pois a caçamba é constituída de aço de alta resistência, o que seria uma novidade da fabricante para esse tipo de implemento. “Com o uso de aço especial, pudemos compor chapas estruturais de menor espessura, o que, consequentemente, reduz o peso específico da caçamba”, diz ele. “Por isso, na versão de 12 m³, por exemplo, a caçamba pesa apenas 2,5 t, o que representa 35% a menos do que o de produtos concorrentes”, ele finaliza.

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →