Aprender a preservar — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 227Setembro 2018 Matéria 15 de 15
Sumário
  1. EditorialOs novos tempos da Sobratema
  2. Especial Sobratema 30 AnosUm olhar para o futuro
  3. Especial Sobratema 30 AnosDinâmica de atualização
  4. Guindaste De TorreMontagem planejada
  5. MineraçãoAlta resistência na lavra
  6. FabricanteCaterpillar nacionaliza transmissões
  7. Centrais De ConcretoMistura mais eficiente
  8. EmpresaNova realidade na demanda
  9. TendênciasO futuro das máquinas autônomas
  10. LançamentoDemanda por aplicação
  11. A Era Das MáquinasColossos para obras monumentais
  12. ManutençãoControlando o atrito e o desgaste
  13. EntrevistaAfonso Mamede
  14. Fórum De Infraestrutura – Grandes ConstruçõesPor um projeto de nação
  15. Coluna Do YoshioAprender a preservar
  16. Painel17 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Aprender a preservar

Exclusivo M&T 10 de setembro de 2018 · Edição 227

Há muitos anos, um amigo estrangeiro comentou que um dos sinais mais importantes de desenvolvimento de um país era o cuidado com a conservação daquilo que se construíra com os preciosos recursos da sociedade. Depois deste dia, passei a observar as coisas com o olhar de preservação de um valor criado, tanto das coisas públicas quanto privadas.

Ao permitir a deterioração de construções, edifícios, estradas, equipamentos urbanos, mobiliários e objetos em geral, a sociedade perde muito dinheiro e esforço humano, pois abdica – em parte ou totalmente – de algo que lhe custou muito para ser construído. Pode ser isso uma decorrência da cultura do consumo e, consequentemente, do descarte? Difícil dizer.

O fato é que a conservação tem uma alcunha técnica muito conhecida por todos nós: manutenção. É esta atividade que conserva a funcionalidade e o valor das construções e dos equipamentos que a sociedade adquiriu com recursos que custaram esforços de muitos, ou de todos.

Em geral, a realidade do nosso país é a de um lugar que não aprendeu a conservar as coisas. Mesmo com as máquinas utilizadas pelo nosso setor, por muito tempo foi absolutamente comum praticar o descarte ou, até mesmo, o abandono após o término das obras. Talvez no passado o descarte fosse, de fato, a medida mais viável economicamente. Todavia, alguém certamente pagou por este luxo.

Também é verdade que equipamentos e benfeitorias públicas frequentemente são alvos de depredações e vandalismo, em um exemplo extremo de descuido e despreparo. Quando lemos notícias sobre equipamentos danificados em hospitais públicos, por exemplo, percebemos um problema de gestão e burocracia que parece tornar impossível manter as coisas em ordem. O que se percebe claramente é que falta-nos incorporar uma cultura de conservação e manutenção já no estágio inicial de um projeto ou de uma nova aquisição.

Trata-se de um avanço urgente. Afinal, nas periferias os cidadãos morrem contaminados por conta de uma obra de saneamento que não foi realizada, mas também sucumbem quando a obra é realizada, mas não é mantida funcional ao longo do tempo. Nas estradas, os motoristas morrem em acidentes nos quais a má conservação das vias tem seu papel, em uma incapacidade flagrante de atender às demandas de infraestrutura.

Assim, o cenário é o de um país ainda por aprender a conservar e a manter o valor do que logrou construir ou fabricar a muito custo, entendendo que a cultura da manutenção pode ensinar um povo a ser melhor do que é. Se isso não for feito, estaremos condenados a sempre substituir o que já nos custou muito caro por erigir, sem expectativas de finalmente crescer.

*Yoshio Kawakami

é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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