A valorização dos recursos hídricos — Revista M&T
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M&T nº 240Dez/Jan 2020 Matéria 10 de 14
Sumário
  1. EditorialConstrução global cresce em ritmo mais lento
  2. Estudo De MercadoExpectativa nas alturas
  3. CenárioUm horizonte de obras
  4. Linhas De EixosPeso pesado do transporte
  5. Especial InfraestruturaA vez das energias renováveis
  6. EventoLargada para a M&T Expo 2021
  7. PlataformasMudança cultural
  8. RentalExperiência compartilhada
  9. Comércio ExteriorO regime Drawback
  10. Momento BwA valorização dos recursos hídricos
  11. A Era Das MáquinasAs carregadeiras que marcaram época
  12. ManutençãoGarantindo a troca de calor
  13. EntrevistaVITOR ALY
  14. Coluna Do YoshioO vácuo técnico que paralisa o setor
  15. Painel16 notas e colunas
Momento Bw

A valorização dos recursos hídricos

Mesmo contando com cerca de 12% da água doce disponível no planeta, país precisa melhorar a forma como esse recurso é armazenado, gerenciado e alocado aos seus usuários

Exclusivo M&T 6 de dezembro de 2019 · Edição 240

Bilhões de pessoas sofrem com escassez severa de água no mundo

Até 2050, a demanda mundial por água deve aumentar cerca de 1% ao ano, o que representa uma alta entre 20% e 30% ante ao nível atual do uso desse recurso fundamental à vida. Segundo o relatório de 2019 das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, essa taxa anual de elevação já vem sendo registrada desde 1980, o que significa que o consumo de água vem subindo de forma constante, em um movimento ocasionado por fatores como crescimento populacional, desenvolvimento socioeconômico e mudanças nos padrões de consumo das populações.

O relatório revela que cerca de 4 bilhões de pessoas sofrem com escassez severa de água durante ao menos um mês por ano, enquanto mais de 2 bilhões moram em nações que experimentam alto estresse hídrico. No Brasil, apesar de 23% dos municípios nacionais terem sofrido com a falta de água em 2017, um estudo recente do World Resources Institute (WRI) avalia que maior parte do país possui um baixo risco de estresse hídrico.

O Distrito Federal é o território em situação de maior estresse hídrico (médio-alto), seguido pelos estados do Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro e Pernambuco. “A questão dos recursos hídricos em nosso país requer mais atenção, pois falta conscientização por parte da população em geral”, afirma a bióloga Ana Luiza Fávaro, diretora técnica da Acqua Expert Engenharia Ambiental.

Segundo ela, as indústrias precisam cumprir padrões rigorosos de preservação do recurso hídrico, mas a fiscalização é quase zero, o que permite a muitas empresas descumprir o que realmente deve ser feito. “Temos ainda a questão da agricultura, com o lançamento de uma quantidade considerável de poluentes nas águas e, infelizmente, não há uma legislação específica sobre o assunto e, menos ainda, fiscalização”, assevera.

ALTERNATIVAS

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil conta com cerca de 12% da disponibilidade de água doce do planeta, incluindo uma grande quantidade de aquíferos. Porém, a disponibilidade hídrica não depende apenas da quantidade de água fisicamente disponível, pois – segundo a especialista – é preciso pensar a forma como esse recurso é armazenado, gerenciado e alocado para seus diferentes usuários. E isso inclui aspectos relacionados à reciclagem e ao reúso da água.

Ana Luiza Fávaro: conscientização e políticas públicas para evitar o estresse hídrico

Para Ana Luiza Fávaro, a implementação de sistemas de reúso de água e de dessalinização da água do mar pode contribuir para uma melhor distribuição de água, erradicando questões ligadas ao estresse hídrico. Afinal, as tecnologias nesta área estão bem avançadas. “Um exemplo é o sistema de filtração por membranas, que garante que o esgoto saia totalmente livre de vírus e bactérias, podendo ser reutilizado diretamente”, comenta. “Já a tecnologia de Osmose Reversa pode fazer a dessalinização da água do mar, ajudando as cidades que já sofrem com a falta de água.”

No entanto, a diretora reitera que existem outros desafios que precisam ser vencidos, sendo o maior deles a questão relacionada às políticas públicas, que devem priorizar o tratamento de esgoto. “Isso é primordial para melhorar a qualidade das águas e também para melhorar a saúde, pois muitas crianças ainda morrem diariamente no Brasil por doenças provocadas pela falta de saneamento”, ela aponta.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto e 35 milhões não recebem água potável. Ou seja, a cobertura de água e esgoto no país é de 83,3% e 51,9%, respectivamente. A especialista cita ainda um segundo desafio – a educação ambiental –, necessária para conscientizar a população a respeito dos prejuízos causados, por exemplo, pelo lixo jogado em corpos hídricos.

Além do desequilíbrio ambiental, afetando a fauna e flora de diversas regiões e ameaçando as espécies marinhas, existe o problema da proliferação de insetos vetores de doenças e contaminação da água. “No Brasil, dois milhões de toneladas de resíduos chegam aos oceanos todos os anos”, ela informa.

VISIBILIDADE

Nesse sentido, já existem no país ações para mitigar a degradação de rios, como a despoluição do rio Pinheiros, por exemplo, um projeto do governo do estado de São Paulo que deve envolver um montante de R$ 1,5 bilhão para que o rio esteja limpo até 2022. “Um dos desafios cruciais para esse projeto é parar de receber lixo e esgoto”, diz Ana Luiza Fávaro, acrescentando que há exemplos importantes de despoluição de rios no mundo, como o Tâmisa. “Atualmente, a saúde desse rio é acompanhada de perto por oito sensores em tempo integral, concedendo informações a cada 15 minutos sobre oxigênio dissolvido (OD), temperatura, fósforo e amônia”, diz ela. “E, a partir desse monitoramento, são enviados alertas para que a companhia local de águas possa tomar decisões para melhorar a qualidade das águas.”

Para dar visibilidade ao tema, a BW Expo e Summit 2020 – 3ª Biosphere World conta com um Núcleo Temático de Conservação de Recursos Hídricos, cuja curadoria está a cargo de Ana Luiza Fávaro. “O evento vai contribuir para dar passos importantes rumo à conscientização ambiental, pois pretendemos ampliar o olhar das pessoas sobre a importância de proteger nossos recursos hídricos”, afirma. “Todos terão oportunidade de ver que as tecnologias estão à disposição com preços acessíveis e que está na hora de exigir políticas públicas assertivas dos governantes para reduzir esses problemas ambientais.”

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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