Alta tecnologia na construção de túneis — Revista M&T
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Tecnologia e inovação para
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M&T nº 176Fevereiro 2014 Matéria 4 de 15
Sumário
  1. EditorialUm novo modelo de crescimento para o Brasil
  2. Mineração SubmarinaA fronteira final
  3. Mineração SubmarinaTecnologias auxiliam na exploração do solo marinho
  4. Jumbos De PerfuraçãoAlta tecnologia na construção de túneis
  5. Combustíveis AlternativosMuito além do petróleo
  6. Transportes EspeciaisFalta de investimentos aprofunda deficiência logística
  7. BritagemEspecificação correta otimiza investimentos
  8. BritagemTecnologia analítica
  9. Momento M&T Peças E ServiçosPaís avança em programa de concessões
  10. A Era Das MáquinasA vez dos orientais: Da ferramentaria à construção e mineração
  11. ManutençãoComponentes hidráulicos exigem atenção permanente
  12. Entrevista"Atendimento capacitado amplia a rentabilidade"
  13. Suplemento Especial - Compactos & FerramentasEficácia para golpeamento em superfícies
  14. Coluna YoshioOs limites da tecnologia
  15. Combustíveis AlternativosNovas soluções demandam investimentos
  16. Painel14 notas e colunas
Jumbos De Perfuração

Alta tecnologia na construção de túneis

Equipamentos computadorizados aperfeiçoam as malhas de perfuração, aumentando a produtividade e evitando os custos decorrentes da sobre-escavação

Exclusivo M&T 5 de fevereiro de 2014 · Edição 176

A escavação de túneis pelo Novo Método Austríaco de Perfuração (NATM) é composta por várias etapas: perfuração, carregamento de explosivos, detonação, ventilação, batimento de chocos, limpeza da rocha desmontada, sustentação de teto e paredes, topografia e, novamente, perfuração, reiniciando o ciclo. Na primeira fase, executam-se os furos onde serão depositados os explosivos. O desempenho dessa etapa influenciará na dinâmica e eficiência de todo o restante do processo.

É assim que Atlas Copco e Sandvik – duas das maiores fabricantes de jumbos de perfuração com presença no Brasil – avaliam o assunto. Aliás, as empresas escandinavas já foram parceiras no passado, contribuindo tecnologicamente para a disseminação da escavação de túneis com o uso de hastes pneumáticas e bits de metal duro – o chamado “Método Sueco”. “A perfuração tem importância fundamental nas operações subsequentes”, corrobora Armando Bernardes, gerente de contas especiais da Sandvik Construction.

Segundo ele, a malha de perfuração é definida de acordo com vários fatores, mas invariavelmente tem como principal objetivo o desmonte eficaz da rocha com o emprego da menor quantidade possível de furos e, consequentemente, de explosivos. “A baixa qualidade da perfuração e a variação de localização e alinhamento dos furos dificultam o trabalho da equipe de carregamento de explosivos, que passa a tratar o carregamento em cada furo de forma individual”, afere. “E isso reduz substancialmente o desempenho do processo.”

Nesse caso, a situação ideal é que todas as malhas de perfuração executadas pelo jumbo sejam iguais, permitindo que a equipe de explosivos mantenha um padrão de carregamento que aperfeiçoe a carga de explosivos e, consequentemente, o próprio desmonte da rocha.

ELETRÔNICA

Para facilitar essa padronização, os jumbos de perfuração mais modernos são equipados com sistemas computadorizados de monitoramento e automação de processos. A Sandvik, por exemplo, disponibiliza dois diferentes níveis de monitoramento: os sistemas TCad e i-Data.

Segundo Bernardes, o primeiro exibe em tempo real na tela do operador a posição de cada haste de perfuração e sua operação. “Com isso, o plano de perfuração pode ser desenhado previamente em escritório e transferido para um pen drive, que será inserido no computador de bordo do equipamento em campo”, explica o executivo da Sandvik. O recurso permite que o operador tenha acesso às informações necessárias para realizar o plano de perfuração o mais próximo possível da perfeição. “Essa tecnologia é absolutamente precisa, mas o resultado final sempre sofrerá influência do operador”, salienta o especialista.

É aqui que entra o outro sistema. O i-Data tem como princípio o controle completo do equipamento a partir de um conjunto de computadores. Ou seja, com interferência mínima do operador. “O sistema executa uma perfuração perfeita e o operador passa a atuar como supervisor do processo”, destaca o gerente.

BENEFÍCIOS

Na Europa, segundo ele, os empreiteiros consideram que essas tecnologias de precisão trazem benefícios valiosos à perfuração, como a redução de custos na sobre-escavação (batimento de choco, projeção de concreto, volume de escavação, consumo de ferramentas, uso de explosivos etc.).

“Essa avaliação também já é corrente no Brasil, onde a base do raciocínio é que a escavação desnecessária (sobre-escavação) gera aumento considerável no volume do atirantamento e, de quebra, maior consumo de concreto moldado ou projetado para manter o perfil da seção do túnel nas dimensões desejadas após a detonação”, explica Bernardes. “Em suma, a regra é manter o controle das paredes do túnel, o que significa menor custo com materiais e concreto, otimização dos equipamentos de apoio como carregadeiras e caminhões e, no limite, maior agilidade agregada à obra como um todo.”

Computadorizados, os jumbos mais avançados da Atlas Copco são equipados com a tecnologia RCS (Rig Control System). Esse sistema utiliza a plataforma CAN-Bus, que foi desenvolvida nos anos 1990 pela indústria automobilística e, posteriormente, incorporada aos equipamentos de perfuração, carregamento e transporte da marca sueca.

Segundo Guilherme Paiva, engenheiro de produto de equipamentos para escavação de rocha subterrânea da Atlas Copco, a solução consiste num módulo e computador central que se intercomunicam e gerenciam as funções do jumbo de perfuração. Esses componentes estão interligados por um único cabo, que substitui toda a fiação elétrica que era utilizada nos equipamentos de perfuração mais antigos.

GEOMETRIAS

Na avaliação de Paiva, o sistema CAN-Bus proporciona elevados níveis de automação, sendo um deles a do posicionamento da máquina dentro dos túneis, realizada com base no plano de perfuração. Esse plano, aliás, também pode ser feito remotamente por computador e transferido para a máquina por meio de pen drive ou via internet.

“Uma vez que o plano de perfuração é carregado, o jumbo pode ser posicionado no túnel ou galeria por meio de um sistema de navegação chamado Total Station Navigation, que utiliza um teodolito eletrônico com sistema de varredura a laser e se comunica com o equipamento via bluetooth”, diz ele. Esse sistema a laser “lê” os pontos de referência fixos no túnel e reconhece as geometrias do local e da própria máquina. “Em seguida, o sistema envia as informações para o jumbo, que realiza o plano de perfuração automaticamente, necessitando do operador apenas na supervisão”, explica Paiva.

O especialista da Atlas Copco também destaca o software Tunnel Manager, com o qual é possível criar planos de perfuração em qualquer computador e posteriormente transferi-los aos jumbos. “As informações são salvas em pen drive ou transferidas via web quando há infraestrutura wireless disponível dentro do túnel”, diz ele.

Paiva complementa que, com o controle computadorizado do sistema de perfuração, os parâmetros são definidos no próprio display do equipamento, considerando diferentes níveis de acesso. Do mesmo modo, o sistema integrado de diagnóstico de falhas possibilita a detecção e correção de falhas na tela  da cabine. “O design modular da máquina permite a inserção de opcionais para aumentar o nível de automação”, comenta. “Além disso, seus componentes são intercambiáveis, minimizando a necessidade de estoques para as frotas em operação.”

Obras estimulam potencial do mercado

Por motivos estratégicos, a Atlas Copco e a Sandvik não revelam o volume atual de vendas de jumbos de perfuração no Brasil. Todavia, Armando Bernardes, da Sandvik, revela que a demanda desse tipo de equipamento vem crescendo devido principalmente às grandes obras viárias atualmente em andamento. O executivo pondera que, mesmo que ainda seja restrito, com poucas unidades negociadas anualmente, o mercado nacional possui grande potencial. “As perspectivas são francamente positivas, dada à necessidade de grandes obras que temos pela frente”, diz ele.

Outro nicho para a comercialização de jumbos são os túneis de pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Esse mercado, segundo Bernardes, consome jumbos de dois braços e equipados com cabine fechada. Mas, normalmente, não levam os sistemas computadorizados relatados nesta reportagem. “No Brasil, somente os jumbos maiores – com três braços de perfuração – são cabinados e costumam ser solicitados com esse tipo de tecnologia embarcada”, conclui.

 

 

 

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