Automação reduz custos na moagem de minério — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 226Agosto 2018 Matéria 6 de 13
Sumário
  1. EditorialA digitalização do setor da construção
  2. Pás CarregadeirasSeleção a dedo
  3. Escavação Em RochaUma nova cultura na perfuração
  4. Especial Sobratema 30 AnosAvanços contra sinistros
  5. MineraçãoDetecção de risco na mina
  6. MineraçãoAutomação reduz custos na moagem de minério
  7. LançamentoDireto ao ponto
  8. Lanças De ConcretoSempre prontas para o uso
  9. FabricanteJohn Deere amplia linha de produtos
  10. A Era Das MáquinasExplosivos avançam na demolição
  11. EntrevistaDENILSON MORENO
  12. Compactos & FerramentasCultura da prevenção
  13. Coluna Do YoshioA hora da governança
  14. Painel16 notas e colunas
Mineração

Automação reduz custos na moagem de minério

Recursos do software de controle avançado OCS-4D automatizam a reposição das bolas metálicas, que funcionam como corpos moedores do minério de ferro

Exclusivo M&T 6 de agosto de 2018 · Edição 226

Nem todo mundo sabe a relação existente entre a Lógica Fuzzy – também conhecida como Lógica Nebulosa ou Difusa, que suporta modos de raciocínio aproximados, ao invés de exatos – com a atividade de moagem em mineração de ferro.

Parece algo complicado de se estabelecer, mas na verdade esses pontos têm uma ligação em comum. A produção de pelotas de minério de ferro, por exemplo, um produto de valor agregado amplamente utilizado em siderúrgicas e fonte importante de receitas de exportação, exige um abastecimento contínuo dessa commodity mineral, sua matéria-prima principal, sendo que uma das etapas de processamento é exatamente a moagem.

Software de controle avançado OCS-4D automatiza a reposição das bolas metálicas utilizadas para auxiliar a moagem do minério de ferro

E aqui entra a Lógica Fuzzy. Ao lado de outros mecanismos de estatística e controle preditivo, a técnica computacional integra um sistema especializado que utiliza os recursos do software de controle avançado OCS-4D, que automatiza a reposição das bolas metálicas utilizadas para auxiliar a moagem do minério de ferro. Com o uso desse software, uma mineradora brasileira (cuja identidade não vem ao caso) estabilizou o processo, eliminando o controle manual e racionalizando a reposição das bolas metálicas, que funcionam como corpos moedores. Mas, até chegar a isso, houve um longo processo de pesquisa.

ESTUDO

Nesse sentido, a adoção da reposição automática na mineradora brasileira foi meticulosamente estudada por uma equipe interna, com suporte de engenheiros da Metso, fornecedora das soluções.

Envolvendo uma comparação entre o processo manual e três situações de automação, o estudo foi feito nos dois circuitos de moagem primária, que consomem mais de 10 mil toneladas de bolas metálicas por ano e funcionam com quatro motores, totalizando uma potência instalada de 30.000 kW. Além de fazer os circuitos funcionarem, a potência sempre foi um elemento-chave para avaliar quando é necessário repor as bolas metálicas.

Antes da automação, a inserção de novas bolas metálicas era feita diariamente, por meio de um cálculo que considerava a potência consumida na última reposição. A cada três meses, o processo era refinado durante a parada de manutenção, o que permitia uma correção da quantidade de corpos moedores. Além de mecânico e manual, a alimentação era menos precisa e morosa.

Após o início dos testes, a primeira automação eliminou a reposição em uma só batelada diária, distribuindo-a por etapas menores e cujo cálculo do número de bolas era feita com auxílio de um Controlador Lógico Programável (CLP), tecnologia básica de automação. A lógica desenvolvida no CLP para repor as bolas metálicas considerava, entre outros fatores, o tempo de funcionamento dos moinhos. A iniciativa trouxe maior precisão ao volume interno ocupado pelos corpos moedores, chamado de “grau de enchimento”, mas ainda não alcançou a estabilização desejada.

Realizado pela mineradora em conjunto com a Metso, o salto na automação envolveu duas fases e, em ambas, o OSC-4D passou a ser adotado. Customizado para essa etapa, o software considerava dados reais em campo e análises de laboratório, incluindo o desgaste das bolas em relação ao tipo de minério processado.

Na primeira etapa, a equipe de estudos passou a considerar a potência do moinho como um indicador indireto do grau de enchimento, que regularia a reposição. Na segunda, as equações foram aperfeiçoadas para reduzir a influência da densidade da polpa (minério + água) nos cálculos. Em ambas, a Lógica Fuzzy fez parte do processo.

Evidentemente, o uso dessas técnicas sofisticadas tem suas justificativas práticas. Um dos exemplos é a densidade da polpa. Nem todos os dados a respeito dela são aferidos de forma on-line, ao passo que a porcentagem de sólidos é um fator importante para determinar a potência do moinho que, por sua vez, é um dado fundamental para calcular o nível de enchimento e a necessidade de reposição das bolas metálicas.

SALTO

Da reposição manual, diária e única, a mineradora conseguiu estabelecer um processo mais frequente ao longo do dia, mas com menos bateladas do que a fase de automação inicial. O processo passou a dispensar a presença de um operador, enquanto a moagem sofre perturbações mínimas.

E aqui entra o papel do software de controle avançado. Ao ser usado na moagem – pois já era adotado em outras fases do processamento –, o OSC-4D permitiu um salto de configuração, pois independentemente do consumo de bolas diárias, o software altera a taxa de reposição e mantém o grau de enchimento do moinho – ou seja, a quantidade de corpos moedores.

Esse grau, por sua vez, é aferido indiretamente pela potência do moinho, já incluindo as variações causadas pela densidade da polpa de minério de ferro que alimenta a moagem.

*Boris Volavicius é gerente de otimização de processos da Metso

Saiba mais:

Metso: www.metso.com/br/brasil

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