Amarração de cargas requer formalização — Revista M&T
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M&T nº 172Setembro 2013 Matéria 16 de 23
Sumário
  1. Sobratema 25 AnosA união de tecnologia, networking e informação
  2. Sobratema 25 AnosUm palco de superações
  3. Sobratema 25 Anos25 anos de um mundo em transformação
  4. Sobratema 25 AnosDestaque na agenda mundial da construção
  5. Sobratema 25 AnosFoco contínuo na informação
  6. Sobratema 25 AnosProdutividade e segurança nos canteiros
  7. Sobratema 25 AnosDiretorias regionais reforçam representatividade
  8. SustentabilidadeTecnologias reduzem impacto ambiental
  9. GuindastesSetor de energia traz otimismo a fabricantes
  10. GuindastesFabricantes chineses consolidam presença no Brasil
  11. GuindastesA guerra dos guindastes
  12. Sistemas De VentilaçãoVentos favoráveis para túneis e minas
  13. Sistemas De VentilaçãoTipos de tubulação variam conforme o projeto
  14. RentalEm busca da unificação do setor
  15. Equipamentos EspeciaisGigantes longe da aposentadoria
  16. Transporte RodoviárioAmarração de cargas requer formalização
  17. Obras De ArteJofege adota balanço sucessivo em ponte de Barueri
  18. Momento ConstructionTecnologia nos canteiros
  19. A Era Das MáquinasR. G. LeTourneau A revolução técnica nas grandes obras
  20. ManutençãoAtenção redobrada com rompedores hidráulicos
  21. Entrevista"A unidade de propósitos nos mantém relevantes"
  22. Suplemento Especial - Compactos & FerramentasRemate preciso para pisos de alta resistência
  23. Coluna Do YoshioTensão e insegurança nas estradas brasileiras
  24. Painel20 notas e colunas
Transporte Rodoviário

Amarração de cargas requer formalização

Para especialista, falta de regulamentação e de conhecimento técnico na segurança de cargas é uma das principais causas de acidentes durante o transporte em rodovias

Exclusivo M&T 18 de setembro de 2013 · Edição 172

Muitas vezes ignorada até por profissionais do setor, a amarração de cargas é mais um dos problemas que compõem nosso já complexo gargalo logístico. Para o engenheiro Rubem Penteado de Melo, diretor técnico da Transtech Ivesur Brasil, isso ocorre porque o país possui poucos veículos especializados para transporte de cargas e, como consequência, a responsabilidade da amarração acaba totalmente delegada aos próprios condutores. Como solução possível, o especialista defende a formalização das técnicas corretas juntos às empresas de transporte, apontando quais preceitos devem ser considerados nesse aspecto.

ESTABILIDADE

O primeiro deles é a verificação e garantia da estabilidade da carga amarrada. Para obtê-la, como afirma Melo, deve-se calcular antecipadamente se a carga suportará ser submetida às forças gravitacionais exercidas em todas as direções (como mostra o quadro da pág. 129). “Se estiver instável, ela naturalmente corre o risco de tombar”, diz ele. “Por isso, é necessário sempre considerar as medidas de comprimento, largura e altura do material transportado.”

Nesse sentido, o especialista explica que, para evitar o tombamento para frente, o comprimento da carga precisa ser ao menos 80% maior que a medida da altura. Já para evitar que tombe para os lados, a largura precisa ter 50% ou mais da medida da altura. Melo, no entanto, adverte que essas regras não se aplicam nos casos em que o centro da gravidade da carga não está no centro geométrico, ou seja, cargas com pesos e medidas irregulares.

MECANISMOS

Mesmo estável, mecanismos de amarração devem ser instalados para evitar o tombamento da carga. A fixação envolvente (ou “tie-down”) consiste em forçar o objeto contra o piso, aumentando sua força de atrito. “Para ter o máximo de eficiência com esse tipo de amarração, os cabos devem ser presos o mais próximo possível da carga, diminuindo o ângulo de aplicação do sistema de fixação”, delineia Melo. Outro método usual é a fixação direta em contentores, que retêm a carga diretamente em sua estrutura, seja carroceria basculante, tanque etc. Há também a possibilidade de fixação direta por meio de bloqueadores, na qual a carga é presa a um painel dianteiro, traseiro ou mesmo grades laterais. Por último, a fixação direta pode ser realizada por meio de dispositivos como correntes, cabos de aço ou cintas de nylon, que são usadas para amarrar a carga diretamente na carroceria. CARGAS ESPECIAIS

Para o transporte de cargas especiais, como siderúrgicas, deve-se verificar e obedecer às resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). No caso de cargas excedentes, ou especiais, os diferentes critérios de amarração e tráfego estão indicados na resolução 11/2004, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Nesses casos, são muitos os fatores que devem ser considerados a fim de se obter um transporte seguro, tal como a atuação da força do vento na carga e a inclinação das vias.

No caso de bitrens e rodotrens, Melo comenta que os cuidados devem ser ainda maiores. A amarração na segunda carreta, por exemplo, deve ser sempre mais resistente, para evitar o “efeito chicote”, assim como retensionar o sistema periodicamente durante o trajeto, depois de freadas ou manobras evasivas.

FORMALIZAÇÃO

Frente a essa especificidade de segurança para cada tipo de transporte com cargas, Melo avalia que o sistema de transporte no Brasil precisa mudar urgentemente. Para ele, é de extrema importância formalizar progressivamente as instruções, identificando todas as informações técnicas da carga, os cuidados especiais necessários, as características do veículo e os dispositivos de amarração.

“Em resumo, é preciso especificar as exigências no carregamento durante a viagem, de forma a assegurar o transporte correto e seguro das cargas”, conclui o especialista.

Estabilidade da carga também depende do atrito

Dependendo do atrito existente entre as superfícies, o próprio peso da carga pode colaborar com a força necessária para sua estabilidade. Dessa forma, a força do atrito é proporcional ao peso e ao coeficiente de atrito entre o piso e a carga. O quadro abaixo mostra como pode ser feito o cálculo da força de atrito necessária.

EXEMPLOS DE COEFICIENTES TÍPICOS:

Aço oleado sobre aço 0,01 - 0,1

Aço liso sobre aço 0,1 - 0,2

Aço liso sobre madeira 0,3 - 0,4

Aço liso sobre borracha 0,6 - 0,7

Aço livre corrugado sobre madeira 0,6 - 0,7

Fat = μ.N Fat = Força de atrito

μ = Coeficiente de atrito

N = Força (carga kg x 10).

Confira os principais métodos de amarração de carga em veículos:

Fixação envolvente (tie-down): o objeto é forçado contra o piso do veículo, aumentando sua capacidade restritiva por meio do aumento da força de atrito entre as superfícies

Fixação direta em contenedores específicos: estrutura retém a carga diretamente em suas estruturas, como carroceria basculante, tanque etc.

Fixação direta por meio de bloqueadores: é utilizada a própria carroceria do veículo, como painel dianteiro, painel traseiro e grades laterais

Fixação direta por meio de dispositivos de fixação: como correntes, cabos de aço, cintas de nylon e outros, nos quais a amarração da carga é feita diretamente na estrutura do veículo ou de sua carroceria.

 

 

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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