Ânimo renovado — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 207Novembro 2016 Matéria 9 de 16
Sumário
  1. EditorialDesafios em cadeia na produção
  2. AgronegócioTecnologia embarcada reinventa a lavoura
  3. AgronegócioAliados (mais que) necessários
  4. Pás CarregadeirasNa ponta do lápis
  5. MineraçãoImportantes como nunca
  6. Correias TransportadorasConhecimento que vale ouro
  7. SetorNETWORK transnacional
  8. ComponentesMercado promissor para reforma de pneus
  9. FabricanteÂnimo renovado
  10. M&T Momento Peças E ServiçosBW Expo é o mais novo programa com foco em sustentabilidade
  11. A Era Das MáquinasA redescoberta das máquinas contínuas
  12. ManutençãoTemperatura ideal de trabalho
  13. Entrevista"Nem todos controlam os custos de operação"
  14. Compactos & FerramentasAlta eficiência em processos limpos
  15. Coluna YoshioPromessas à luz da realidade
  16. Tabela Custo HorárioTabela referente ao ano de 2016
  17. Painel16 notas e colunas
Fabricante

Ânimo renovado

Prevendo crescimento em 2017, John Deere investe R$ 80 milhões em expansão da fábrica de Indaiatuba (SP) para abrigar nova linha de produção de tratores de esteiras

Exclusivo M&T 10 de novembro de 2016 · Edição 207

Ao poucos, o setor de equipamentos para construção começa a retomar a vitalidade. Algumas fabricantes, inclusive, aproveitam-se da estrutura local e da atuação paralela em outros setores – como o agrícola – para alavancar desde já sua atuação em um cenário de retomada. Esse é o caso da John Deere, por exemplo.

Mesmo prevendo nova queda do mercado de equipamentos, que neste ano deve girar em torno de 8.500 unidades (exceto compactos), ou 40% abaixo do ano anterior, a fabricante norte-americana mantém seus planos de investimentos para o país com a introdução de mais três modelos de equipamentos da Linha Amarela em sua produção nacional. “A indústria de construção caiu tremendamente nos últimos dois anos. Porém, independentemente disso, os fundamentos para o crescimento continuam aqui e, no longo prazo, isso norteia nossos investimentos”, avalia Roberto Marques, diretor de vendas da John Deere Construção e Florestal, referindo-se à necessidade de o país desenvolver sua infraestrutura. “Já houve uma mudança positiva no ‘apetite’ das empresas no sentido de voltar a comprar, pois sentimos uma recuperação na substituição de equipamentos.”

O executivo ressalta que, em certo momento, o número mensal de equipamentos comercializados no país caiu para próximo de 500 unidades, mas já voltou para um patamar entre 600 e 800 máquinas. E a projeção é positiva, já que para 2017 a divisão prevê um aumento de 5% a 10% nos números da indústria, em um processo de recuperação que – segundo a empresa – teria se iniciado em abril deste ano. “Ainda não é tão expressivo, inclusive nossa meta é crescer mais que isso”, diz Marques, enfatizando que o avanço deve se dar mesmo “no médio prazo”, pois ainda faltam novas obras. “A recuperação não será no curto prazo. Mas a partir de meados do próximo ano, prevemos um crescimento bem maior, pois o governo tem procurado encontrar fórmulas de reativar e financiar os processos de concessão de uma forma mais interessante para os empresários.”

TRATORES

Para efetivar a localização dos tratores de esteiras 700J (de 115 hp, com peso operacional de 12.832 kg), 750J (de 145 hp, com 16.658 kg) e 850J (de 152 hp, com 20.582 kg), a John Deere Construção aportou um investimento de R$ 80 milhões, o que inclui a expansão da fábrica de 20 mil m2 de área coberta em Indaiatuba (SP) – que já produz a retroescavadeira 310K, além de cinco modelos de pás carregadeiras, um modelo de motoniveladora em regime de CKD e sete modelos de escavadeiras, incluindo a parceria com a Hitachi, que possui fábrica própria (leia Box na pág. 50).

Como diferencial competitivo, os tratores – atualmente produzidos nos EUA – contam com sistema de transmissão hidrostático, o que implica motores independentes para cada esteira e permite a chamada “contrarrotação”, ou seja, que a máquina gire no próprio eixo, em manobras mais rápidas. “Cada esteira funciona de maneira independente, pois há uma bomba e um motor hidráulico em cada lado do equipamento”, explica Etelson Hauck, especialista de produto da John Deere. “Também possibilita o uso de infinitas velocidades e marchas; à medida que se selecione as faixas, torna-se possível adequar a velocidade correta em cada operação, do muito vagaroso ao extremamente rápido.”

O especialista destaca ainda que as máquinas nacionalizadas trazem o Sistema TMC (Controle Total da Máquina), que propicia personalização do modo e resposta do acelerador, das faixas de deslocamento e da sensibilidade de modulação da direção. Outro item de destaque é o freio dinâmico, que ajusta automaticamente o sistema de transmissão em aclives e declives, permitindo manter a velocidade constante. E há ainda o sistema de retenção em morro. “Como não tem pedal de freio, se a máquina for colocada no neutro, ela freia automaticamente”, diz Hauck. “E, ao acionar o joystick para engatar a marcha novamente, volta a se deslocar na mesma velocidade selecionada previamente.”

Segundo a empresa, as primeiras unidades estarão disponíveis no início de 2018. “Os três modelos cobrem de 90% a 95% das necessidades dessas indústrias, tanto de construção como agrícola”, garante Cristiano Correia, gerente geral da fábrica da John Deere Construção.

PÓS-VENDA

A expansão do portfólio, contudo, não é a única cartada da John Deere para sair na frente em um desejado cenário de retomada. Isso porque, ao lado da produção, na qual aportou US$ 180 milhões apenas para erigir as fábricas, a empresa tem no pós-venda outro diferencial no qual investiu pesado em plena recessão. Tanto que, atualmente, o setor já representa mais de 33% dos negócios da empresa no país, sendo 20% apenas no segmento de peças. E com tendência de evolução.

Essa importância fica patente na obra de expansão do Centro de Distribuição de Peças (CDP) em Campinas (SP), inaugurada no final do ano passado (como M&T noticiou em sua edição no 196) ao custo de US$ 30 milhões. Maior do gênero na América Latina, o CDP possui 74.500 m2 de área coberta, totalmente tomados por um estoque avaliado em US$ 200 milhões, incluindo 200 mil códigos com preço, 122 mil códigos em estoque e mais de 1 milhão de itens armazenados nas 72 docas de recebimento e despacho.

O local atende a todas as divisões da companhia, exibindo atualmente um índice declarado de 97% no atendimento de pronta-entrega. “O CDP suporta todos os negócios da empresa no Brasil, incluindo agrícola, construção, turf e florestal, mais as peças da Auteq, empresa de tecnologia comprada em 2014 e que atua na área de gestão de frotas e monitoramento de operações”, comenta Ilson Eckert, diretor de operações de peças da John Deere para a América Latina. “E a importância deste Centro é tanta que as operações do México passaram agora a se reportar ao Brasil, em vez dos EUA.”

A estratégia de atendimento se completa com a cobertura territorial da rede de distribuição, que atualmente é formada pela Deltamaq (para Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima e Tocantins), Veneza Equipamentos (Região Nordeste e São Paulo), Rota Oeste Máquinas (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás e Distrito Federal), Inova Máquinas (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e Tauron Equipamentos (Região Sul).

Setor agrícola ganha importância para divisão

Nos últimos anos, a participação do agronegócio (serviços diretos) nas vendas da John Deere Construção praticamente triplicou, saltando de 6% para 15%. Se considerar-se toda a cadeia agrícola, o percentual chega a 25%. “As razões para isso foram o aumento de mecanização e crescimento no setor agropecuário, além da própria diminuição da indústria da construção”, avalia Roberto Marques, diretor de vendas da John Deere Construção e Florestal.

Parceria é a mais antiga do mundo no setor de máquinas

Parceria mais longeva do mundo no segmento de equipamentos para construção, a relação entre a John Deere e a Hitachi remonta aos anos 60, quando a marca norte-americana comprava esteiras da japonesa, que em troca distribuía tratores de baixa potência na Ásia. Em 1988, a relação foi reforçada com o estabelecimento de uma joint venture para a produção de escavadeiras hidráulicas, exclusivamente para os mercados das Américas, que culminou com a abertura da fábrica de 20 mil m2 em Indaiatuba (SP) em 2014. Além do Brasil, onde produz escavadeiras de 16 a 35 toneladas, a parceria mantém uma fábrica nos EUA (que produz equipamentos para construção de 13 a 47 t) e outra no Canadá (para equipamentos da área florestal).

Afora a pintura, a única diferença das escavadeiras produzidas no Brasil é o motor Isuzu que equipa as máquinas da Hitachi e – em decorrência disso – seu pacote de arrefecimento. “Essa parceria adveio da necessidade de ter um produto mais adequado e uma rede de distribuição melhor”, comenta Adílson Butzke, presidente da Deere-Hitachi do Brasil, complementando que não há sobreposição comercial na estratégia, pois os papéis são claramente definidos. “A Hitachi entra com a tecnologia, projeto e manufatura, enquanto a John Deere cuida da distribuição e comercialização dos produtos, incluindo suporte, marketing e vendas. Por isso, as empresas não concorrem entre si, mas são complementares.”

 

 

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