Como cuidar de sistemas common rail — Revista M&T
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M&T nº 214Julho 2017 Matéria 13 de 16
Sumário
  1. EditorialA agenda dos novos tempos na construção
  2. Semana Das TecnologiasConstruindo o futuro
  3. Semana Das TecnologiasAposta na retomada
  4. Semana Das TecnologiasArena do conhecimento
  5. RetroescavadeirasNotória desconhecida
  6. FabricanteAs estradas falam
  7. Comércio ExteriorHabilitação de empresas
  8. VibroacabadorasEfeitos da alta tecnologia
  9. TecnologiaSuperando barreiras
  10. InstitucionalEngenharia de manutenção
  11. EmpresaGarantia de produtividade
  12. A Era Das MáquinasCaminhões crescem sem parar
  13. ManutençãoComo cuidar de sistemas common rail
  14. EntrevistaRICARDO BEILKE NETO
  15. Compactos & FerramentasTransporte seguro de abrasivos
  16. Coluna Do YoshioHora de viabilizar o novo
  17. Painel16 notas e colunas
Manutenção

Como cuidar de sistemas common rail

Sistema modular permite medição mais precisa da quantidade de combustível injetada e uma melhor atomização do combustível dentro do cilindro, mas requer alguns cuidados

Exclusivo M&T 7 de julho de 2017 · Edição 214

Nos últimos anos, ocorreram grandes aperfeiçoamentos nos motores a diesel, particularmente devido à sua aplicação e crescente popularização em veículos de passeio. Aperfeiçoamentos como os sistemas modernos de alta pressão, injetores modulares e common rail foram alguns dos maiores responsáveis por essa mudança, que ademais permitiu a redução das emissões e do ruído, um fator inquestionável no desenvolvimento da indústria atual frente às restrições legais cada vez mais rígidas em todo o mundo.

Dentre os fabricantes, a Bosch teve um papel preponderante nesse processo. O primeiro sistema foi lançado pela marca em 1997 e recebeu esse nome por utilizar um reservatório compartilhado de alta pressão, disponível continuamente para todos os injetores. O sistema é modular, composto por bomba de alta pressão, injetores, reservatório compartilhado (rail) e unidade eletrônica de controle.

Nos sistemas convencionais, a pressão é gerada em cada injeção. No common rail, a geração de pressão e a injeção são processos separados, estando o combustível sempre disponível em alta pressão para a injeção, independentemente da necessidade e da rotação do motor.

CARACTERÍSTICAS

De modo esquemático, a bomba de alta pressão comprime o combustível e o envia para a entrada do acumulador compartilhado por meio de uma tubulação de alta pressão (de 1.100 a 2.200 bar). O acumulador é um reservatório compartilhado de alta pressão comum a todos os injetores (daí o nome common rail), a partir do qual é feita a distribuição para os injetores de cada cilindro, que injetam o combustível na respectiva câmara de combustão. Todos os parâmetros de injeção são controlados eletronicamente pela unidade eletrônica de controle, de forma extremamente precisa.

Nas primeiras gerações do componente, o processo de injeção era controlado por meio de solenoides instalados nos injetores. Na terceira e atual geração, são usados cristais piezoelétricos, que possuem a característica de se expandir quando é aplicado um campo elétrico. O movimento do conjunto de cristais é transmitido diretamente e sem atrito para o atuador, que aciona a agulha do injetor. As vantagens sobre os sistemas magnéticos mais antigos são uma medição mais precisa da quantidade de combustível injetada e uma melhor atomização do combustível dentro do cilindro.

Além disso, a rapidez de funcionamento permite reduzir o intervalo entre injeções e dividir a quantidade total de combustível usada em um ciclo, de modo que possa ser injetada em etapas separadas. Isso permite um funcionamento mais silencioso e maior eficiência na combustão (menor consumo, menos emissões e maior potência líquida). Prestes a ser lançada, a quarta geração prevê a utilização de pressões ainda mais altas (acima de 2.000 bar) e injetores de geometria variável.

PROBLEMÁTICA

O avanço da tecnologia, contudo, trouxe novos problemas a serem resolvidos. O fato de, por exemplo, as pressões de injeção dos sistemas common rail diesel (CRD) chegarem a 1.900 bar – muito acima da pressão dos injetores mais antigos – criou uma série de desafios.

Nesse rol, incluem-se fatores como (1) tolerâncias extremamente apertadas nas bombas e injetores, exigindo o uso de tecnologias especiais, maior susceptibilidade à contaminação por água, (2) aumento da carga mecânica do sistema, exigindo maior eficiência de lubrificação, e (3) elevação da temperatura do combustível, podendo mesmo degradá-lo e formar depósitos nas bombas e injetores, que causarão engripamentos, deficiências de funcionamento e desgaste dos injetores. Note-se que o uso de biodiesel acelera esse desgaste. Além disso, também surgiram problemas como a redução da capacidade de lubrificação do diesel, devido à redução dos níveis de enxofre, o que aumentou a possibilidade de desgaste.

Atualmente, a injeção é feita em até cinco etapas sucessivas por ciclo, o que obriga a respostas praticamente instantâneas. Atrasos causados por contaminação do diesel ou falta de lubrificação normalmente resultam em excesso de combustível na câmara de combustão, causando – além do aumento do consumo – o aumento da emissão de fuligem no escapamento e na válvula de recirculação (EGR), uma das grandes causas de carbonização nos motores e de degradação do óleo lubrificante.

COMBUSTÍVEL

Embora o diesel puro tenha qualidades lubrificantes suficientes para proteger os injetores, a ocorrência de sujeira permite o corte do metal da parte interna do injetor, devido às altas pressões envolvidas. Os filtros antigos conseguiam reter partículas de até 5 µm, enquanto os atuais têm possibilidade de reter partículas de até 2 µm.

Mas a busca por menos emissões levou os projetistas a utilizar sistemas tipo common rail com pressões cada vez mais altas e tolerâncias cada vez mais apertadas, que exigem combustível mais limpo para funcionar adequadamente. Isso fez com que o projeto e a manutenção dos sistemas de filtragem e separação de água passassem a ser críticos para evitar problemas relacionados com o sistema de injeção.

O uso de diesel contaminado causa obstrução desses filtros, permitindo a passagem de partículas maiores, que irão danificar os injetores. A única solução é usar óleo de alta qualidade e trocar os filtros de combustível com frequência. A contaminação por água também pode causar cortes nas passagens internas dos injetores. Normalmente, a água é separada do combustível num separador instalado na carcaça do filtro. Por isso, a drenagem dessa água deve fazer parte da rotina diária.

É importante lembrar ainda que o aparecimento de água no combustível não se deve somente às más condições do tanque. Variações significativas de temperatura entre o dia e a noite, por exemplo, podem causar considerável condensação, que também precisa ser eliminada.

INJETORES

Em termos operacionais, o injetor deixar de funcionar é uma das principais falhas que podem ser observadas pelo usuário. Normalmente, a causa disso é um curto-circuito ocorrido na bobina do injetor.

Também pode ser registrado um consumo alto de combustível. Ressalte-se que o orifício do injetor é muito importante para assegurar o desempenho do motor e a economia de combustível. Ocorre que o diâmetro desses furos – que regulam a vazão de combustível e o nível de atomização obtido na câmara de combustão – aumenta com o tempo de uso, o que piora a atomização e aumenta o consumo. Normalmente, esse desgaste ocorre na carcaça do injetor.

Outro fator é a detonação com o motor frio, considerada a principal causa de falha de injetores. Normalmente, a detonação é intensa com o motor frio, mas não é percebida com o motor mais quente. Aparentemente, isso se deve ao engripamento da agulha, que mantém o injetor aberto por mais tempo, aumentando a carga de combustível de cada injeção.

CONTROLE DE SUCÇÃO

No sistema common rail, a válvula de controle de sucção atua como estrangulador da bomba de combustível, conservando a energia no sistema e permitindo que somente a quantidade requerida de combustível seja bombeada através do sistema.

Como qualquer outro componente de um sistema common rail, a válvula de controle de sucção trabalha com tolerâncias apertadas. A contaminação do diesel e o desgaste interno fazem com que ela não cosiga enviar a pressão correta para os injetores. O mau funcionamento da válvula faz com que a pressão fique variando, o que causará funcionamento irregular. Assim, a pressão variará de um extremo a outro, acima do limite estabelecido.

Grande parte das falhas que envolvem a dirigibilidade está ligada a essa válvula. De modo que, nessa situação, deve ser o primeiro item a ser testado e eventualmente substituído.

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