Allis-Chalmers: quase no topo — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
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M&T nº 185Novembro 2014 Matéria 15 de 19
Sumário
  1. EditorialMomento de decisões
  2. MineraçãoNo coração da mina
  3. PavimentaçãoEstado de arte nas rodovias
  4. PavimentaçãoNível avançado
  5. AgroindústriaSinergia na lavoura
  6. LançamentoPesados conectados
  7. Bombas De ConcretoMomento de transição
  8. Comércio ExteriorAs contestações de ex-tarifários
  9. FabricanteJogo de cintura
  10. AutomaçãoControle total
  11. AutomaçãoPreparando o terreno
  12. GestãoO futuro da gestão de ativos
  13. EmpresaGestão estratégica
  14. Momento M&T ExpoA evolução da indústria
  15. A Era Das MáquinasAllis-Chalmers: quase no topo
  16. ManutençãoDefesa contra impurezas
  17. EntrevistaO futuro está na tecnologia
  18. Compactos & FerramentasOrganização e versatilidade
  19. Coluna YoshioO Cabo de Guerra já começou
  20. Painel15 notas e colunas
A Era Das Máquinas

Allis-Chalmers: quase no topo

Exclusivo M&T 31 de outubro de 2014 · Edição 185

O início da Allis-Chalmers pode ser localizado em 1856, com o arremate em leilão da empresa Reliance Iron Works por Edward P. Allis (1824-1889). Inicialmente, a Allis Company produzia serras e equipamentos para moinhos de trigo, mas viveria uma reviravolta sob a nova administração.

Na época, a mecanização da colheita levou a um significativo aumento da produção de trigo e, consequentemente, da demanda por moinhos para a produção de farinha, o que fez a empresa crescer rapidamente.

Allis não era um inventor, mas um empresário. Assim, delegou o desenvolvimento de seus produtos para gerentes e, para assegurar o progresso tecnológico de sua empresa, contratou diversos inventores, tais como George M. Hinkley (1832-1905) – idealizador da serra de fita, que acabaria por substituir a serra circular nas operações de moagem, e de outras 53 patentes – e Edwin Reynolds (1831-1909), que projetou e fabricou grandes motores para a indústria do aço e elevou a Allis à posição de um dos maiores fabricantes de equipamentos pesados da época.

TRATORES

Com o falecimento de Allis, ocorrido em 1889, a empresa foi dividida entre seus oito filhos. Em 1901, um corretor da Wall Street mostrou interesse na fusão da empresa com outras três, criando uma nova empresa, a Allis-Chalmers Co. Em 1913, Otto Falk (1865-1940) foi nomeado presidente da empresa, permanecendo no cargo até sua morte. Nesse período, foi responsável por importantes decisões empresariais, como a entrada da empresa no segmento de equipamentos para a agricultura.

O primeiro trator agrícola Allis-Chalmers seria produzido em 1919, mas as vendas não decolaram na década de 20. Além do fato de seus tratores não possuírem implementos e o pós-venda ser deficiente, a nova empresa tinha concorrentes já estabelecidos no mercado, como as linhas Fordson (Ford) e Farmall (International).

Foi então que Falk teve um estalo. O sucesso da Caterpillar na década de 20 chamou sua atenção, levando-o a entrar na produção de tratores de esteiras com a aquisição da Monarch Tractor Corp, cujos modelos de 6 e 10 ton formaram a base da nova linha de tratores Allis-Chalmers, posteriormente complementada por outros modelos.

Até 1937, todos os motores da linha eram a gasolina. Nessa época, os tratores de esteiras passaram a utilizar motores GM da série 71, o que levou a linha a ganhar o prefixo HD, surgindo assim os modelos HD-14 (em 1939), HD-7 e HD-10 (1940). O HD-14 também incorporava melhorias significativas na parte rodante, particularmente em relação à vedação dos roletes, que passaram a ter uma vida útil muito mais duradoura que os das concorrentes.

Em 1947, a empresa produziria o então maior trator de esteiras do mercado. Equipado com motor GM de 163 hp e pesando 18.000 kg, o HD-19 inovava com o uso de conversor de torque no conjunto de acionamento.

Em conjunto com a Firestone e a Goodyear, a Allis-Chalmers também participaria do desenvolvimento de pneus para tratores agrícolas, lançados em 1933 como alternativa às rodas de aço até então utilizadas. Apesar da resistência inicial, sete anos depois 95% dos tratores já eram equipados com pneus.

AVANÇO

Em 1930, a compra da Russell Grader pela Caterpillar forçou a Allis a adquirir a Ryan Manufacturing, passando a produzir dois modelos de motoniveladoras com motor a gasolina. Após o término da Segunda Guerra Mundial, foram introduzidos novos modelos, como o AD-3 (de 78 hp) e o BD-2 (de 50 hp), que tinham estrutura tubular, controles mecânicos e motores GM. Posteriormente, a linha seria ampliada com os modelos AD-4, BD-3 e D.

Em 1950, a Allis-Chalmers desenvolveu a carregadeira TL-10 em conjunto com a fabricante de implementos Tractomotive. Embora utilizasse conversor de torque, essa máquina era menos sofisticada que os modelos concorrentes da Hough e da Clark-Michigan. Por essa razão, a empresa nunca teve uma posição sólida no mercado de carregadeiras, mesmo após adquirir a Tractomotive e lançar equipamentos próprios.

Em 1953, a GM (fornecedora de motores para a Allis-Chalmers) decidiu comprar a Euclid Road Building Machinery, transformando-se em concorrente. Esse fato levou a Allis-Chalmers a adquirir, nesse mesmo ano, a Buda Company para produzir motores para suas máquinas.

A empresa sempre tentou evitar o desenvolvimento interno de produtos, procurando adquirir empresas que já dispusessem da tecnologia desejada. Esse também foi o caso da LaPlant-Choate, adquirida em 1952 e que fabricava dois modelos de scrapers. Os resultados não foram bons e obrigaram a Allis-Chalmers a desenvolver novos modelos para assegurar a fidelidade dos clientes. Essa linha de ação, repetida diversas vezes, provou ser prejudicial no longo prazo, pois a aquisição de empresas com máquinas que não eram competitivas obrigava a investir em desenvolvimento de produtos e a arcar com os custos correspondentes.

Em 1955, a empresa já era o terceiro maior fabricante de equipamentos para construção (atrás da Caterpillar e International) e o terceiro maior fabricante de equipamentos agrícolas (atrás da Harvester e John Deere). No final daquela década, a Allis-Chalmers adquiriu empresas em diversos países, buscando expandir sua participação no mercado internacional, sem obter resultados satisfatórios.

FUSÃO

Os anos 60 e 70 foram bastante difíceis para a empresa, que teve problemas financeiros e não investiu em desenvolvimento. Novos concorrentes como Komatsu e Case aumentaram sua participação nos mercados de equipamentos leves e médios e passaram a fabricar escavadeiras, que não eram produzidas pela Allis-Chalmers. Com a queda da demanda de equipamentos agrícolas, a empresa precisou tomar medidas drásticas para sobreviver.

Em 1973, foi feita a fusão com a Fiat, então o maior fabricante de equipamentos compactos e médios da Europa. A entrada da linha mais pesada e de tecnologia mais sofisticada reforçou a posição da Fiat no Velho Mundo, mas não trouxe benefícios significativos para a Allis-Chalmers. A participação no mercado americano caiu e, em 1985, a parceria foi encerrada com a aquisição da empresa pela Fiat e a transformação da marca em Fiatallis.

Na década de 90, a Fiat adquiriu 80% da Ford New Holland, tornando-se a maior produtora de tratores e um dos maiores produtores mundiais de motores a diesel. Em 1995, com a aquisição dos 20% restantes, a empresa – que correspondia a uma fusão entre Fiatagri, Fiatallis, Fiat-Hitachi e Ford – voltou a se chamar New Holland, que se tornaria uma das novas líderes do mercado mundial de equipamentos agrícolas e de construção.

Leia na próxima edição: O desenvolvimento das esteiras

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